QUE OS DEUSES SE AMERCEIEM! | por José Gabriel, in facebook.

Os líderes políticos europeus são, por estes tempos, de uma mediocridade confrangedora e de uma inconsciência perigosa. Gente sinuosa, inculta, sem autonomia nem integridade. Não exceptuo ninguém, embora, pelo peso das suas funções e a dimensão dos seus países, alguns se tornem particularmente desprezíveis na sua perigosidade. Eles e elas, que talvez os únicos tiros que tenham ouvido tenham sido numa coutada de um padrinho ou patrocinador, falam em guerras e guerrinhas como se estivessem a brincar aos soldadinhos de chumbo nos seus quartos de brinquedos. Alguns deles, poderiam ter um diagnóstico da beira da psicopatia. Outros são tíbios, alguns simplesmente malucos. Dizia-me, há muitos anos, um ilustre amigo e psiquiatra, que as patologias mentais, na realidade, só tinham três tipos: o tontos, os malucos e os maluquinhos – em grau ascendente de gravidade. Só aos primeiros dois grupos se pode fazer alguma coisa. Mas é preciso que se tratem. Porém, o meu amigo não previa que os “normais” os elegessem – e prometem não ficar por aqui. Estranhareis que aborde o tema deste ponto de vista, ainda por cima de um modo tão básico. Olho os livros que se amontoam ali nas estantes, os mestres que nos podem ajudar a pensar e a agir. 

Mas dizei-me: 

– Em que página de Clausewitz está alguma reflexão que explique o anúncio de Macron de que a NATO enquanto tal tem de considerar fazer guerra à Rússia, ainda por cima, ouvindo-o falar, parece que a criatura acha que uma guerra entre estes dois potentados seria uma coisa com umas frentes lá para o Leste, umas escaramuças, agora avanças tu, agora avanço eu. Macron não atina que uma guerra declarada à Rússia não demoraria tanto assim nem teria esta natureza. Provavelmente demoraria algumas horas, e o palácio do Eliseu ficaria  em cacos, reduzido a bocados que mal dariam para atirar a um rato – isto se sobrevivesse algum rato e alguém para atirar a pedra. 

– Em que capítulo de Marx está a legitimação teórica para tal desatino?

– Em que página de Kafka ocorre uma tal lembrança?

–  Em que escrito dos vaporosos nouveaux philosophes – mesmo os dos ex-maoistas reciclados em cãezinhos de regaço da direita e das revistas de moda, como o servil Bernard-Henri-Lévy – está este desígnio bélico de Macron?

Em nenhum destes nem de muitos outros que se têm debruçado nas complexidades das militarium rerum. 

Já, curiosamente, na Psicologia e na Psicanálise encontramos pistas. Ocorre, desde logo, o conceito de compensação, que explica como o sujeito, consciente ou inconscientemente, esconde fraquezas, frustrações, desejos, sentimentos de inadequação ou incompetência numa área da vida, através da gratificação numa outra. Se juntarmos a esta noção de necessidade de afirmação, que, no limite nos pode levar à necessidade de uma autoimagem excessiva, ilusória e, não raro, destrutiva, temos aqui algumas ideias para compreender o imperador a haver Emmanuel Macron, Le Petit Caporal de vão de escada. Não sei que porção de si Macron tenta, por falta de dimensão, compensar. Mas também não me interessa, os psiquiatras que tratem disso. 

Eu sei, ei sei, enquanto escrevo estas linhas, os outros líderes de países da NATO já recusaram – espantados e assustados, acho – o delírio de Macron. Nem a assanhadiça estarola Ursula von der Leyen apreciou a ideia. Mas ele lá continua. Para alegria de uma Le Pen ansiosa por pôr as mãos na coroa. 

E nós? Bem, nós assistimos arrepiados a tudo isto e à possibilidade de o cortejo dos doidos ainda só ir no adro. O pior é que estamos rodeados de gente que está deserta para contribuir para este peditório.

Que os deuses se amerceiem!

Retirado do Facebook | Mural de José Gabriel

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