2024/12/24 0:02

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
—
O poema alguém o dirá
Às searas
—
Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento
—
O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento
—
No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas
—
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)
—
Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
—
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo
Posted by Das Culturas
Categorias: Literatura, Poesia, Quem é Quem
Etiquetas: O Poema | Sophia de Mello Breyner Andresen, VCS
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