MINDE, TERRA DE ARTES E CULTURA, por Pedro Micaelo 

Minde não tem castelos nem grandes monumentos. Mas tem algo mais raro: identidade.

Tem uma língua própria.Tem uma banda centenária, um museu, um conservatório, um cineteatro. Tem festivais de música. E terá, em breve, um novo auditório, a Fábrica de Cultura

E, acima de tudo, tem pessoas, e boas organizações associativas.

Somos uma terra de músicos. Em cada casa há um músico.

Sempre acreditei que o futuro de Minde passará muito por aqui.

– Quando organizava o JazzMinde, visitei Marciac, no sul de França, uma pequena vila com a dimensão de Minde, hoje referência europeia no jazz, e onde se realiza um dos maiores festivais do Mundo  – percebi o que é possível. Uma terra que vive da cultura. Que respira música. Que atrai pessoas, vida, economia. Onde as ruas estão cheias, as esplanadas vivas, e a alegria é visível.

Pensei: porque não Minde?

Nós temos tudo para lá chegar.

Temos talento. Temos história. Temos associações. Temos localização. Temos identidade.

Falta-nos visão. E, sobretudo, decisões certas.

A Fábrica da Cultura pode ser um ponto de viragem. Mas não nos enganemos: cultura não se constrói só com edifícios.

A verdadeira cultura vive na rua. Vive nas pessoas. Vive nos encontros.

E é precisamente isso que estamos a perder.

Minde está a perder identidade.

A resignação cresce.

A vila estagnou.

A qualidade de vida diminuiu.

E enquanto dizemos que precisamos de mais gente, vemos cada vez mais mindericos a sair. A comprar casa em Torres Novas, Fátima, Leiria, Nazaré.

Porquê? Porque Minde está a morrer lentamente, mas à vista de todos.

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