REUNIÃO CM ALCANENA | 06.04.2026, por Pedro Micaelo

Na sequência do que ficou acordado na Reunião Pública realizada na Junta de Freguesia, formou-se uma Comissão de Moradores e Cidadãos por Minde e, como anunciado, um grupo de 10 cidadãos de Minde participou e marcou presença na Reunião de Câmara.

Os intuitos foram, mais uma vez: apelar ao bom senso e à razão, questionar porque é que a obra estava a recomeçar e a população ainda não tinha sido ouvida, (conforme prometido), e quais eram as intenções futuras da CMA.

Estavam também presentes dois cidadãos de Minde a fazer de guarda pretoriana em prol da construção do prédio e ainda uma arquiteta funcionária da CMA. Este assunto não fazia parte da agenda da reunião e acho muito estranho ser este o serviço dos arquitetos da CMA — com tantas obras a decorrer, são recrutados para assistir a reuniões.

Foi tudo muito triste. Tão triste que nem me tem dado vontade nenhuma de escrever. Mas, enfim, vou tentar ser sucinto.

Foi aberta a sessão.
Quase todos os presentes colocaram questões: porquê não consultaram Minde, como prometido; ilegalidades do projeto; o prazo da obra; o estaleiro; se a CMA não tem 20 mil para gastar com a compra do terreno atrás e construir lá o edifício (seria o 3 em 1); a altura do prédio; a falta de alinhamento; a falta de respeito para com o povo de Minde; etc., etc.

Espero que venha tudo registado em ata (embora o que diz em atas vala o que já vimos…).

O Presidente, com ar aborrecido e a prepotência de quem é dono da casa e o supremo comandante do concelho, no início ainda deu respostas que se enquadravam minimamente com o questionado, mas sempre com fugas para os arquitetos, os melhores especialistas, os técnicos, os juristas, os gestores, os consultores — é que sabem. Ele só segue as indicações. Foi tempo de pensar e agora é de agir — era a conclusão.

Por fim, já nem ouvia o que era perguntado. Metia a cassete dos milhões, do concelho com mais de metade de toda a habitação no Médio Tejo, o concelho que per capita está em 1.º lugar no país, mais milhões e mais milhões, blá, blá, blá… a cassete. E respostas, zero.

Às tantas lançou a habitual frase de “nesta sala está algum arquiteto?”, ao que a arquiteta da CMA levantou o braço. Aproveitou para falar, e a menina até falou bem, ao descrever o que devia ser uma praça, a sua vivência, etc. Tudo igualzinho ao que nós queremos para a Praça Velha, mas no final mudou o chip e acabou a afirmar que o prédio não ficava ali desenquadrado. Haja pachorra para tanta encenação.

Se até ali foi tudo tão desolador e triste, a parte final foi… sem palavras!

O final estava reservado para a atuação da guarda pretoriana em prol do projeto. Qualquer dos discursos dos dois cidadãos (um deles acumula funções de Presidente de Assembleia de Minde e foi ex-vice-presidente da CMA) foi simplesmente lamentável.

Afirmavam-se os verdadeiros mindericos representantes da maioria. Alto e em bom som, ouvi inverdades, injúrias indiretas a cidadãos de Minde, como racistas e xenófobos, rebaixaram alguns dos nossos antepassados ilustres, enfim: mau demais.

Já não recordo quem disse o quê, mas ambos acabaram com a mesma frase, alto e bom som: o prédio já devia era estar construído.

Podiam ser a favor do prédio. Certo. Mas não era preciso falar tanto e chegar àquele nível de discurso rebaixador de Minde. Todos ficámos estupefactos. Foi triste.

A intervenção pública acabou, e a Sra. Vereadora Gorete pegou no assunto, afirmando que a obra, mesmo que começasse agora, será impossível estar concluída em agosto, prazo limite do PRR, e aí o financiamento já não será total. Quem financiará o restante?
O Presidente enrolou um pouco, mas acabou por afirmar que a CMA irá recorrer a um crédito para essas penalizações de atraso, mas ainda não sabia as condições.

E foi assim. A Reunião continuou,. Viemos embora.
E Viemos a pensar, como é possível falar-se assim de Minde, ser-se tão bajulador, e haver tanto jogo de interesses que ninguém entende. Vale Tudo!!

A Guerra e Paz editores celebra 20 anos de vida, por Manuel S. Fonseca

Hoje, a Guerra e Paz editores comemora 20 anos de vida. Digo isto com a alegria serena desses dias em que o sol é grande e caem com a calma as aves. A Guerra e Paz foi ao longo de alguns anos «aquela cativa que me tem cativo» e já explico. Um terramoto (ou terá sido maremoto?) arrasou-nos em 2011: a insolvência do nosso então distribuidor bateu-nos de frente e pareceu mergulhar-nos um abismo irremediável. Devíamos ter desistido. Vivamente nos recomendaram que desistíssemos.

Dia a dia, mês a mês, durante 12 anos, a cada leda madrugada, às vezes lágrimas em fio, houve, umas vezes seis, outras sete ou oito obreiros da Guerra e Paz que persistiram no que um amigo meu chama, «a trincheira da luta». Batemo-nos com armas desiguais: só tínhamos sinais de fumo, machetes e catanas onde outros tinham radares, satélites e misseis. Mas voltámos, passo a passo, à vida e, hoje, com uma alegria serena, sabemos que não hipotecámos esses 12 anos. Pelo contrário, foram anos em que servimos um amor, qual «Raquel, serrana bela»: e mais serviríamos, «se não fora para tão longo amor tão curta a vida».

Hoje, a Guerra e Paz editores celebra 20 anos como eu aos meus 20 anos comemorei a liberdade. É uma empresa limpa, competitiva, com relações de amizade com todo o universo do livro, autores, outros editores, livreiros, tradutores, revisores, paginadores. Estamos a crescer muito acima do crescimento do mercado e a ganhar solidez. Hoje, a Guerra e Paz, que chegou a parecer condenada, é uma editora com apetite de futuro.

Temos um passado que não esquecemos e muito agradeço a antigos sócios, ao José Santos, co-fundador, ao Abílio Nunes – dois amigos da minha infância em Luanda – como amigos são o José António Pinto Ribeiro e o Manuel Cintra Ferreira, de quem sempre terei saudades, como agradeço aos actuais sócios, dois amigos perseverantes, António Parente e Pedro Henriques.

Hoje, a Guerra e Paz já é um pequeno grupo. Tem uma nova chancela, a euforia, que a Rita Fonseca faz voar à velocidade da Artemis II, e integrou, há 6 meses, a Gradiva Publicações, uma editora histórica, cujo alto mérito teremos de provar que merecemos. Somos 14 pessoas. Estamos aqui diariamente – há mesmo quem já esteja há 20 anos, caso do Ilídio Vasco, decano dos artífices desta casa – com um só propósito: continuar a fazer da Guerra e Paz uma editora de que os autores e os leitores gostem, servindo o livro e a leitura, e onde seja um prazer trabalhar.

Obrigado à Rita e ao Ilídio, ao José Cardoso, Américo Araújo, Maria José Batista, Luisa Pinto, Beatriz Fernandes, Andreia Pereira, Helena Rafael, Elisabete Lucas, Andreia Santos, Diana Trigo, Magda Filipe: são eles a Guerra e Paz. E obrigado à equipa da VASP, que nos distribui. Obrigado à nossa jurista, Fátima Esteves, ao nosso TOC, Rodrigo Santos, ao nosso excelente presidente da Mesa da AG, António Palma: mais do que tudo, liga-nos uma amizade sincera.

Fazemos 20 anos: com uma alegria serena, estamos já de olhos no futuro.

Manuel S. Fonseca, editor