A derrota do Deus do Ocidente | Carlos Matos Gomes

A ação do Estado Judaico na Palestina, o genocídio em Gaza e a destruição da Cisjordânia constitui um ato que os seus autores pretendem que seja o ato final do direito de origem divina de Povo Eleito à Terra Prometida, a provocar um Armagedeão em termos do Antigo Testamento bíblico. Os dirigentes judaicos justificaram e justificam com o Antigo Testamento da Bíblia e com o seu deus Javé a ocupação manu militari de mais este território da Terra Prometida a Abraão há quatro mil anos. Sem a dimensão religiosa não é possível entender a política do Estado de Israel, o discurso e o comportamento dos seus dirigentes e a atitude de arrogância que revelam perante aa comunidade internacional (gentios) e até contra os seus protetores americanos.

No entanto, no Ocidente cristão esta guerra santa, equivalente a uma cruzada ou uma jhiad, está a ser quase exclusivamente analisada sob o ponto de vista técnico, como um historicamente vulgar conflito tendo por base os interesses de grupos políticos, económicos e sociais, interesses estratégicos de poder global envolvendo superpotências e potências regionais. Como mais uma “guerra” das muitas em que o Ocidente se tem envolvido desde que se reconstituiu após a queda do império romano, tendo o cristianismo como base ideológica e civilizacional.

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