Das brumas da memória | José Augusto Nozes Pires | Bartolomé Esteban Murillo- Duas crianças comendo um melão e uvas, 1645-46

Em tudo que fazemos a desigualdade persiste

Talvez nalguns lugares seja menor

Mas já era assim, talvez maior,

Na minha, na tua, na nossa infância.

Deixa-me lembrar-te e não me contradigas:

Uns adormeciam em camas limpas e macias

E outros, sabe-se lá, onde calhava.

Sempre assim foi:

Para estes uma ama serviçal acolhia-os ao colo,

Nem um ralhete se ouvia ;

um quarto aquecido, palhaços e soldadinhos de chumbo.

Para aqueles (foram e são tantos!)

 uma cama de palha, uma vela de sebo acesa.

Não viste tu, mas vi eu.

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