Se pensava que o horror tem limite, por Francisco Louçã | in Expresso

A imagem mais célebre sobre o massacre de Guernica é a gigantesca tela, aqui reproduzida, que Picasso pintou nos dois meses seguintes ao bombardeamento que provocou 1660 mortos naquela cidade basca, em 1937. As imagens mais conhecidas da devastação de Mariupol ou de Alepo, no nosso tempo, são fotografias panorâmicas tiradas à distância, algumas aéreas, e testemunham o deserto humano nos prédios destroçados. São duas formas de retrato da barbárie e, delas, o grito de Picasso é a expressão mais intensa do desespero. Cada guerra tem a sua história, mas guerra é isto: choque e pavor, para lembrar o termo com que os generais norte-americanos designaram a sua estratégia para o Afeganistão e Iraque, dois conflitos que aliás perderam. É o que se está a viver em Gaza, com a particularidade sinistra de ser um enclave onde a população bombardeada está encurralada pelos muros de uma prisão.

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