Carlos César confirma presidência do PS e lembra ao partido: “o poder é exercido por empréstimo dos eleitores”, in DN

O presidente socialista foi reeleito no 25.º Congresso Nacional do PS com 89,9% dos votos e deixou uma série de prescriões ao partido, sublinhando que é preciso “provar a solvência política”.

Não podemos pensar em voltar a merecer a confiança maioritária dos portugueses só porque fomos melhores em momentos do passado”, avisou o presidente do PS, Carlos César, este sábado, 28 de março, no segundo dia do XXV Congresso Nacional do PS, que surge num momento, já referido pelo líder do partido, José Luís Carneiro, no arranque da reunião magna, como sendo “muito difícil”, tendo em conta os resultados eleitorais das legislativs de maio de 2025.

Ainda assim, tal como Carlos César sustentou na intervenção de confirmação da presidência socialista, “o PS é o partido de oposição mais atido pelos portugueses nas últimas eleições autárquicas, confinando a extrema-direita a uma representação irrisória na administração local”. 

Para reforçar esta ideia de esperança, César também lembrou que, nas eleições presidenciais, apoiaram, “no tempo e no modo adequados, o candidato que se apresentou vindo da esquerda democrática, cuja vitória pessoal é também uma vitória dos democratas e uma vitória” para os socialistas

A ideia de justificar o equilíbrio dos resultados das legislativas com os resultados das autárquicas e das presidenciais, para além de ter sido vincada no arranque do Congresso por José Luís Carneiro, tinha sido notado, antes da intervenção de Carlos César, por Armando Mourisca, o líder da Federação Distrital de Viseu do PS, a anfitriã da reunião magna do partido.

Numa sala, no Pavilhão Multiusos de Viseu que tem mantido tantos lugares vazios como ocupados, Carlos César, na tentativa de reforçar a ideia de esforço que o PS deve fazer, considerou: “só teremos essa confiança se provarmos no presente que a merecemos no futuro. Em democracia o poder é exercido por empréstimo dos eleitores; temos de novo de provar a nossa solvência política, ou seja que somos merecedores desse crédito.”

Para que o Governo seja “o menos mau possível”

Carlos César, numa longa fase da intervenção dedicada ao Governo, colou vitórias anunciadas pelo Executivo liderado por Luís Montenegro, “por ocasião da última reunião do Conselho Europeu”, a vitórias socialistas. Com esse objetivo, citou o primeiro-ministro referindo “crescimentos económicos sustentados e bons desempenhos orçamentais nos últimos anos”, que de acordo com Carlos César foram conquistadas “com os governos do Partido Socialista”.

“Em planos diversos, mas tão relevantes para todos nós, este Governo tarda em agir ou falha quando age”, acusou, destacando uma redução dos “sinais de uma aposta saliente na Educação e na qualificação profissional”.

“O serviço público de saúde insatisfaz cada vez mais numa miscelânea de medidas contraditórias”, na mesma medida em que “a Cultura é uma área ignorada”, continuou Carlos César, lembrando que “os jovens não se reconhecem nas políticas públicas” e “a Justiça não se apressa nem se reforma”.

“As empresas ou os cidadãos prejudicados a quem o Estado promete compensações aguardam em infindáveis listas de espera” e “a fiscalidade é uma manta de retalhos sem uma orientação percetível que não seja a dos cofres do Estado”, descreveu.

“Nunca em tão pouco tempo foi tanto dito e não cumprido, e nunca em tão pouco tempo foi tanto feito com tanto defeito”, afirmou.

Com a acusação de que “o Governo que temos continua a dedicar mais atenção à oposição ao Partido Socialista e ao namoro com a extrema-direita do que à resolução de todos e de cada um desses problemas que persistem ou que se intensificam”, Carlos César considerou que “o PS deve continuar a demonstrar querer ser parte das soluções e não apenas parte da crítica e da denúncia”. 

“Enquanto for este o Governo e não puder ser outro, o nosso dever é o de contribuir para que seja o menos mau possível”, concluiu.

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