António Costa Silva | Portugal e o Mundo Numa Encruzilhada | Para onde vamos no século XXI?

Sobre o Autor:

António Costa Silva é engenheiro, professor universitário e gestor. Nasceu em Angola, formou-se no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, e estudou no Imperial College, em Londres. Tem uma longa carreira ligada ao setor da energia. Em 2020, foi convidado pelo Governo para preparar a visão estratégica para o plano de recuperação económica de Portugal 2020-2030.

Sinopse:

Dos recursos naturais ao clima, à tecnologia e à geoestratégia, uma visão inspiradora para o futuro de Portugal. Para onde vamos no século XXI? Quais as tendências que estão a formatar a evolução da geopolítica, da economia, da luta contra a ameaça climática, dos riscos e crises que nos assolam? Porque é que não temos sido capazes de responder à altura? Qual o motivo para não conseguirmos evitar que milhões de pessoas passem por um sofrimento indizível cada vez que um acontecimento imprevisto paralisa o funcionamento das nossas sociedades? Porque é que não nos preparamos? E Portugal? O que podemos nós fazer por este país? Que problemas e desafios temos de superar na próxima década? Portugal e o Mundo numa Encruzilhada analisa estas e outras questões e procura obter respostas. Mas muitas vezes essas respostas suscitam novas perguntas. Nunca devemos deixar de perguntar. O espanto, como escreveu Platão, é o motor do conhecimento. Este é um livro urgente e essencial, que nos convoca a refletir, a envolvermo-nos e a fazermos parte da mudança necessária.

Geopolitical crises, economic challenges and environmental threats are putting the European project to the test. How can we reinvent the model that unites us?

In his latest book, ‘Portugal na Europa e a Europa: Que Futuro?’ (Portugal in Europe and Europe: What Future?), António Costa Silva presents a bold vision for the European Union — and for Portugal’s strategic role in charting a new course. Join us for a conversation, moderated by Francisco Assis and Nuno Botelho, which promises to provoke ideas and open horizons.

Xi Jinping e Donald Trump | Encontro em Pequim em 14 e 15 de Maio de 2026

Donald Trump confirmou que irá à China nos dias quatorze e quinze de maio para se reunir com Xi Jinping, classificando o encontro como “monumental”. O próprio presidente dos Estados Unidos também afirmou que haverá uma visita recíproca de Xi a Washington ainda este ano, indicando uma reaproximação direta entre as duas maiores potências globais.

Esse movimento acontece num momento de forte pressão internacional sobre os Estados Unidos, principalmente após o desgaste provocado pela guerra no Irã e pela dificuldade de alcançar resultados concretos no cenário externo. Diante desse contexto, a viagem deixa de ser apenas diplomática e passa a representar uma necessidade estratégica clara.

O encontro revela que a China deixou de ser apenas um adversário político e passou a ocupar um papel central no funcionamento do sistema global. Comércio, cadeias produtivas e tecnologia estão diretamente ligados ao país asiático, tornando qualquer tentativa de isolamento praticamente inviável.

Ao decidir ir até Pequim, Trump sinaliza uma mudança de postura. O discurso de confronto dá lugar a uma abordagem mais pragmática, motivada por limitações reais no cenário internacional. A reciprocidade anunciada, com a visita de Xi aos Estados Unidos, reforça que há um esforço em reconstruir canais de diálogo que haviam sido enfraquecidos.

A viagem expõe uma transformação mais profunda: o equilíbrio de poder global já não está concentrado em um único eixo. A necessidade de negociação direta com a China demonstra que o cenário internacional entrou em uma fase de ajuste, onde a imposição isolada perde espaço para a interdependência entre grandes potências.

Bebido o Luar, Ébrios de Horizontes, Sophia de Mello Breyner Anderson

Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Porquê jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Porquê o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.