José Saramago pode deixar de ser obrigatório no 12.º ano; Camilo Castelo Branco passa a leitura obrigatória, in Expresso

Deixo aqui o meu protesto. José Saramago é o nosso único Prémio Nobel de Literatura (VCS)

Proposta em consulta pública prevê que Saramago deixe de ser obrigatório no 12.º ano. Já Camilo Castelo Branco passa a leitura obrigatória

José Saramago, Nobel português da Literatura, pode deixar de ser obrigatório no 12.º ano; Camilo Castelo Branco passa a leitura obrigatória.

A proposta de revisão das Aprendizagens Essenciais de Português, atualmente em consulta pública pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, retira a obrigatoriedade de obras de José Saramago no ensino secundário.

Na prática, as escolas deixam de estar obrigadas a escolher uma obra do escritor no 12.º ano, passando a poder optar por outros autores. Atualmente, o programa prevê a leitura integral de “Memorial do Convento” ou de “O Ano da Morte de Ricardo Reis”.

A proposta prevê ainda que Camilo Castelo Branco passe a leitura obrigatória neste nível de ensino e abre a possibilidade de escolha de obras como “Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde”, de Mário de Carvalho.

Segundo responsáveis da área, a revisão procura aumentar a diversidade de autores e temas trabalhados nas escolas, permitindo maior flexibilidade na escolha das obras.

A alteração, que retira da obrigatoriedade o único Nobel português da Literatura, poderá suscitar debate no meio académico e cultural.

O documento está em consulta pública até 28 de abril e poderá ser ajustado antes de entrar em vigor no próximo ano letivo.

Florbela Espanca, Sonetos

Eu queria mais altas as estrelas,

Mais largo o espaço, o sol mais criador,

Mais refulgente a Lua, o mar maior,

Mais cavadas as ondas e mais belas;

Mais amplas, mais rasgadas as janelas

Das almas, mais rosas a abrir em flor,

Mais montanhas, mais asas de condor,

Mais sangue sobre a cruz das caravelas!

E abrir os braços e viver a vida:

Quanto mais funda e lúgubre a descida,

Mais alta é a ladeira que não cansa!

E, acabada a tarefa… em paz, contente,

Um dia adormecer, serenamente,

Como dorme no berço uma criança!

Sheikh Hamdan bin Mohammed Al Maktoum, “Formadora de Gerações”, Arábia Saudita

O príncipe herdeiro de Dubai, Sheikh Hamdan bin Mohammed Al Maktoum, determinou que o termo “dona de casa” seja oficialmente substituído por “formadora de gerações” em todos os documentos e sistemas do governo de Dubai. A medida foi anunciada no Dia das Mães e tem como objetivo reconhecer o verdadeiro valor do trabalho materno.

Segundo o príncipe, as mães não são apenas responsáveis pelo lar, mas são a primeira escola das crianças e as principais responsáveis por formar valores, caráter e o futuro da sociedade. Com essa mudança, Dubai busca honrar o papel fundamental das mulheres que dedicam sua vida à formação das novas gerações.

Essa iniciativa simboliza um importante passo na valorização da maternidade, mostrando que criar e educar filhos é uma das missões mais nobres e impactantes que alguém pode ter. Um gesto bonito que inspira o mundo a enxergar as mães com mais respeito e gratidão.

Manuel Mengas Micaelo, in “Valorizar Minde”, Facebook

Os meus antepassados eram mindericos, e eu nasci em Minde no ano de 1925.

Sou quase tão antigo como o concelho de Alcanena.

Sempre vivi em Minde. Fui tesoureiro da Junta vários anos (no tempo do fascismo), fui diretor da Banda, fui da comissão instaladora do Museu antigo, e ajudei a abrir a avenida José Carvalho.

Lidei com vários presidentes da Câmara, e a conclusão era sempre a mesma: “para Minde, palha e pouca”

Os tempos eram outros.

Não se arranjava dinheiro com a facilidade de agora que têm esses milhões todos da Europa.

Mas havia Respeito e Palavra.

Fomos muitas vezes á Câmara. Não era fácil.

Mas os compromissos assumidos eram cumpridos. De parte a parte.

Agora já ninguém tem Palavra.

Isto que querem fazer na Praça é uma VERGONHA!!

Os Mindericos não podem deixar construir um piralta dum prédio no meio da Praça.

No meu tempo, era o fascismo, mas batíamo-nos em Alcanena e o Povo é que impunha a sua vontade.

A visão social-democrata de Francisco Sá Carneiro para Portugal | in Comunidade Cultura e Arte

Este artigo faz parte de uma série de textos sobre figuras políticas relevantes da sociedade portuguesa. Álvaro Cunhal, Diogo Freitas do AmaralFrancisco Sá CarneiroMário Soares, Miguel Portas e Ramalho Eanes foram as figuras escolhidas.

Uma das figuras políticas malogradas de Portugal é a de Francisco Sá Carneiro. Um dos principais rostos da oposição ao Estado Novo já nas vésperas da sua queda, tornou-se um dos fundadores do Partido Popular Democrático/Partido Social Democrata (PPD/PSD) e, em 1980, foi nomeado Primeiro-Ministro. Nesse mesmo ano, morre no desastre aéreo de Camarate, no dia 4 de dezembro, aos 46 anos. Nascido a 19 de julho de 1934 na cidade do Porto, foi um dos principais bastiões da social-democracia como uma ideologia capaz de assegurar a transição de um regime autoritário e ditatorial para uma democracia plural e parlamentar.

Hoje em dia, o Partido Social Democrata é visto como um partido conotado com a centro-direita, naquilo que é o esquadro político das forças partidárias portuguesas. Alguns foram os rostos que ajudaram a que se transformasse, gradualmente, nesses moldes. Francisco Pinto Balsemão, Aníbal Cavaco Silva, Durão Barroso ou Pedro Passos Coelho são quatro exemplos de primeiros-ministros que defenderam premissas ligadas à centro-direita, nomeadamente os dois primeiros, mais responsáveis por essa reconfiguração. Na raiz, o Partido Social Democrata só se torna conhecido como tal em 1976, após algumas outras tentativas de partidarização com a designação de Social Democrata.

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