Considerações sobre a poesia de Érico Nogueira | Ou “a palavra desocultante” da Poesia | por Adalberto de Queiroz

Esta crônica não tem compromisso com o presente, nem com uma ou outra circunstância que possa sitiar o cronista enquanto a escreve ou a você, leitor, quando estiver a lê-la – e o tempo já terá consumido a ânsia de escrevê-la. O tempo se estará consumindo agora que você a lê, similarmente a quando foi composta.
Ora, sabemos através de Santo Agostinho que “o tempo é a imagem móvel da Eternidade”. Nada haverá, pois, que possa resistir à memória fugaz da crônica que não seja o olhar do Eterno e para o Eterno. Tudo flui, ensinava Heráclito de Éfeso, retomado pelo filósofo (e bom cronista) Vicente Ferreira da Silva[1]. E tudo flui porque “existir é coexistir”. Tudo flui porque “uma só coisa é em nós o vivo e o morto, o desperto e o adormecido, o jovem e o velho; unicamente que ao inverter-se umas resultam as outras e, ao inverter-se estas, resultam aquelas.

Continuar a ler