Adalberto de Queiroz: vozes do passado em versos | por Adelto Gonçalves (*)

Poeta faz da evocação da mãe que não teve a música inominável de sua poesia

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            Em poucos poetas antigos ou modernos brasileiros (para não se dizer nenhum), a evocação da mãe é tão presente e tão luminosa como em Adalberto de Queiroz (1955), que foi educado como órfão em abrigo de Anápolis, no interior de Goiás, de onde saiu só em 1973 para cursar Física na Universidade Federal de Goiás (UFG). Poeta, jornalista e ensaísta, Queiroz, em 2021, lançou a segunda edição, revista e repensada, de Cadernos de Sizenando, publicado em 2014, livro de poemas que “saem da angústia para o enfrentamento da realidade”, como definiu no pref&a acute;cio o escritor Iúri Rincon Godinho, membro da Academia Goiana de Letras.
            Godinho explica que, a pedido do autor, para a segunda edição da obra, retirou os textos em prosa poética da primeira, deixando apenas os poemas, garantindo que o material que ficou de fora “merece outro livro”. Tanto os textos em prosa poética quanto os poemas haviam sido publicados inicialmente em um blog (http://www.betoqueiroz.com) que Adalberto de Queiroz ainda mantém na internet. Como diz Godinho com percuciência, se ele, como editor do texto, tivesse tirado também todos os poemas e deixasse apenas aquele que tem por título “É a Mãe” o livro já valer ia a pena ser lido.

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Um inventário dos poetas católicos do Brasil | Os Fios da Escrita – ensaios literários | Adalberto de Queiroz

     Adelto Gonçalves (*)

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            Um excepcional inventário sobre a produção dos principais poetas católicos do Brasil é o que o leitor irá encontrar em Os Fios da Escrita – ensaios literários (Itabuna-BA: Editora Mondrongo, 2020), de Adalberto de Queiroz, poeta, jornalista e ensaísta, que foi empresário no ramo de Tecnologia da Informação por 26 anos. É reparada assim uma injustiça, pois a poesia escrita por poetas católicos brasileiros, que tanta repercussão teve nos anos de 1930 a 1960, nas últimas décadas, havia sido, praticamente, excluída do alvo da crítica, ainda que continue a ser apreciada por alguns poucos jovens leitores.

            Para Queiroz, há um “quarteto sagrado” da poesia feita por católicos no Brasil do século XX: Jorge de Lima (1893-1953), Murilo Mendes (1901-1975), Tasso da Silveira (1895-1968) e Augusto Frederico Schmidt (1906-1965). A esse grupo, porém, o ensaísta acrescenta Cecília Meireles (1901-1964), Manuel Bandeira (1886-1968) e Lúcio Cardoso (1912-1968). Desses, reconhece, apenas o paranaense Tasso da Silveira é menos conhecido, sendo mais estudado nos círculos acadêmicos de letras de Curitiba e do Rio de Janeiro, onde foi professor.

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