Carlos Drummond de Andrade | poesia erótica

carlos-drummond-de-andradeO amor natural
Guardados durante anos, os poemas eróticos de Carlos Drummond de Andrade estão reunidos nesta excepcional coletânea. O Amor Natural é uma obra inquietante, pois revela uma face nova, mais despojada, porém extremamente fascinante, do poeta. São textos repletos de vida e sensualidade, onde o autor se introjeta ao mesmo tempo em que se expõe, desbravando o corpo enquanto busca, na fluidez e sensualidade da linguagem, a própria nudez da alma.

Quase todos os poemas encontrados aqui são inéditos, à exceção de uns poucos publicados em revistas eróticas durante a década de setenta. Apesar de muitos deles terem servido de base para uma tese sobre o erotismo drummondiano, o autor optou por guardá-los em segredo, confiando a seus herdeiros a tarefa de publicá-los após sua morte.
Embora o senso de humor e a leveza — traços marcantes do estilo do autor — estejam presentes em toda a obra, o elemento mais forte é, sem dúvida, a paixão, a sensualidade à flor da palavra. Como define Affonso Romano de Sant’Anna, as palavras às vezes copulam semanticamente, e o que encontramos nestas páginas é o êxtase poético de um autor que, ao mergulhar fundo em suas próprias sensações, desnuda também o leitor, que se vê frente a frente com suas próprias contradições ao pensar nos limites entre o erótico e o pornográfico, o sexo e o amor.

Continuar a ler

Citação | Virginia Woolf

virginia-woolf-facebook

Les femmes doivent toujours se souvenir de qui je suis, et de quoi ils sont capables. Ne doivent pas avoir peur de traverser les exterminés champs de l’irrationalité est, ni même de rester suspendues sur les étoiles, la nuit, appuyées au balcon du ciel. Ne doivent pas avoir peur du noir qui engloutit les choses, parce que ce noir libre une multitude de trésors. Ce sombre qui eux, libres, scarmigliate et foires, connaissent comme aucun homme ne saura jamais.
Virginia Woolf

India considers the adoption of Universal Basic Income | Arlindo L. Oliveira in “Digital Minds”

arlindo oliveiraA recent article published in The Economist reports that India is considering the adoption of a Universal Basic Income (UBI) scheme to replace a myriad of existing welfare systems.

Unlike the discussions that are taking place in other countries, this discussion about Universal Basic Income is not motivated by advances in technology and the fear of massive unemployment. The main aim of such a measure would be to replace many existing welfare mechanisms that are expensive, ineffective, and misused.

The scheme would provide every single citizen with a guaranteed basic income of 9 dollars a month ( hardly a vast sum ) and would cost between 6 and 7% of GDP. The 950 existing welfare schemes cost about 5% of GDP. Such a large scale experiment would, at least, contribute to make clear the advantages and disadvantages of UBI as a way to make sure every human being has a minimum wage, independent of any other considerations or the existence of jobs.

Photo by Amal Mongia, available at Multimedia Commons.

Photo by Amal Mongia, available at Multimedia Commons.

https://digitalminds2016.wordpress.com/2017/02/05/india-considers-the-adoption-of-universal-basic-income/

PARIS SEMPRE | NO REGRESSO DE JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS | António Valdemar in Revista “Expresso” e Almanaque Republicano

antonio_valdemar1A França constituiu o paradigma cultural de várias gerações de artistas, escritores, cientistas e políticos portugueses. Muitos jovens, na primeira e segunda década do século XX, dirigiram-se para Paris. Uns, formados nas Escolas de Belas-Artes de Lisboa e do Porto e a usufruir de bolsas de estudo; outros, a beneficiar da generosidade de mecenas; outros, a receber mesadas das famílias; outros, ainda, à sua própria custa. Foi este o caso de Almada Negreiros, durante pouco mais de um ano. Repleto de contrariedades incidentes.

Antes, porém, da viagem que lhe permitiu um contacto direto com artistas, galerias e a realidade quotidiana de Paris e outras cidades, José de Almada Negreiros já se considerava fruto da irradiação da cultura francesa. A 16 de novembro de 1917, em “A Engomadeira”, uma das mais prodigiosas ficções da língua portuguesa, Almada Negreiros afirmou, ao concluir a dedicatória aJosé Pacheko, numa carta prefácio:

Continuar a ler