Diferenças de Opinião Sobre o Botão “Like” ou “Gosto”

Pequena pesquisa no goggle sobre o botão “like”

Deixo aqui algumas diferentes formas de abordar o problema. Conquanto podemos ver, basta fazer uma pesquisa no google sobre o assunto, para podermos verificar diferentes opiniões.

Ao mesmo tempo que uns promovem este tipo de mecanismos como uma virtude na internet, que podemos usar sem problemas; outros consideram os “likes” como “fakes” e problemáticos.

Se por um lado as redes sociais promovem a venda de “likes”, “reações” ou “partilhas”; se estas próprias empresas como o facebook ou o twitter dão o exemplo, porque é que o utilizador comum não pode comprar também, integrar o sistema e colaborar com ele, tirar proveito próprio do vício ou da virtude do sistema?

Muitos acabam por comprar as “interacções”, “gostos” e “comentários” para desenvolverem os seus projectos on-line. Mas depois… onde estão os comentários íntegros e verdadeiros, onde estão as interacções reais, e partilhas de opiniões convictas? Será que algo está errado numa página que só tem “reacções” e “gostos”? Ou será legítimo e são, ter uma quantidade de “likes” desproporcionada relativamente a uma “verdadeira” partilha de comentários?

Este artigo não tem a pretensão de esgotar o problema. No entanto tentámos numa rápida pesquisa no google, aflorar a questão tentando de alguma forma, dar algumas dicas sobre o assunto.

Algumas opiniões rígidas contra os “likes” e o sistema. Outras a favor. Aqui vão alguns artigos que aparecem nas primeiras páginas do google a falar sobre a questão:

 

Artigo no blogue: segredosdomundo.r7.com

neste artigo coloca-se a questão em termos do like ser fake ou não. Os exemplos que dão mostram-nos estratégias degradantes. Utilização de bots; criação de páginas fake; ou mesmo o exemplo de pessoas pagas (em regime de escravatura) para fazerem likes em páginas que pagaram pelo serviço.

 

Artigo no blogue: canaltech.com.br/

há uma diferença entre fazer “gosto” numa página, ou tomar partido dessa página. Coloca-se aqui uma questão do gosto ser ou não genuíno. Neste artigo, o autor coloca a questão em termos de engajamento. As empresas hoje em dia não querem apenas likes. De facto querem mesmo partidários da marca.

 

Artigo no blogue: gauchazh.clicrbs.com.br

um artigo que fala sob um ponto de vista psicológico. Somos considerados narcisistas se temos demasiados likes. Em contrapartida  há pesquisadores que defendem os likes. As redes sociais são sistemas de manutenção e reforço de laços sociais, que os não utilizadores perdem.

 

Artigo no blogue: updateordie.com

ainda um artigo que defende que o botão like deveria acabar. A superficialidade do like está a substituir conversas reais. Quando fazemos um like automático não exploramos todo o alcance do que que estamos a realizar.

Podemos estar a fazer um like em alguma coisa que na realidade nem sequer gostamos. Potênciamos as fake news. Tornamos a sociedade insensível e superficial .

POEMA 165 DO LIVRO INÉDITO “SILÊNCIO QUASE” E UMA ESCULTURA DE RODIN | Casimiro de Brito

Amo-te porque sou dependente do teu odor. 
Amo-te porque balanças nos ventos futuros.
Porque sou uma árvore que se abriga à tua sombra.
Amo-te porque só sei respirar na cidade de Eros.
Amo as marcas indecifráveis de todas as etnias
que produzem a beleza do teu rosto.
Bebo nas tuas coxas o linho molhado da minha infância.
Amo-te porque és alucinação e mulher real
no mesmo corpo volátil. Amo-te
porque também de noite és o meu sol quotidiano.
Amando-te não preciso de correr por montes e vales
em busca da mais antiga das mães. Tu, a irmã
da minha vagabundagem sempre inaugural. Amo-te
porque deixei de ter pressa. Um poema infinito,
uma cascata em cada sílaba. Uma lua que me engole
quando começo a ser sábio. A vegetação
no jardim que foi de pedra. Conheci na tua carne
a lama do meu reino luminoso. Amo-te
porque me fazes saltar o coração e lá vai ele
a caminho do país dos cedros. E assim renasço
no enigma da tua carne que no chão deitada, voa.
Amo-te porque dependo da tua cor do teu odor.
Amo-te porque me acolhes à tua sombra de árvore
para sempre iluminada. Amo-te
porque não tenho pressa e também as tuas águas
parecem um ribeiro por entre as colinas
da manhã. Amo-te mistura de linho e do mármore
macio da manhã. Amo-te porque os teus caracóis
se transformaram em carícia onde sou mais só.
Amo-te porque te vejo arder
como se desejasses que também eu ardesse
a teu lado.

Casimiro de Brito

Retirado do Facebook | Mural de Casimiro de Brito

O MARCENEIRO, A ÚLTIMA TENTATIVA DE CRISTO | Silas Correa Leite

Ao ler o novo – e de novo polêmico e de novo diferenciado – romance (místico, ecumênico, religioso?) “O MARCENEIRO, A última Tentativa de Cristo”, Editora Viseu, 2018, de Silas Corrêa Leite, a primeira coisa que nos vem à mente é uma frase de Friedrich Nietzche: “A verdadeira questão é: quanta verdade consigo suportar?”. Simples assim. O livro, segundo o autor, é do final do ano 2.000, com aquela história do tal bug do milênio, o mundo iria acabar, coisa assim, e ele escreveu este despojo para não dizer que não era capaz de escrever um romance, principalmente se mirando o livro Memorial de Maria Moura, de Raquel de Queiroz, quando então se decidiu que, se aquele era um romance contemporâneo, atual, também poderia bolar um. Deu nisso. Um desafio? Um braço quebrado, engessado, outro com problema, pois pegou uma velha maquina remington, botou papel de formulário contínuo, e, feito um surto-circuito – psicografado? Jorro neural? –  por quinze dias, a média de doze horas por dia, de licença médica, macetou o começo, meio e fim do projeto então se formalizando. Às vezes, confessa, aqui e ali, numa parte emocionante e elevadora, do registro que punha para fora, sentia que, madrugada a dentro, a sala do apartamento da Alameda Barros onde morava no bairro de Santa Cecilia como se iluminava, e ele, que tem medo de fantasma, de espírito, feito um bobo, parava assustado e chamando a esposa, acendia todas as lâmpadas do lugar, quando ela assustada, mas já o conhecendo, perguntava:

-O que você está fazendo?

-Estava escrevendo sobre Jesus, dizia ele.

Ela então entendia, e respondia:

– E você quer escrever sobre Jesus sem iluminação de algum lugar? Quem procura, acha…

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Foule, masse, multitude ou peuple? | Masse & Multitude. À partir de Freud, Canetti & Spinoza | Leon Farhi Neto

Entre les « masses » sinistres observées par Freud ou Canetti et le « peuple » objet de revendications démocratiques de nos jours, la notion de « multitude » offre une précieuse ressource à la pensée. (Christian RUBY)

« Multitudes » est désormais le titre d’une revue qui, justement, ne confond pas masses et multitudes. Mais c’est aussi un terme évoqué par beaucoup pour parler des explosions d’individus en foules dans le contexte de la mondialisation. Encore une chose n’est-elle jamais claire dans l’usage de cette notion : parle-t-on simplement de multitudes empiriques (et comptabilisables) ou de multitude au sens de la philosophie politique, celle qui veut parler de révoltes, d’affirmations critiques au sein de la politique ? Et que fait-on du vocabulaire des « masses », hérité du XXesiècle dans un sens positif (par les partis de gauche) ou négatif (par la police) ? D’autant que la différence entre les termes n’est pas sans nous laisser devant une question décisive : comment les actions de la multitude (foule, masse ou peuple) deviennent-elles politiques ?

Il fallait donc bien s’attacher à préciser que « multitude » de nos jours peut encore s’opposer à d’autres usages et références notoirement classiques. Pourquoi ? Sans doute parce que, durant longtemps, foules et masses semblaient désirer le fascisme, si l’on se réfère à ces débats du XXe siècle et aux grandes théories qui en ont proposé l’étude (Freud, Canetti). Reste la question de la notion de « peuple », qui ne peut s’utiliser avec moins de difficultés. Entre ceux pour qui le peuple renvoie à une ethnicité ou à une opération identitaire et ceux pour qui le peuple se définit comme l’institution de base de la démocratie, voire ceux pour qui le peuple ne saurait être autre chose qu’une promesse d’avenir, les partisans de telle ou telle politique se distribuent assez bien.

Pourtant, l’intérêt du nom de « peuple » n’est-il pas tout autre ? C’est ce qu’il fallait aussi vérifier, tout en prenant soin de penser la relation potentielle entre multitude et peuple. Or, là encore, les positions sont délicates à cerner, sinon en saisissant les deux logiques suivantes : pour les uns, le « peuple » est supérieur à la « multitude » en ce qu’il est organisé dans le but de dégager des choix collectifs, alors que la « multitude » est amorphe et manipulée ; mais pour d’autres, le « peuple » est au contraire l’objet de fantasmes d’unité dangereux, qui justifient de valoriser plutôt la « multitude » dans son irréductible diversité. Les phobies des premiers et des seconds ne se recoupent pas.

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