Novo Livro | “LATIM DO SÉRIO” | Frederico Lourenço

Optei então por fazer uma pausa no projecto Vergílio em Coimbra e assim nasceu, ao fim da tarde do 17 de março de 2020, a página do Facebook «Latim do Zero». No dia seguinte de manhã, para minha enorme surpresa, já tinha 4000 seguidores. Em menos de uma semana, chegou aos 10.000 seguidores e pouco tempo depois aos 14.000, confirmando assim a frase com que abre a Nova Gramática do Latim publicada em 2019: «muitas pessoas gostariam de saber latim».

Com efeito. O projecto Latim do Zero propõe 50 lições que, passo a passo, visam dar as bases gramaticais necessárias para ler, na língua original, a «Eneida» de Vergílio – sem sombra de dúvida, a maior obra da literatura latina. As 50 lições constituem a primeira parte do presente livro, que segue a metodologia de ensinar como funciona a língua latina a partir de pequenos textos de muitas épocas e proveniências, com destaque inicial para a Vulgata, talvez o melhor instrumento didáctico para mostrar, a quem se inicia no estudo do latim, a essência da sua beleza. Recordo, a este propósito, palavras escritas pelo meu pai, nas quais me revejo plenamente: «de todas as línguas românicas, a portuguesa é a que mais se assemelha ao Latim de São Jerónimo. O leitor da sua tradução do Novo Testamento não cessa nunca de se admirar perante a miraculosa congruência entre o ritmo, o vocabulário e a sintaxe da frase» (M.S. Lourenço, O Caminho dos Pisões, Lisboa, 2009, p. 640).

A segunda parte do livro propõe material vergiliano – o texto integral dos Cantos 1 e 4 da Eneida – que possibilita a concretização prática daquilo que foi ensinado nas 50 lições da primeira parte. Aceitando que, para a maior parte das pessoas, a finalidade de aprender latim é conseguir ler em latim, a segunda parte do livro procura desmontar o medo da leitura de um texto poético exigente, apresentando-o com suficientes notas gramaticais e com uma tradução interlinear cuja finalidade não é literária, mas sim didáctica: a tradução interlinear está pensada para permitir, relativamente ao texto latino, o entendimento automático do seu léxico; a decifração imediata da sua morfologia; e a dedução lógica da sua estrutura sintáctica.

Para quem se queira exercitar depois com poesia mais difícil, proponho, na terceira parte do livro, a leitura integral do Livro 1 das Odes de Horácio, com notas abundantes. Neste caso, a organização do texto corresponde à tradicional disposição bilíngue, com o texto latino na página par e a tradução portuguesa na página ímpar. De novo, como referi a propósito da versão portuguesa dos Cantos 1 e 4 da Eneida, a tradução de Horácio pretende ser apenas uma ponte que dá acesso directo à estrutura gramatical das frases latinas. Quem quiser fazer o «desmame» da tradução portuguesa pode ocultar, com uma folha de papel, o texto português de Horácio que está na página ímpar e só fazer a respectiva consulta em caso de se ter deparado com uma dúvida irresolúvel.

Se a segunda e terceira partes deste livro levarem leitoras e leitores de língua portuguesa a sentir o prazer inigualável de ler, em latim, o melhor que existe na poesia latina, darei por alcançados os objectivos que me propus – e que proponho, agora, a todos vós.

Frederico Lourenço

Retirado do Facebook | Mural de Frederico Lourenço

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