VAMOS CONTINUAR A FALAR DE TERRAS-RARAS, por A. Galopim de Carvalho, in  De Rerum Natura

E vamos fazê-lo porque as propriedades ópticas, magnéticas e químicas dos 17 elementos químicos incluídos nestas “terras”, ou seja, nestes óxidos, são fundamentais para, como já está a acontecer, darmos este salto tecnológico que nos maravilha e, ao mesmo tempo, nos assusta.

Um parêntese para lembrar que a descoberta do oxigénio, nos primeiros anos da década de 70 do século XVIII, pelo inglês Joseph Priestley (1733-1804), em 1772 e, separadamente, pelo sueco Carl Wilhelm Scheele (1741-1786), em 1774, levou a que a composição química das rochas passasse a ser expressa em óxidos e que estes pioneiros da Química davam o nome de “terras” a esses óxidos de metais.

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Economia | Mário Centeno: “A guerra está aqui e vamos ter de gastar muito dinheiro”, in DN, 07-03-2025

“Temos grandes questões na dívida pública, mas esta deverá crescer novamente nos próximos anos devido aos desafios na defesa”, disse o governador. Taxas de juro do BCE não voltarão a 0%, avisou.

A Europa (Portugal, incluído) vai precisar de se endividar muito, novamente, ao longo dos próximos anos para se poder “gastar muito dinheiro” na área militar e defesa, avisou Mário Centeno, o governador do Banco de Portugal (BdP), esta sexta-feira, numa conferência, em Lisboa.

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A Europa e a decadência, por Jaime Nogueira Pinto, in DN, 08-03-2025

Por vezes a resposta à realidade desagradável é ignorá-la; outras vezes é passar a tratá-la ao modo de Cruzada contra o Mal, o mal absoluto, contra o qual vale tudo; e nessa narrativa alternativa, concentrar tudo o que possa contraditar a realidade, usando argumentos laterais, colaterais, formais, por importantes que sejam, mas fugindo ao cerne da questão.

É este o juízo que me parece mais próprio, vendo o alheado agitar, esbracejar e passarinhar dos líderes europeus para longe do centro da intriga (o almejado fim do conflito Rússia-Ucrânia), perante a nova Administração americana e o seu dilúvio diplomático e executivo.

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A Rússia pode mesmo invadir-nos?, por Pedro Tadeu, in DN, 08-03-2025

A Rússia talvez venha, politicamente, a vencer a guerra com a Ucrânia mas, na verdade, não a conseguiu vencer militarmente, tal como, aliás, em sentido inverso, a NATO com o seu apoio às tropas do presidente Volodymyr Zelensky também não conseguiu vencer, ao fim de três anos, a Rússia.

Passado este tempo andar a dizer ao povo que a Europa (União Europeia e Reino Unido) precisa urgentemente de se rearmar para fazer frente a uma ameaça russa só não é uma falácia ridícula porque a sua aceitação generalizada, como parece estar a acontecer, a transforma numa iminente tragédia coletiva.

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8 de Março, Dia Internacional das Mulheres Pintura de Iman Maleki, “La Mirada”

O Dia Internacional das Mulheres foi oficializado pela Organização das Nações Unidas, em 1975. É assinalado, anualmente, a 8 da Março, para homenagear aquelas que lutaram pelos direitos das mulheres, para lembrar que as conquistas de outrora continuam a ser relevantes, e que a luta ainda não acabou.

BEI planeia investir 10.000 milhões de euros em habitação sustentável, in LUSA e IDEALISTA, 06-03-2025

Banco Europeu de Investimento (BEI) planeia investir cerca de 10 mil milhões de euros nos próximos dois anos para apoiar a habitação sustentável e a preços acessíveis, compromisso assumido esta quinta-feira (6 de março de 2025) no lançamento de uma plataforma de investimento. O investimento do Grupo BEI tem como objetivo a construção de 1,5 milhões de habitações novas ou renovadas em toda a Europa.

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Adelto Gonçalves | Percurso de uma paixão pelas letras

ZR

Trabalho de conclusão de curso mostrou a trajetória do jornalista e escritor Adelto Gonçalves

Há 20 anos, ao final de 2004, os alunos José Djacy Campos Freire e Elaine Cristina da Cunha defenderam, na Faculdade de Comunicação e Artes do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), atual Universidade São Judas-campus Unimonte, de Santos, o trabalho de conclusão de curso (TCC) intitulado Adelto Gonçalves – vida e obra de um autor santista. O TCC, que contou com a orientação da professora doutora Fátima de Azevedo Francisco, é uma grande reportagem que procura mostrar a trajetória até então do jornalista, professor e escritor Adelto Gonçalves (1951), autor de obras publicadas no Brasil e em Portugal.

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Uma Europa parada no tempo e sem centralidade, in “Strategic Culture Foundation”, por Hugo Dionísio

A Europa, incapaz de abraçar o projecto euroasiático, divorciada de si e dos seus, inactiva e imóvel, como que parada no tempo, deixou que o fim da história dos EUA, se tornassem no seu próprio fim da história.

A União Europeia está absolutamente devastada. Falta saber bem porque razão tal sucede. Há quem diga que é porque os EUA a abandonam, trocando a atenção que lhe davam, por uma atenção maior ao pacifico e, em especial, à China. Há quem diga que, o seu receio está relacionado com a incapacidade de a União Europeia se defender das suas ameaças, leia-se, do arqui-inimigo das nações do centro europeu, concretamente a Federação Russa. Há quem diga, ainda, que o desespero tem causa na perda da liderança, o que é caricato: tanto falar de liberdade e, ao mesmo tempo, parecer ter medo de ser livre. A Europa tem medo de se libertar dos EUA e, perante essa possibilidade, sente-se abandonada.

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O crescimento económico nacional está assente numa total desarticulação territorial, 17-02-2025, in “República dos Pijamas”

Um modelo de modernização fora das áreas metropolitanas, combinado com uma turistificação da Capital, não é sustentável sem políticas direcionadas.

Depois de a economia portuguesa se reerguer da pandemia com taxas de crescimento acima da média europeia, o debate sobre a sua evolução tem sido marcado por pelo menos duas correntes.

Por um lado, os bons números do PIB são contrapostos com o crescimento de setores de baixos salários como o turismo. Como frequentemente argumentado à esquerda e enfatizado nesta newsletter com alguma regularidade, é aqui que reside a crise habitacional que empobrece grande parte dos trabalhadores.

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Zelensky propõe trégua no ar e no mar para iniciar negociações de paz, in RTP, 04-03-2025

“Estamos prontos para trabalhar rapidamente para pôr fim à guerra, e os primeiros passos podem ser a libertação de prisioneiros e uma trégua no céu – proibição de mísseis, drones de longo alcance, e lançamento de bombas contra infraestruturas energéticas e civis – e uma trégua no mar imediatamente, se a Rússia fizer o mesmo”, disse o presidente ucraniano, numa declaração publicada esta terça-feira na rede social X.

“Queremos então avançar rapidamente em todas as próximas etapas e trabalhar com os EUA para chegar a um acordo final forte”, acrescenta.

O presidente ucraniano reconhece que o encontro da semana passada com Donald Trump na Casa Branca “não decorreu como deveria” e diz ser “lamentável”, mas sublinha que é altura de “corrigir as coisas”.

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TÓPICOS DA IMPRENSA | 04-03-2025 | VCS

Kiev, 04 mar 2025 (Lusa) – O primeiro-ministro do governo de Kiev, Denys Shmygal afirmou hoje que “a Ucrânia está absolutamente determinada a continuar a sua cooperação com os Estados Unidos”.

Estas declarações de Shmygal surgem depois de a Casa Branca ter anunciado a suspensão da ajuda militar norte-americana, que é crucial para Kiev e o seu exército fazerem frente à invasão da Rússia.

Vladimir Vladimirovich Putin alertou oficialmente o Ocidente sobre como seria uma guerra com a Rússia

“Caros colegas, mídia, jornalistas e convidados. Boa tarde!

Hoje, novamente, na União Europeia e nos estados-membros da OTAN, há apelos por uma “guerra contra a Rússia”. Hoje, infelizmente ou não, podemos dizer novamente que a história sempre se repete. Sempre! As opiniões de nossos colegas da Europa e da OTAN sobre a Rússia nunca mudam; eles estão sempre prontos para destruir a Rússia, tudo o que é russo, e prontos para ocupar a Rússia; seu objetivo nunca muda.

O ódio contra a Rússia sempre permaneceu nas veias de alguns de nossos colegas e países que governam a UE e a OTAN. Caros colegas, Hoje ouvimos novamente que a Rússia é um agressor, e a verdade é que a Rússia nunca foi um agressor e sempre se defendeu ao longo da história. Isso é um fato!

Caros colegas da Europa e da OTAN, a Rússia nunca começa uma guerra; a Rússia sempre impede guerras. Você começa guerras, e o objetivo é sempre destruir a Rússia.

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“Terras raras são essenciais para as tecnologias”, entrevista a Ubaldo Gemusse, geólogo moçambicano, in RFI

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RFI: O que são terras raras e por que é que são tão importantes?

Ubaldo Gemusse: As Terras Raras são um conjunto de 16 elementos químicos. Nós aprendemos na química que existem alguns elementos que são considerados raros não pela sua ocorrência, mas pela fraca abundância em determinado território. A Ucrânia e a Rússia têm o privilégio de conter esses recursos geológicos, que são raros e têm uma importância muito vasta nas tecnologias, por exemplo, na fabricação de baterias e em carros eléctricos. São considerados raros pela sua fraca abundância na natureza.

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Marc Chagall: A Arte que Encanta o Mundo

Retirado do Facebook | Mural de Marc Chagall

  • Marc Chagall foi um pintor de origem russa, considerado um dos maiores artistas do século XX.
  • Suas obras são marcadas por cores vibrantes, imagens surrealistas e elementos simbólicos.
  • Chagall foi influenciado pelo expressionismo e pelo cubismo, mas desenvolveu um estilo único e inconfundível.
  • Seus quadros retratam temas como o amor, a religião, a vida rural e a cultura judaica.
  • Entre suas obras mais famosas estão “Eu e a Aldeia”, “O Teto da Ópera de Paris” e “A Noiva do Eiffel”.
  • Chagall também se destacou como gravurista, ceramista e escultor.
  • Sua arte influenciou diversos movimentos artísticos, como o surrealismo e o expressionismo abstrato.
  • O legado de Chagall continua a encantar o mundo até os dias de hoje, sendo exibido em museus e galerias de todo o mundo.

Aprender com as artes, por Guilherme d’Oliveira Martins, in DN, 04-03-2025

Dedico esta crónica a Maria Luísa Guerra, minha Mestra, sempre.

António Carlos Cortez acaba de publicar uma antologia intitulada Artes e Educação, na qual diversos autores portugueses escrevem sobre a importância da dimensão criadora na Educação. Estamos no coração da aprendizagem, e a referência às Artes não se reporta a um aspeto marginal na vida da Escola e da educação, mas à procura de uma formação capaz de promover a cidadania ativa, responsável e competente. Carlos Fiolhais recorda Rómulo de Carvalho, professor, cientista e poeta, quando afirmava que o artista e o cientista “desempenham na sociedade o mesmo papel de construtores, de descobridores, de definidores: um do mundo de dentro, outro, do mundo de fora. (…). E que ambos esses mundos exigem a permanente busca, a orientada investigação que em nossos dias, é considerada apenas apanágio da ciência”.

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A Base do Pensamento Ocidental: Sócrates, Platão e Aristóteles

Retirado do Facebook | Mural de “Professor Prezotto”

A filosofia ocidental tem suas raízes na Grécia Antiga, um período de grande efervescência intelectual, política e cultural. Entre os séculos V e IV a.C., Atenas era o centro do pensamento filosófico, onde surgiram três dos maiores nomes da filosofia: Sócrates, Platão e Aristóteles.

🔹 Sócrates (469–399 a.C.)

Contexto histórico: Viveu durante a Época Clássica da Grécia, em uma Atenas que passava por crises políticas e guerras, como a Guerra do Peloponeso (431–404 a.C.). Ele questionava os valores tradicionais e incomodava os poderosos, o que levou à sua condenação à morte.

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O filme “Ainda estou aqui” ganha um Óscar: “É a cultura do Brasil que está a ser reconhecida”, in Agência Lusa

O realizador brasileiro Walter Salles, que venceu esta noite o primeiro Óscar de sempre do Brasil com o filme “Ainda Estou Aqui”, considerou que este reconhecimento é para a cultura e o cinema brasileiros, que agora ecoa pelo mundo

O realizador brasileiro Walter Salles, que venceu esta noite o primeiro Óscar de sempre do Brasil com o filme “Ainda Estou Aqui”, considerou que este reconhecimento é para a cultura e o cinema brasileiros, que hoje ecoa pelo mundo.

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¿Por Qué Existe El Universo? El Secreto De Penrose Sobre El Universo

30/12/2024 | La cuestión de si el orden y la complejidad precisos del cosmos apuntan a un creador inteligente o si pueden explicarse mediante procesos naturales ha sido uno de los debates más profundos y persistentes en la cosmología y la filosofía. A lo largo de la historia, grandes pensadores y científicos como Albert Einstein, Roger Penrose, y muchos otros han ofrecido teorías que abordan esta cuestión desde distintas perspectivas.

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A Europa precisa de recuperar o espírito de Helsínquia, José Luís Carneiro, 26-02-2025, in DN

Conferência de Helsínquia significou o relançamento da cooperação e da paz entre o Leste e o Oeste. Em 1975, marcou um quadro de diálogo entre os EUA e a URSS, num conjunto de 35 países e, após o fim da Guerra Fria, deu lugar à OSCE, agora com 57 Estados. Assegurando a paz na Ucrânia, é essencial retomar esse espírito.

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Iman Maleki, “La Mirada”

Iman Maleki es un pintor iraní conocido por su estilo hiperrealista. Su obra “La Mirada” es un ejemplo destacado de su habilidad para capturar detalles increíblemente precisos y emociones profundas en sus retratos. “La Mirada” refleje su característico enfoque en la expresión humana, utilizando técnicas de pintura al óleo que hacen que sus obras parezcan fotografías.

“O Nome da Rosa” de Umberto Eco

No livro “O Nome da Rosa” de Umberto Eco há um trecho muito interessante e que nos faz pensar; trata-se de um dos diálogos entre o abade cego e o investigador William de Baskerville.

– Que almejam verdadeiramente? – pergunta-lhe o abade.

– Eu quero o livro grego, aquele que, segundo vocês, nunca foi escrito – responde Baskerville. – Um livro que só trata de comédia, que odeiam tanto quanto risos. Provavelmente é o único exemplar conservado de um livro de poesia de Aristóteles. Existem muitos livros que tratam de comédia. Por que esse livro é precisamente tão perigoso?

– Porque é de Aristóteles e vai fazer rir! – conclui o abade.

– O que há de perturbador no fato de os homens poderem rir? – replica Baskerville.

– O riso mata o medo, e sem medo não pode haver fé. Aquele que não teme o demônio não precisa mais de Deus – explica-lhe o abade.

De Gaulle adoraria estar vivo agora, por André Abrantes Amaral, in “Observador”, 02-03-2025

A 27 de Janeiro de 1964 a França reconheceu a República Popular da China. A iniciativa valeu a Paris protestos de Washington que Charles de Gaulle recebeu com satisfação. De uma assentada, a França da Segunda Guerra Mundial ficava para trás e a França verdadeira, a França eterna estava de volta. 

Na conferência de imprensa que teve lugar dias depois, de Gaulle explicou ao mundo as suas razões: primeiro, que a China era um grande povo e uma grande civilização que precisava de se integrar no mundo moderno e, em segundo, que a ideologia comunista não apagava as rivalidades entre a Rússia (URSS) e a China. O presidente francês foi o primeiro a ver essa realidade e os EUA precisaram de tempo para assentarem a fúria e, também eles, seguirem Paris e reconhecerem Pequim.

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“O capitalismo entrou há muitos anos naquilo a que chamo ecocriminalidade”, Steven Braekeveldt, entrevistado por Leonídio Paulo Ferreira, in DN, 01-03-2025

Steven Braekeveldt foi oito anos CEO do Grupo Ageas Portugal. Reformado, vive de novo na Bélgica natal e tem-se dedicado à escrita. Numa vinda a Portugal conversou com o DN sobre o estado do mundo.

É belga, cidadão de um dos países fundadores da UE. Como vê o modelo social europeu hoje?

Deveria ser um objetivo dos europeus defendê-lo, mas não é. Podemos facilmente ver que o sistema, não só na Europa, mas em todo o mundo, está a deixar de funcionar. Se olharmos para a Europa, depois da Segunda Guerra Mundial, foi excelente o que se fez. Estávamos a construir um sistema de segurança social para termos pensões, assistência médica, educação. Avançamos para 2025 e o que se vê? Olhemos para Portugal. O serviço nacional de saúde está a quebrar. Como acontece na maioria dos países da Europa, a educação é para poucos felizardos. E a qualidade está a cair. E não há um país que tenha dinheiro para pagar as pensões no futuro.

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Índia oferece um milhão para decifrar escrita, in jornal “O Observador”, 01-03-2025

Um prémio próximo de um milhão de euros para quem conseguir decifrar a escrita da civilização do Vale do rio Indo, que habitou uma área que corresponde atualmente ao noroeste da Índia e ao sul do Paquistão durante a Idade do Bronze. Foi esse o desafio lançado no estado indiano de Tamil Nadu.

“Para incentivar a investigação, o Governo vai oferecer um milhão de dólares”, anunciou o governador do estado, MK Stalin, nas cerimónias do centenário da descoberta desta civilização, em janeiro deste ano.

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OPINIÃO | Não há plano B para Zelensky sem Trump, por Leonídio Paulo Ferreira, in Diário de Notícias, 01-03-2025

É um erro interpretar o que se passou sexta-feira na Casa Branca em simples termos de admiração pela resistência de Volodymyr Zelensky e de indignação pela aversão de Donald Trump ao protocolo diplomático. E se para o presidente ucraniano é reconfortante o apoio de líderes como o britânico Keir Starmer, que entretanto já o recebeu no nº 10 de Downing Street, assim como a solidariedade da maioria dos ucranianos, a prioridade tem de ser manter a relação estratégica com os EUA. 

As mãos na cabeça da embaixadora ucraniana em Washington, Oksana Markarova, à medida que a conversa de Zelensky com Trump e também o vice-presidente JD Vance se transformava num bizarro espetáculo televisivo, não tinha apenas que ver com a quebra do protocolo diplomático, mas também com o desafio de salvar o que pode ser salvo. Por muito que os países europeus, seja o Reino Unido sejam os grandes da UE, proclamem que estarão até ao fim com a defesa da soberania e da integridade territorial ucraniana, não é imaginável um plano B para a Ucrânia que não continue a incluir os EUA.

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“A liberdade”, in Dom Quixote de La Mancha, Miguel de Cervantes

“A liberdade, Sancho, é um dos dons mais preciosos que os céus deram aos homens; com ela não podem igualar-se os tesouros que encerram a terra e o mar: pela liberdade assim como pela honra, pode e deve aventurar-se a vida.”

Dom Quixote de La Mancha

Miguel de Cervantes

Grande Angular – O debate está na praça pública, por António Barreto in “Sorumbático”

Bem ou mal, bem e mal, a questão da imigração está no centro dos debates políticos que vão dominar as próximas eleições, das autárquicas e legislativas, às europeias e presidenciais. Assim como ocupar discussões parlamentares e académicas. Não há por onde fugir e ainda bem. Vão aos poucos desaparecer os que insistem em que “não há problema”, que “é só racismo”, que não passa de uma “moda nacionalista”. Vão-se encolhendo os que garantem que as soluções são simples, tal como “fechar as portas aos imigrantes” ou “abrir as portas aos que querem para cá vir”. Nunca se calarão, mas falarão mais baixo, os que asseguram que os nacionais são virtuosos e os estrangeiros pulhas. Já se percebeu que não faz sentido garantir que os imigrantes sejam todos iguais, legais ou ilegais, estrangeiros ou naturalizados, de primeira ou segunda geração, respeitadores da lei ou criminosos, de cultura e tradição próximas ou absolutamente alheias e distantes das portuguesas. É bom que assim seja. Que se diga tudo. Que haja divergências e acordos. Que se consiga melhorar a legislação e a vida no espaço público. 

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Contra a corrente (11): “Canhões” em vez de “manteiga”, por Vital Moreira

1. Vai por aí, em toda a Europa, uma onda a favor do aumento substancial da despesa militar, que começou por fixar o objetivo de 2% do PIB, mas que agora já vai em mais de 3%, o que em vários países significaria mais do duplicar o seu atual nível, como seria o caso de Portugal, passando de 3 000 milhões, por ano, para 6 400 milhões de euros

Capitaneada pelo Secretário-geral da Nato, esta onda é vigorosamente instigada pelos países do Leste europeu e acompanhada pelos líderes da UE e do Reino Unido, especialmente depois de Trump ter anunciado o abandono pelos EUA do seu papel de escudo da defesa da Europa ocidental, que assumira, no quadro da Nato, desde o início da “guerra fria” entre o ocidente e a então União Soviética.

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CLIMAS E PAISAGENS (1), por A. M. Galopim de Carvalho

As diferentes paisagens da Terra, em qualquer momento da sua história, foram e são, em grande parte, reflexo das características meteorológicas aí prevalecentes. Esta afirmação é evidente para a generalidade dos cidadãos que, embora nunca tenham formulado esta conjectura, têm-na por adquirida. Sem saírem deste nosso rectângulo, no ocidente da Europa, todos relacionam os campos verdejantes do Minho com a maior pluviosidade anual ali verificada (2000 a 2400 mm) e as terras de sequeiro do sudeste alentejano com os menores valores dessa mesma precipitação atmosférica (600 mm). 

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