Marcelo critica messianismos e lembra luta de Soares por primeiro Presidente civil, in LUSA, 14-12-2024. História de Inês Escobar Lima

Lisboa, 14 dez 2024 (Lusa) – O Presidente da República criticou hoje os messianismos e a desvalorização dos partidos e do parlamento e lembrou a luta de Mário Soares pela legitimidade eleitoral que se estendeu até à eleição do primeiro Presidente civil.

Marcelo Rebelo de Sousa discursava na Academia das Ciências de Lisboa, na sessão de lançamento do livro “Mário Soares, 100 Anos”, com fotografias de Alfredo Cunha e Rui Ochoa e textos de Clara Ferreira Alves, que contou com a presença do governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, na primeira fila.

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Entre vontade de viver e vã glória, por Viriato Soromenho Marques, in DN, 14-12-2024

Para quem contemple a vertigem bélica que percorre o mundo, com toda a sua pletórica e nua crueldade, milhares de milhões de vidas arriscam-se na tensão entre duas formas de vontade, identificadas desde a aurora da modernidade: a “vontade de conquistar” (Maquiavel) e a “vontade de viver” (Hobbes). As armas nucleares criaram um clube de países com um poder de destruição inédito na história. A partir do momento em que deixa de existir o monopólio dessa arma, esse poder deve ser obrigatoriamente acompanhado de maior responsabilidade, pois um confronto entre potências nucleares, levado aos limites, implicaria o absurdo de uma guerra só com derrotados: uma destruição mútua assegurada” (MAD) dos contendores, e possivelmente da maioria da espécie humana.

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Assista à conferência do oitavo aniversário do JE “Oito chaves para o Futuro”, Stream em direto. 09/10/2024, com António Horta-Osório

Da Inteligência Artificial à Habitação passando pelo Orçamento, Turismo e desafios da Lusofonia, a conferência que celebra o oitavo aniversário do JE vai proporcionar uma visão para o futuro do país no contexto europeu e mundial. Evento terá lugar na Nova SBE em Carcavelos

Soares e o novo rapto da Europa, por Viriato Soromenho-Marques, in DN, 08-12-2024

Imagino muitas vezes o que Mário Soares pensaria sobre este tempo que nos é dado viver, aparentemente contrário a toda a esperança. Um século depois do seu nascimento, reaprendemos como todas as vidas são incompletas, pois finita é a condição humana, mesmo quando o sonho é grandioso.

Tive oportunidade de testemunhar, o modo como o seu caráter se manteve intacto, apesar da metamorfose do mundo decorrer na direção oposta ao que ele, como socialista e estadista, sempre desejou. Soares possuía as três qualidades fundamentais que Max Weber identificava na vocação política: “paixão, sentido da responsabilidade e capacidade de avaliação”. Mas a dominante era a primeira, a paixão, essa força singular de, mesmo mergulhado em perigosa incerteza, soltar aquele “no entanto!”, começando logo a antecipar uma possibilidade de mudança positiva, em sinais, para os outros, quase invisíveis.

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O negócio da guerra a criar excêntricos todos os dias, por João Oliveira, in DN, 07-12-2024

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, sugeriu o uso de uma fracção dos gastos na Saúde e nas Pensões para o orçamento da Defesa.

Isto não é uma gaffe. O  que foi sugerido foi mesmo o sacrifício das verbas destinadas à Saúde ou às Pensões para aumentar os montantes destinados às despesas militares. E ainda acrescentou que os governos terão de dar explicações se não fizerem tal opção.

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Journal Tribune | Pourquoi je ne suis pas social-démocrate, par Alexis Corbière (Député LFI de Seine-Saint-Denis), 16 novembre 2022 | En accès libre | Tradução no final em Português

Cet article est une tribune, rédigée par un auteur extérieur au journal et dont le point de vue n’engage pas la rédaction.

TRIBUNE. L’interview de François Ruffin dans « l’Obs » crée le débat à gauche. En se qualifiant de « social-démocrate » et en revendiquant la méthode réformiste, l’élu de la Somme propose une nouvelle stratégie pour faire gagner la gauche en 2027. Dans une tribune, Alexis Corbière, député LFI de la Seine-Saint-Denis, lui répond. Pour lui, cette voie n’est qu’« une impasse ».

Mon camarade François Ruffin a accordé à « l’Obs » une riche interview dans laquelle il revendique une nouvelle identité politique, qu’il annonce en disant de lui-même : « Je vais me soc-démiser. » 

Pleine couverture, l’hebdomadaire titre à côté de sa photo : « Je suis social-démocrate. » Et l’ensemble dessine une stratégie qui permettrait, à ses yeux, de l’emporter en 2027. Puisqu’il ouvre un débat, je veux y apporter mes propres arguments, pointer quelques divergences profondes d’analyse et expliquer pourquoi finalement la voie qu’il propose serait une impasse.

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Mário Soares — o extraordinário político prático, por Carlos Matos Gomes, 06-12-2024

Mário Soares desempenhou um papel decisivo na política portuguesa da segunda metade do século XX. Por formação, cultura, carisma, senso, interveio na definição do regime em que vivemos. Desempenhou o papel que escolheu desempenhar e essa é uma demonstração da sua personalidade, apenas está ao alcance dos talentosos. Demonstrou uma qualidade pouco comum: o da coragem histórica. É uma das grandes figuras da nossa História sem ser, nem ter querido ser santo ou herói.  

Um provérbio africano ensina que a cabra come onde está amarrada. A transposição desta sabedoria para a grande política tomou o nome de realpolitik. Que é uma outra forma de designar o pragmatismo.

Mário Soares é o exemplar mais sofisticado do político português pragmático, juntamente com Melo Antunes e o processo político português a partir de 25 de Abril de 1974 desenrolou-se subordinado ao pragmatismo, ao anti-idealismo desses dois homens que perceberam onde a “cabra” estava amarrada, onde tinha que comer e viver e da cerca de onde não podia sair. Ou, na afirmação de Gil Vicente na Farsa de Inês Pereira, representada pela primeira vez no Convento de Cristo em Tomar: Antes quero asno que me leve do que cavalo que me derrube.

Ao ver chegar o 25 de Abril de 1974, Mário Soares, que recebera a herança política da República e vivera as tensões da política do Estado Novo na Guerra Civil de Espanha, da tensão entre as fações pró-Aliados e pró-Eixo na Segunda Guerra, os jogos que levaram os Aliados a preferirem manter Salazar e a ditadura no governo em vez do risco de um regime mais ou menos democrático trazer comunistas para a zona do poder, que assistira à troca dos Açores pela entrada na NATO; o apoio dos Estados Unidos pós Kennedy à guerra colonial, não tinha dúvidas que o novo regime e os novos políticos iriam ser sujeitos a um exame de admissão a um clube reservado a sócios credenciados.

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“Éramos felizes e não sabíamos”, diz Marcelo sobre coabitação com Costa, in “Agência Lusa”

O Presidente da República referiu-se esta quarta-feira aos oito anos de coabitação com o anterior primeiro-ministro, António Costa, como um tempo que, “comparado com o que vinha por aí”, será recordado como de “felicidade relativa”.

Marcelo Rebelo de Sousa falava numa iniciativa do jornal Público sobre literacia mediática, em que manifestou “grande preocupação” com o panorama mediático e declarou que nos seus mandatos tem procurado “agir perante o chamado populismo, pela via popular, sem ultrapassar os limites que separam o popular do populista”. 

A meio da sua intervenção, ao falar das mudanças constantes e da “reconstrução permanente da História”, o chefe de Estado referiu-se ao tempo em que coabitou com António Costa, agora presidente do Conselho Europeu.

“Dizia muitas vezes a um governante com o qual partilhei quase oito anos e meio de experiência inesquecível: um dia reconhecerá que éramos felizes e não sabíamos”, relatou.

“Era tudo relativo, era uma felicidade relativa, mas, comparado com o que vinha por aí, era uma felicidade”, considerou o Presidente da República.

Neste discurso, Marcelo Rebelo de Sousa retomou a ideia de que se está a entrar num novo ciclo “relativamente aos sistemas políticos, económicos, sociais e comunicacionais” e que “a realidade não está racional, está emocional”.

“As novas lideranças são emocionais, as novas formas de comunicação são emocionais, os novos poderes são emocionais, não são racionais”, apontou.

“Que direitos naturais a mais foram adquiridos no 25 de Novembro? Nenhum!”, entrevista a Carlos Matos Gomes por TSF.

A sala onde nos recebe não dá sinais disso, mas no sofá está sentado um dos militares mais condecorados do Exército português. Foi oficial dos Comandos, ferido em combate e fundador do Movimento dos Capitães. Hoje não sabe se ainda é militar. Ouça e leia aqui a Entrevista TSF com Carlos Matos Gomes

Abandonou os Comandos em setembro do Verão Quente e quando o novembro chegou apanhou Carlos Matos Gomes fora do país. No regresso, viu o nome nas paredes e passou à clandestinidade. Entregou-se depois a Ramalho Eanes: “Tratamentos que nos dignificam a todos.” Já não usa o camuflado, mas o porte continua altivo.

Garante que nunca houve em Portugal a intenção de trocar a água-pé pela vodka e não acredita em justificações “para os pobres de espírito e crentes em toda a verdade”. Defende que o que o xadrez jogado em Portugal ultrapassou em muito a dimensão do país. “A Revolução portuguesa introduz como fator de perturbação o surgimento de um Movimento Popular num Estado da NATO.” E desafia os que querem festejar Novembro a indicar uma inovação na sociedade portuguesa “que não estivesse já garantida pelo 25 de Abril”. “Talvez do mercado, do lucro”, admite o coronel na reforma.

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A última batalha pela paz de George F. Kennan, por Viriato Soromenho-Marques, em 30-11-2024

Estamos a viver no perigoso tempo, antecipado como alerta pela inteligência de Kennan. Que poderemos fazer?

A escalada para o abismo em que nos encontramos foi antecipada e combatida por George F. Kennan (1904-2005) há 30 anos. Ele foi o príncipe da diplomacia dos EUA. Culto e poliglota – dominava o alemão, o russo e o português, entre muitas outras línguas -, distinguiu-se por ter lançado as bases da política de Washington face à URSS, no pós-guerra.

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Why Nietzsche Was Right About Everything

16/10/2024 | Get ready for an exhilarating ride! In this video, we’re diving deep into Friedrich Nietzsche’s groundbreaking philosophy of the Overman (Übermensch) and exploring the thrilling concept of self-overcoming. Discover the secrets to becoming your true self and conquering life’s obstacles. We’ll also tackle Nietzsche’s thoughts on Nihilism, uncovering meaning, and striving for greatness beyond societal rules (Beyond Good and Evil). Whether you’re after inspiration or motivation, this adventure will guide you to mastering yourself and achieving the extraordinary. So, gear up to explore the path to the Übermensch and unlock your potential!💡👊

A Índia e a China à margem da conferência dos BRICS, por Carlos Matos Gomes

Um artigo do jornalista António Caeiro, correspondente da Lusa durante longos anos em Pequim, «China — Índia, a hora do degelo», refere o “pormenor” de, pela primeira vez em cinco anos, os líderes da China e da Índia se terem encontrado e que esse encontro ocorreu em Kazan, na Rússia, enterrando o machado de guerra que ensombrava as relações entre os dois países mais populosos do planeta.

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Novembro, in Mural de “Francisco Seixas da Costa”/Facebook, 16 Novembro 2024

Rodrigo de Sousa e Castro, subscritor do Documento dos Nove, foi um dos “vencedores” do 25 de novembro, tal como Vasco Lourenço, presidente da “Associação 25 de Abril”, organização que não vai estar presente na cerimónia que a Assembleia da República vai fazer no próximo dia 25.

Com a indiscutível autoridade que a sua posição em 1975 lhe concede, escreveu no Twitter esta síntese brilhante, que vale a pena ler :

“O VI governo, que vigorou antes (desde setembro de 1975) e após o 25 de novembro até ao I governo constitucional (julho de 1976), tinha elementos do PS, PPD/PSD e PCP e ainda militares e independentes. 

A Constituinte manteve-se exactamente na mesma, antes e depois do 25N. 

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11. Frases Matinais – Citando Charles Bukowski

(Photo by Ulf Andersen/Getty Images)

“A diferença entre uma democracia e uma ditadura consiste em que numa democracia se pode votar antes de obedecer às ordens.” |   Charles Bukowski

“O Inferno são as pessoas.” |  Charles Bukowski

Fonte: https://citacoes.in/autores/charles-bukowski/

Germany’s Scholz urges Putin to end Ukraine war during first call in 2 years, in “politico.eu”

November 15, 2024 3:54 pm CET | By Nette Nöstlinger and Veronika Melkozerova

Volodymyr Zelenskyy had warned the German chancellor that engaging with Russia’s president could be counterproductive, an official in Kyiv told POLITICO.

BERLIN — German Chancellor Olaf Scholz urged Russian President Vladimir Putin in a conversation Friday to “end” his war on Ukraine and to “withdraw troops.”

The conversation, which took place over the phone, lasted for about an hour and constituted the first direct exchange between the two leaders in nearly two years, according to German media reports.

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Associação 25 de Abril recusa convite para sessão solene do 25 de Novembro, por José Pedro Santos, in LUSA, 15-11-2024

Lisboa, 15 nov 2024 (Lusa) – A Associação 25 de Abril recusou o convite do presidente da Assembleia da República para assistir à sessão comemorativa do 25 de Novembro no parlamento por considerar que representa uma “clara deturpação dos acontecimentos vividos” na caminhada do MFA.

“A História não pode ser deturpada. Nós, os principais responsáveis pela consumação do 25 de Abril, com a aprovação da Constituição da República, não o permitiremos!”, salienta-se numa nota da Associação 25 de Abril, com data de quinta-feira, assinada pelo seu presidente, Vasco Lourenço.

Para a associação, a decisão dos deputados de comemorar apenas o 25 de Novembro, além da Revolução dos Cravos, “provoca uma enorme e clara deturpação dos acontecimentos vividos na caminhada para o cumprimento do Programa do MFA”.

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Polónia critica Zelensky por querer envolver outros países na guerra, por Paulo Alves Nogueira, in Lusa, 15-11-2024

O ministro da Defesa Kosiniak-Kamysz disse que, enquanto ministro da Defesa, o limite do apoio à Ucrânia “é a segurança da Polónia”.

Varsóvia, 15 nov 2024 (Lusa) – O ministro da Defesa polaco, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, criticou hoje o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por querer envolver diretamente outros países na guerra com a Rússia.

“Não se pode dizer que a Polónia não esteja a fazer tudo o que pode, a Polónia fez e continua a fazer tudo o que pode”, disse o ministro, em entrevista à TVN24.

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Entre a mentira e o logro, por Carlos Matos Gomes

Uma eleição livre e justa é possível num regime de mentira e de canalhas, de pós-verdade?

Nós, a multidão, passámos estes últimos anos a ser bombardeados com um novo léxico político: “desinformação”, “fakenews”, “nova normalidade”, “intrusão”.

A relação dos seres gregários funda-se na confiança. É assim num formigueiro, numa colmeia, numa alcateia, numa tribo, numa formação militar, num gangue. Na constituição de equipas para operações especiais uma das perguntas aos candidatos era: quem escolhias para te acompanhar na travessia de um rio perigoso? Isto é, em quem confias.

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EDITORIAL – A EUROPA, DO ATLÂNTICO AOS URAIS | CHARLES DE GAULLE, in “A Viagem dos Argonautas”, 26 de Dezembro de 2013

O general De Gaule não era propriamente um progressista, pelo menos na acepção que habitualmente se costuma atribuir à palavra. Contudo, tem de se reconhecer que ele tinha uma visão bastante clara do mundo, e ideias para o futuro.

No que habitualmente se designa por temas sociais, naquelas questões que hoje se designam por fraturantes, provavelmente optaria muitas vezes por posições próximas das assumidas pelos conservadores, mas o facto é que ele, em alturas chave, tomou posições importantes. Basta recordar a sua posição durante a Segunda Guerra Mundial, diametralmente oposta à de Pétain, ou em relação à guerra da Argélia, que condenou sem rebuço. Em relação à Europa, promoveu a reconciliação entre a França e a Alemanha, e preconizou indubitavelmente a aproximação à Rússia, que na altura encabeçava a URSS.

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A lição de Eça sobre a América, por Viriato Soromenho-Marques, 09-11-2024, in DN

Em 1866 fundeava no Tejo o couraçado de duas torres blindadas USS Miantonomah, comandado pelo almirante John Colt Beaumont. A sua missão era a de levar uma mensagem de saudações do presidente Andrew Johnson ao czar Alexandre II. No ano seguinte, os EUA comprariam à Rússia o vasto território do Alasca pela módica quantia de 7,2 milhões de dólares.

Este acontecimento inspirou ao jovem Eça de Queiroz a escrita de um breve artigo, tendo o nome do navio como título, publicado na Gazeta de Portugal, em 2 de dezembro desse ano. São de Eça algumas das mais profundas meditações sobre a América efetuadas em língua portuguesa. Elas foram, para mim, uma espécie de boia salva-vidas na corrente impetuosa de disparates que submergiram os canais televisivos na noite eleitoral da esmagadora vitória de Trump nas eleições norte-americanas.

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Jeffrey Sachs: The Untold History of the Cold War, CIA Coups Around the World, and COVID’s Origin

• Estreou a 28/05/2024 • The Tucker Carlson Show Professor Jeffrey Sachs is the President of the UN Sustainable Development Solutions Network and Director of the Center for Sustainable Development at Columbia University. He is the author of many best selling books, including The End of Poverty and The Ages of Globalization. Here he is with probably the smartest and most accurate assessment of the Ukraine war, and American foreign policy more broadly, ever caught on tape.

Trump não é Kane, mas Trump… | Mural de Miguel Castelo Branco in Facebook, 06-11-2024

Ao acordarmos com a vitória de Trump e ao inteirar-nos da extensão daquela vitória – maioria no voto popular com mais de sete milhões de votos que Kamala, maioria no Senado e maioria na Câmara dos Representantes, maioria na eleição de governadores, maioria em praticamente todos os segmentos da sociedade americana, até entre os muçulmanos, os latinos e os jovens – só nos apetece rever e corrigir o fim de Citizen Kane que terminava com o epitáfio que o jornalista que investigara a ascensão e queda de Kane deixava à laia de epílogo moralista: «foi um homem que possuiu tudo o que quis, e depois perdeu tudo».

Ao contrário de Kane, Trump regressou triunfante e superou tudo o que se lhe opunha, pelo que ultrapassa o roteiro das fitas mais fantasistas. Em política não se aplica a lógica formal. Em política há muitas lógicas e materiais aparentemente irreconciliáveis e incompatíveis, até divergentes e conflitantes que num dado instante convergem e conjugam, pelo que esta espantosa reviravolta verdadeiramente histórica transporta uma mudança profunda que marca o fim de uma era e anuncia o começo de uma nova.

Em política, ao contrário das escrituras, não há ressurreições. Contudo, até nesse aspecto a vitória e o regresso de Trump rompem com as previsões.

Miguel Castelo Branco

A convergência em alternativa ao ódio, por João Oliveira, in DN, 03-11-2024

O discurso que procura virar portugueses contra imigrantes, incitando ao ódio e ao conflito social entre quem partilha, no dia a dia, dificuldades semelhantes, não é um discurso inocente. É o discurso de quem procura impedir a convergência que pode ser construída a partir de soluções comuns para problemas também eles comuns.

Vias seguras e legais para as migrações. Rejeição das discriminações e combate à instrumentalização das migrações pelos grandes interesses económicos. Investimento em condições adequadas de integração social. Respeito pelos direitos sociais e laborais como direitos universais.

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O futuro seria uma boa ideia, por Viriato Soromenho-Marques, in DN, 03-11-2024

O desfecho das eleições nos EUA não irá alterar a colisão das nações do Atlântico Norte com a dureza do destino esculpido pelos seus próprios erros. Em 30 anos, Washington protagonizou todos os pesadelos que as suas maiores figuras históricas consideravam fundamental evitar. Contra os autores de O Federalista (1788) – um dos 10 livros obrigatórios de filosofia política do Ocidente -, a categoria republicana da representação parlamentar, que deveria ser preenchida por um escol, eleito na base da honra e do intelecto, está hoje entregue a gente que faz do Congresso um lugar onde as leis são compradas e vendidas (John Rawls dixit).

Contra F. D. Roosevelt (presidente entre 1933 e 1945), voz infatigável a favor da justiça económica e social como escudo contra o risco de fascismo (que ele temia em caso de regresso à concentração capitalista anterior ao crash de 1929), hoje, nos EUA campeia uma plutocracia obscena que tudo controla, desde a comunicação social ao sistema político, incluindo as eleições (veja-se como Kamala e Trump se encostam ao apoio dos bilionários).

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Grandir, mûrir, vieillir, mourir, le temps passe, c’est prédestiné, inévitable. Simone de Beauvoir

Il n’y a qu’une solution pour que la vieillesse ne soit pas une parodie absurde de notre vie antérieure, c’est de continuer à poursuivre des fins qui donnent un sens à notre existence : le dévouement à des individus, à des groupes ou à des causes, le travail social, politique, intellectuel ou créatif. Dans la vieillesse, nous devons souhaiter avoir encore des passions assez fortes pour nous empêcher de nous replier sur nous-mêmes.

La vie a de la valeur tant que nous en attribuons à la vie des autres, par l’amour, l’amitié, l’indignation, la compassion.

Simone de Beauvoir

Scott Ritter: Russian Forces Break Through—Ukraine Faces Dire Consequences! 31-10-2024

Nesta urgente atualização do campo de batalha, Scott Ritter e o Coronel Douglas Macgregor analisam a escalada da crise na Ucrânia, onde as forças russas avançam incansavelmente em frentes críticas. Com Kupiansk, Selidovo e outras posições orientais sob cerco, as defesas da Ucrânia enfrentam uma pressão crescente, uma vez que a artilharia russa e as tácticas de cerco ameaçam um colapso total. Ritter e Macgregor revelam os graves colapsos logísticos, as perdas surpreendentes e o desmoronar do moral nas fileiras ucranianas.

Irá a Ucrânia resistir a este impulso esmagador ou será a derrota inevitável? Assista agora para descobrir a terrível realidade no terreno e o que isso significa para o futuro do conflito.

Douglas Macgregor: The Kursk Disaster – Ukraine’s Survival Hangs by a Thread!, 28/10/2024

In an intense breakdown, Douglas Macgregor exposes the stark reality of Ukraine’s recent failures on the Kursk front. NATO’s support and Ukraine’s aggressive strategies have led to disaster, pushing Ukraine to the brink of survival. From energy collapses to Black Sea blockades and shattered peace negotiations, the conflict intensifies as Kyiv’s options dwindle. Is Ukraine facing inevitable surrender as Russia closes in? Join us as we dive into this unfolding crisis, revealing the devastating impacts on Ukraine’s future.

O abraço. Cardeal José Tolentino de Mendonça

O abraço é uma longa conversa que acontece sem palavras.

“Diz-se que o nosso corpo tem a forma de um abraço. Talvez por isso a tarefa de abraçar seja tão simples, mesmo quando temos de percorrer um longo caminho. O abraço tem uma incrível força expressiva. Comunica a disponibilidade de entrar em relação com os outros, superando o dualismo, fazendo cair armaduras e motivos, cedendo, nem que seja por instantes, na defesa do espaço individual.

Há uma tipologia vastíssima de abraços, e cada uma delas ensina alguma coisa sobre aquilo que um abraço pode ser: acolhimento e despedida, congratulação e luto, reconciliação e embalo, afeto ou paixão. Os abraços são a arquitetura íntima da vida, o seu desenho invisível, mas absolutamente presente; são plenitude consentida ao desejo e memória que revitaliza. Todos nos reconhecemos aí: em abraços quotidianos e extraordinários, abraços dramáticos ou transparentes, abraços alagados de lágrimas ou em puro júbilo, abraços de próximos ou de distantes, abraços fraternos ou enamorados, abraços repetidos ou, porventura, naquele único e idealizado abraço que nunca chegou a acontecer mas a que voltamos interiormente vezes sem conta.

No princípio era o abraço, se pensarmos no colo que nos nutriu na primeira infância. Essa foi, para a maioria de nós, a primeira e reconfortante forma de comunicação. Mas a necessidade de um abraço acompanha a nossa existência até ao fim.

O abraço é uma longa conversa que acontece sem palavras.

Tudo o que tem de ser dito soletra-se no silêncio, e ocorre isto que é tão precioso e afinal tão raro: sem defesas, um coração coloca-se à escuta de outro coração.

De que tem medo a Europa?, por Bernardo Ivo Cruz, in DN, 28-10-2024

Na semana passada teve lugar uma conferência na Universidade de Coimbra, onde membros dos Governos dos 10 países que aderiram à União Europeia em 2004 celebraram as últimas duas décadas. E as histórias e as memórias destes últimos 20 anos na Europa Central e de Leste são muito semelhantes ao nosso próprio processo de adesão onde, ultrapassando as suas diferenças, o PS de Mário Soares, o PPD de Sá Carneiro e o CDS de Freitas do Amaral, trabalharam juntos para garantir que Portugal estaria alicerçado nas tradições democráticas e de economia social de mercado da Europa Ocidental.

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A Índia e a China à margem da conferência dos BRICS, por Carlos Matos Gomes, 26-10-24

Um artigo do jornalista António Caeiro, correspondente da Lusa durante longos anos em Pequim, «China — Índia, a hora do degelo», refere o “pormenor” de, pela primeira vez em cinco anos, os líderes da China e da Índia se terem encontrado e que esse encontro ocorreu em Kazan, na Rússia, enterrando o machado de guerra que ensombrava as relações entre os dois países mais populosos do planeta.

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À deux semaines de la présidentielle du 5/11, ni Donald Trump, ni Kamala Harris n’ont réussi à creuser des écarts significatifs dans les intentions de vote mesurées par les instituts de sondages, in Ouest-France, 21-10-2024

O casamento é essencialmente uma conversa, segundo Friedrich Nietzsche.

Retirado do Facebook | Mural “SOBRE LITERATURA”

Nietzsche afirmou que o casamento é essencialmente uma conversa, um diálogo que se estende ao longo da vida. Se alguém não está preparado para se engajar nesse diálogo profundo e contínuo, não está preparado para uma relação de longo prazo. O que muitos casais não percebem é que, com o tempo, esgotam todos os assuntos porque deixam de desenvolver suas próprias individualidades.

O segredo de uma conexão duradoura está no crescimento pessoal contínuo. Ao focar no próprio desenvolvimento, cada pessoa se torna um parceiro mais interessante, enriquecendo o diálogo conjugal. No entanto, quando alguém interrompe seu próprio crescimento, mesmo em nome do outro, condena o relacionamento a conviver com frustrações e a queda emocional. Viver ao lado de alguém estagnado gera ressentimento, depressão, e esvazia o sentido do relacionamento.

Essas relações não só precisam ser profundamente repensadas, como também redefinidas, ou correm o risco de perder completamente seu valor.

Foto: James Hollis, A Passagem do Meio

A Paz não pode ser uma língua morta, por Viriato Soromenho-Marques, in DN, 19-10-24

A atribuição do Prémio Nobel da Paz à organização japonesa Nihon Hidankyo revela, por entre o “som e a fúria” que varre o mundo, um Comité Nobel ainda capaz de visar o essencial. Os derradeiros sobreviventes japoneses de Hiroxima e Nagasáqui foram escolhidos, não como tributo retrospetivo, mas por serem os únicos seres humanos que já viveram o inferno para onde toda a Humanidade será empurrada se continuarmos por este caminho abissal.

Há qualquer coisa de justificadamente desesperado neste prémio. Ela consiste numa tentativa de revelar ao auditório mundial, pelas consequências, aquilo que ele não parece conseguir apreender pelo conhecimento das causas. E esse auditório não é a massa dos milhares de milhões de seres humanos para quem a luta diária para sobreviver e cuidar dos filhos já é suficientemente épica. Estou a referir-me aos milhares de decisores – por esse Ocidente fora, sobretudo na velha Europa – sentados, distraidamente, nas cadeiras do poder.

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Olaf Scholz prêt à discuter avec Vladimir Poutine pour mettre un terme à la guerre en Ukraine, in BFMTV

Le chancelier allemand Olaf Scholz a appelé mercredi à “tout faire” pour empêcher la poursuite du conflit en Ukraine, y compris en discutant avec le président russe Vladimir Poutine.

Le chancelier allemand Olaf Scholz est prêt à discuter avec Vladimir Poutine pour mettre un terme à la guerre en Ukraine. Ce mercredi 16 octobre, le dirigeant allemand a déclaré devant les députés du Bundestag que le temps est venu “pour nous de tout faire, en plus de soutenir clairement l’Ukraine, pour trouver un moyen d’empêcher cette guerre de continuer”.

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Hannah Arendt | distinguer la vérité du mensonge

Ce mensonge constant n’a pas pour but de faire croire au peuple un mensonge, mais de s’assurer que plus personne ne croit plus rien.

Un peuple qui ne peut plus distinguer la vérité du mensonge ne peut pas distinguer le bien du mal.

Et un tel peuple, privé du pouvoir de penser et de juger, est, sans le savoir et sans le vouloir, complètement soumis à la règle de mensonges. Avec un tel peuple, tu peux faire ce que tu veux.

Hannah Arendt | (14 octobre 1906 – 4 décembre 1975) historien et philosophe allemand

O “fardo perdido do homem branco”, por Viriato-Soromenho Marques, in DN 12-10-2024

Quando em 1898, R. Kipling publicou o seu famoso poema – The White Man’s burden – exaltando a anexação colonial das Filipinas pelos EUA, a autoconfiança imperial do Ocidente estava no seu auge.

Pelo contrário, a atual deriva de Washington, enredada na perigosa teia de guerras que julgava poder controlar – na Europa e Médio Oriente –, reconduz-nos ao tema, também vetusto, do declínio do Ocidente. Mesmo antes de, após o fim da guerra-fria, a hegemonia unipolar dos EUA ter iniciado o seu errático trajeto de intervencionismo bélico e incompetência estratégica, que nos conduziu à beira do abismo onde nos encontramos hoje, vozes sensatas, como a de Samuel Huntington, denunciavam o perigo da hubris norte-americana e ocidental, dessa arrogância de tentar impor uma cultura unidimensional a um mundo com múltiplas vozes e civilizações.

Em 1996, aconselhava Huntington: “Uma postura prudente para o Ocidente seria não tentar suster a deslocação do poder, mas aprender a navegar em baixios, a suportar tormentas, a moderar as apostas e a preservar a sua cultura”.

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Douglas Macgregor: The US regret starting a war with Putin | The Russia millitary strategy

08-10-2024 | Discover the extraordinary life and career of Colonel Douglas Macgregor, a distinguished military strategist, celebrated author, and highly decorated U.S. Army veteran! 🌍

CONSELHO DE SEGURANÇA DECLARA APOIO TOTAL A GUTERRES, mural de Carlos Fino e DN 

Conselho de Segurança da ONU declara apoio total a Guterres

Todos os membros do Conselho “sublinharam a necessidade de todos os estados membros [da ONU] terem uma relação produtiva e funcional com o secretário-geral e se absterem de qualquer ação que prejudique o seu trabalho e o dos seus serviços”, sem mencionar Israel.

DN/Lusa

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Vamos financiar a russofobia no OE de 2025?, por Viriato Soromenho-Marques, in DN 28-9-24

A União Europeia (UE) não cessa de mostrar sintomas da sua doença incurável. Não só as instituições existentes constituem uma imitação descolorida de um federalismo de contrafação, sem constituição, nem cidadania europeia, como os titulares das mesmas não revelam nem a formação, nem o talento ou a vontade de aprender indispensáveis para o razoável desempenho dos cargos.

Numa altura em que a guerra na Ucrânia parece hesitar entre uma solução coreana – fim das hostilidades nas linhas atuais do campo de batalha, deixando tratado de paz para o futuro -, ou um enfrentamento direto NATO-Rússia, capaz de incendiar grande parte do mundo, o Parlamento Europeu (PE) escolheu esta última opção, ao aprovar no dia 19 uma “Moção conjunta” sobre a continuação “do apoio financeiro e militar à Ucrânia pelos Estados-membros da UE”.

A Moção, grosseiramente russófoba, cheia de exigências aos Estados da UE, é mais brutal do que muitas declarações de guerra registadas pela historiografia.

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‘Ukraine Is Dead’: Trump Roars At ‘Salesman’ Zelensky; Endorses Putin’s Stand On War | Watch

26/09/2024 | #russia#ukraineconflict#putin President Donald Trump described Ukraine in bleak and mournful terms Wednesday, referring to its people as “dead” and the country itself as “demolished.” Trump argued Ukraine should have made concessions to Russian President Vladimir Putin in the months before Russia’s February 2022 attack, declaring that even “the worst deal would’ve been better than what we have now.” Watch.

Conferência de Lisboa junta especialistas a refletir sobre “mundo dividido”, in “Notícias ao Minuto”

“mundo dividido” é o título da 6º Conferência de Lisboa, organizada pelo Clube de Lisboa, que se realizará na Fundação Calouste Gulbenkian, em 10 e 11 de outubro, com especialistas em geopolítica de vários países.

Para o organizador, Fernando Jorge Cardoso, esta conferência é um momento privilegiado para ouvir alguns dos mais reputados especialistas mundiais sobre as grandes questões do momento, desde os desafios da Inteligência Artificial (IA) à rivalidade entre a China e os EUA ou os conflitos no Médio Oriente.

Ao longo dos dois dias, a conferência acolherá painéis sobre “geopolítica dos minerais críticos e da transição energética”, inovação tecnológica, jornalismo em tempo de guerra e os nacionalismos e a globalização.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, estará na sessão de abertura, ao lado de António Feijó, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, e de Francisco Seixas da Costa, presidente do Clube de Lisboa, e o encerramento ficará a cargo do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.

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O grande equívoco, por António Rebelo de Sousa, in DN 22-09-2024

Durante muitos anos considerou-se que a grande linha de fratura existente era entre a direita e a esquerda: a direita neoliberal, seguidora de uma visão mais individualista do comportamento dos cidadãos, e a esquerda, mais socializante e com uma visão mais solidária da sociedade do futuro.

Sucede, todavia, que a situação existente hoje em dia se apresenta diferente: a grande linha de fratura passou a estar entre os adeptos da democracia e da liberdade (independentemente dos vícios e das fragilidades que a democracia apresenta em diversos casos) e os defensores ou meros conciliadores com a autocracia e a ditadura (em muitos casos justificada como solução temporária ou mal menor entre a autocracia de direita e a de esquerda).

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Economia Humana, por Guilherme d’Oliveira Martins, in DN 23-09-2024

Foi Eduard Bernstein (1850-1932) quem melhor leu criticamente a obra de Karl Marx, uma vez que acompanhou diretamente o percurso intelectual do autor alemão, sendo também muito próximo de Friedrich Engels, de quem, aliás, foi testamenteiro. Estudioso dos economistas marginalistas, demonstrou com clareza as limitações da conceção de David Ricardo sobre o valor dos bens, corrigindo a dialética de Hegel, com recusa do determinismo e da ideia do capitalismo como fase transitória, antes de um final comunista. Por outro lado, libertou-se do utopismo de Saint Simon, com a distinção de ociosos e laboriosos, pondo a tónica na afirmação essencial do movimento e não do objetivo. Ou seja, o fundamental seria a ideia de reforma gradual associada ao respeito pela liberdade expressa na legitimidade do voto dos cidadãos e na mediação das instituições.

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JUNTO ÀS PORTAS DO INFERNO … por Viriato Soromenho-Marques, 21-09-2024, in DN

O maior arsenal militar da Rússia, na região de Tver, a cerca de 500km da fronteira da Ucrânia, foi atacado na madrugada de dia 18. Kiev afirma terem sido drones a causa da destruição, mas a hipótese de mísseis de longo alcance e o local do seu lançamento continuam em aberto.

Recordemos a cronologia recente. Dia 13, em São Petersburgo, Putin fez uma declaração inequívoca dirigida aos EUA e à NATO. A permissão a Kiev de atacar alvos na Rússia com mísseis de cruzeiro britânicos Storm Shadow e Scalp franceses, com mísseis balísticos táticos norte-americanos Atacms, ou outros semelhantes, equivaleria a uma declaração de guerra. O uso destes mísseis implica o envolvimento de pessoal da NATO, em especial dos EUA, pois é ele que acede aos protocolos e dados de satélite que permitem não falhar o alvo.

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António Damásio explica por que a mente engloba mais do que apenas o cérebro

O neurocientista Antonio Damásio acredita que a mente não é composta apenas pelo cérebro. É o resultado de uma funcionalidade integrada entre o sistema nervoso e o resto do corpo do organismo.

Eixo da Resistência vs. Poder Hegemônico: como tudo evoluiu desde o início do milênio

12/09/2024 | Como evoluem conflitos eternos? O que os atentados de 11 de setembro têm a ver com a tensão perene no Oriente Médio/Oeste da Asia? E como tudo se interliga com a ascensão do BRICS?

Da Guerra | Carlos Matos Gomes, 15-09-24

Historicamente as guerras terminam ou por rendição – uma das partes entrega-se à outra, ou por acordo. A guerra dos Estados Unidos com a Rússia na Ucrânia tem alguma outra saída? Os Estados Unidos esperam obrigar a Rússia a render-se? E o que pensam fazer depois, atacar a China e obrigá-la a render-se?

E o objetivo dos Estados Unidos é transformar o grande continente que vai dos Urais ao Pacífico numa imensa Gaza?  Os argumentos morais, do género a Ucrânia tem direito a fornecer bases para os Estados Unidos atacarem a Rússia, que é a causa desta guerra, devem responder à questão, ou os Estados Unidos conseguem obrigar a Rússia a render-se, ou têm de estabelecer um acordo. O resto é aspergir lepra com água benta.  É esta a resposta que os cidadãos têm de exigir aos políticos.

Entre o aberrante e a vulgaridade, por Carlos Matos Gomes, 15-09-2024

A relação entre os comentadores públicos europeus e as eleições americanas lembram-me os comentários que numa noite de insónia num hotel em Londres ouvi a propósito de um jogo de cricket. Desconhecia e desconheço as regras do cricket. O meu interesse residia em descobrir o que levava os ingleses a interessarem-se pelo jogo. 

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Scott Ritter: Catastrophic NATO Losses in Ukraine – A Thousand Soldiers Wiped Out!

13/09/2024 | #ScottRitter#UkraineConflict#PoltavaStrike | In this gripping analysis, Scott Ritter, a former military inspector, sheds light on the devastating consequences of Russia’s missile strike in Poltava.

Over 1,000 NATO personnel have been reported dead, with survivors recounting horrific scenes of destruction and chaos. Ritter delves into the implications of this unprecedented attack, which has left NATO reeling and exposed the vulnerability of foreign forces operating in Ukraine. As casualties continue to rise, Ritter’s predictions about NATO’s overreach in Ukraine are coming true in the most tragic of ways.

QUEM TEM MEDO DE SARA WAGENKNECHT?, por Viriato Soromenho-Marques – DN 7-9-24

Sahra-Wagenknecht-wikipedia

As recentes eleições nos estados alemães da Saxónia e da Turíngia têm três leituras imediatas: a queda catastrófica dos partidos que integram o Governo Federal (SPD, Verdes e Liberais); o crescimento da extrema-direita (AfD); o sucesso da nova esquerda alemã obtido pelo terceiro partido mais votado, que assumiu o nome da sua líder: Aliança Sahra Wagenknecht – Razão e Justiça (BSW). A perda de credibilidade do Governo é tanta que a soma dos votos dos partidos que o suportam é praticamente igual à do BSW na Saxónia (cerca de 12%), e bastante inferior na Turíngia (9,3% contra 15,8%). França e Alemanha tornaram-se sociedades clivadas com Governos de legitimidade residual.

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Brasil e Portugal: uma parceria que o passado uniu e o presente reuniu, por Raimundo Carreiro Silva, in DN, 03-09-2024

Há 202 anos, no dia 7 de setembro de 1822, o Brasil nascia como nação independente pelas mãos de ninguém menos que Dom Pedro, herdeiro do trono de Portugal. O príncipe português chegara ao Brasil em 1808, juntamente com a família real, transferida ao Rio de Janeiro na esteira das Guerras Napoleónicas na Europa. Em 1821, com o retorno de D. João VI a Lisboa, coube a Dom Pedro, já na qualidade de príncipe-regente, a missão de administrar o Brasil.

O que se deu na sequência, no entanto, seguiu roteiro distinto: precipitaram-se os acontecimentos e D. Pedro proclamou a Independência, tornando-se imperador do Brasil, com o nome de D. Pedro I.

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Portugal no espelho do terramoto, por Viriato Soromenho-Marques, in DN, 31-08-2024

Todos os sismos em Portugal evocam o Terramoto de 1755. A reconstrução de Lisboa expõe a ação excecional daquele que seria imortalizado como Marquês de Pombal. A recente discussão sobre a ausência de legislação e fiscalização adequadas para prevenir o pior, quando se repetir um megassismo em Lisboa, ajuda a perceber o motivo por que uma tão grande parte da elite nacional recusa, alergicamente, estudar o legado da ação política de Pombal.

É impossível resumir o que fez Sebastião José pelo país nos 22 anos como Secretário de Estado dos Negócios Interiores do Reino, o equivalente atual ao cargo de primeiro-ministro (1755-1777). Já nem menciono o percurso anterior como diplomata e Secretário dos Negócios Estrangeiros e da Guerra (1738-1755). Mas a sua liderança na reconstrução de Lisboa manifesta o seu estilo singular de governação, grandioso na luz, excessivo na sombra.

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O modo ocidental de guerra – possuir a narrativa supera a realidade, Alastair Crooke • 26 de agosto de 2024 • 1.300 palavras •

Retirado do Facebook | Mural de Piedade Palma Nunes

O equipamento alemão visível em Kursk levantou velhos fantasmas e consolidou a consciência das intenções ocidentais hostis em relação à Rússia. “Nunca mais” é a resposta tácita.

A propaganda de guerra e a finta são tão antigas quanto as colinas. Nada de novo. Mas o que é novo é que a guerra de informação não é mais o complemento de objetivos de guerra mais amplos – mas se tornou um fim em si mesmo.

O Ocidente passou a ver “possuir” a narrativa vencedora – e apresentar o Outro como desajeitado, dissonante e extremista – como sendo mais importante do que enfrentar os factos no terreno. Possuir a narrativa vencedora é vencer, nessa visão. A “vitória” virtual, portanto, supera a realidade “real”.

Assim, a guerra se torna o cenário para impor o alinhamento ideológico em uma ampla aliança global e aplicá-lo por meio de uma mídia complacente.

Este objetivo goza de uma prioridade maior do que, digamos, garantir uma capacidade de fabricação suficiente para sustentar objetivos militares. A elaboração de uma “realidade” imaginada tem precedência sobre a formação da realidade básica.

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PÚTIN E O PENSAMENTO ÚNICO, por Miguel Sousa Tavares in Expresso, 2 de julho de 2023  

Vi uma reportagem de um canal de televisão americano passada recentemente na SIC e intitulada “Como Putin enganou cinco Presidentes americanos”.

Era um tipo de trabalho jornalístico-político clássico da TV americana — parte-se de uma tese que se quer “provar” e vai-se procurar cuidadosamente “testemunhos” que a demonstrem: o secretário de Estado Antony Blinken, antigos embaixadores americanos na ONU, na NATO ou em Moscovo, jornalistas da estação.

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Eleições Parlamentares | 10-03-2024

21h 03m | Creio que os dados neste momento divulgados trazem uma enorme responsabilidade aos Partidos Social-Democrata e Socialista. Talvez seja a altura de ambos não olharem apenas para os seus umbigos, mas sim para as aspirações  do País e do Povo Português … Se ambos teoricamente se regem pela Social-Democracia, é o tempo certo para a implementarem em profundidade, com uma forte aposta no “estado social”… 

Acredito que a grande maioria do Povo Português ficaria radiante 🙂 🙂 🙂 Oh! se ficaria !!!

VAI HAVER GUERRA? | Francisco Seixas da Costa, in Facebook, 09-08-2024

Há já uns meses, um amigo, pessoa com educação universitária de nível internacional e com fortes ligações pelo mundo, mundo exterior esse onde vivem os seus filhos, telefonou-me e, de chofre, fez-me esta pergunta terrível: “Achas que vai haver uma guerra?”

Fiquei surpreendido com a questão. Se ela tivesse surgido no intervalo dos concertos na Gulbenkian, onde eu e ele nos vamos encontrando com regularidade, em fins de tarde que nos amainam o espírito, seria normal. Contudo, ser essa pergunta o único objetivo de uma chamada telefónica era coisa bem diferente: traduzia a respeitável angústia que atravessava esse amigo e, no que me dizia respeito, demonstrava alguma confiança no meu juízo, a que eu não podia ser indiferente.

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Quando o óbvio não é óbvio, Major General Carlos Branco

A mudança na linguagem de Zelensky sobre conversações com Moscovo não é genuína, é um fingimento, um gesto de simpatia para aliviar a pressão a que começa a ser sujeito.

Apesar das reticências em o admitir, tanto por Kiev como pelas chancelarias europeias, a guerra na Ucrânia só terminará quando Kiev mostrar disponibilidade para entrar em conversações com Moscovo, aceitar fazer concessões territoriais e adotar um estatuto de neutralidade estratégica semelhante àquele promovido pelo presidente Yanukovych, em 2010, uma inevitabilidade que começa aparentemente a fazer caminho e a impor-se. Mas será mesmo assim?

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Apresentação de um livro de Maria Luísa Ribeiro Ferreira – Sobre Espinosa – 1

07/12/2013 | Apresentação do livro de Maria Luísa Ribeiro Ferreira “Uma Meditação de Vida, Em diálogo com Espinosa”. Abertura da sessão: Pedro Calafate. Apresentação: Viriato Soromenho-Marques. Na livraria Bulhosa – 04/12/2013.

Quem manda na Casa Branca?, por Viriato- Soromenho Marques, 03-08-2024

A acelerada e visível degradação do sistema político de Washington só pode causar preocupação, sobretudo para quem conheça, sem ficar preso a preconceitos, a história constitucional dos EUA, e a sua contribuição para o republicanismo e federalismo modernos à escala global. 

Assim como no passado o papel dos EUA foi decisivo para resolver crises tão avassaladoras como as duas Guerras Mundiais, hoje, a autofagia que reina nas instituições dos EUA pode contribuir para precipitar um conflito de proporções inauditas, num prazo de meses ou anos. Vejamos dois aspetos-chave da atual crise política.

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Da Mãe Rússia | Putin acaba de revelar Novo Míssil Hipersônico DEVASTADOR que deixou o Mundo ESTUPEFACTO!

03/08/2024 | Putin Acaba de Revelar Novo Míssil Hipersônico DEVASTADOR que Deixou o Mundo ESTUPEFACTO! No vídeo de hoje, mergulhamos fundo no lançamento de um novo míssil hipersônico pelo presidente russo Vladimir Putin, que deixou a audiência global em choque. Essa arma sofisticada, superando velocidades de Mach 5, marca um avanço tecnológico significativo na guerra moderna. Exploraremos as especificações técnicas, implicações estratégicas e reações internacionais a essa inovação militar. O que isso significa para a paz e a estabilidade global? Fique conosco enquanto trazemos especialistas para analisar as possíveis mudanças nas dinâmicas de poder internacional e estratégias de defesa. Inscreva-se para mais atualizações sobre como a tecnologia transforma a guerra e afeta a política global.

Nigel Farage claims West ‘provoked’ Russia’s invasion of Ukraine

21/06/2024 | Nigel Farage afirmou que o Ocidente “provocou” a Rússia para a sua invasão mortal da Ucrânia há dois anos. O líder reformista do Reino Unido disse que a expansão da União Europeia, bem como da NATO, proporcionou a Vladimir Putin uma “desculpa”. Os seus comentários incendiários foram feitos numa entrevista televisiva de grande visibilidade, menos de duas semanas antes dos eleitores irem às urnas. É provável que provoquem uma reacção furiosa por parte de políticos de todo o espectro, que têm apoiado a Ucrânia nas suas tentativas de combater os russos.

Governo diz estar empenhado em que emigrantes regressem ao país, DN/Lusa

“Espero sinceramente que todos olhem para o nosso país e, mesmo do lado de fora, sintam vontade de cá vir nas férias, mas, se possível, sintam vontade de retornar”, afirmou o primeiro-ministro na quinta-feira à noite, durante o discurso de abertura da 632.ª edição da Feira de São Mateus, em Viseu.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse aos emigrantes portugueses que “vale a pena a acreditar em Portugal” e garantiu que o Governo está empenhado em que regressem ao país.

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É preciso mais dinheiro para dar casa às famílias portuguesas, Álvaro Araújo, Presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António

É preciso encontrar forma de financiar todas as casas que são necessárias para dar resposta às 90 mil famílias em condições habitacionais indignas. Espera-se noção das prioridades e coragem por parte do Governo.

Aqueles que leem estas linhas dispõem, muito provavelmente, de uma casa que satisfaz as suas necessidades. Talvez por isso não tenham efetiva consciência de que muitos não têm uma casa digna desse nome.

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Emmanuel TODD : “Il faut arrêter les mensonges sur POUTINE”

O antropólogo e ensaísta francês Emmanuel Todd publica “A Derrota do Ocidente” (edições Gallimard). A oportunidade de analisar os riscos de um conflito entre a NATO e a Rússia e as suas implicações para o equilíbrio do mundo, enquanto o Médio Oriente, por sua vez, foi incendiado.

Paris 2024: Mais uns Jogos Olímpicos do Fim de uma Era, por Carlos Matos Gomes

Os Jogos Olímpicos de Paris 2024 são um acontecimento típico dos tempos que antecipam a conhecida “armadilha de Tucídides” que os dirigentes europeus deviam conhecer e lhes devia servir de orientação, se fossem cultos e sensatos, e se a História não fosse uma prova de que em situações de crise a humanidade escolhe ser dirigida pelos mais grotescos dos seus exemplares, os que fecham os olhos e investem contra o que lhes surge entre a sua ambição e a parede onde vêm o inimigo, mais uma prova de que a racionalidade é um bem descartável, sempre à mercê da arrogância e da ambição.

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Lições esquecidas | As duas primeiras regras da guerra | Marechal Montgomery

“Para chegar a uma decisão sobre esse assunto, primeiro precisamos ter clareza sobre certas regras da guerra. A regra nº1, (a estampar) na 1ª página do Livro da Guerra, é esta: “Não marche sobre Moscovo”. Vários o tentaram antes, (designadamente) Napoleão e Hitler, e nada de bom daí resultou. Essa é a primeira regra. Não sei se vossas excelências conhecerão a regra nº2 da guerra. Ela dita: “Não vá lutar com seus exércitos terrestres na China”. É um país vasto, sem objetivos claramente definidos, e um exército lutando lá seria engolido pelo que é conhecido como Ming Bing, o povo em revolta.”

Marechal Montgomery, no Parlamento britânico, em 1962

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

Os franceses são uma inspiração, por Miguel Esteves Cardoso, in Público 28 julho 2024

Os franceses são uma inspiração.
O que é um bocadinho de chuva, quando se trata de mostrar ao mundo a cidade mais maravilhosa que o mundo já viu?

https://www.publico.pt/2024/07/28/opiniao/opiniao/franceses-sao-inspiracao-2099037


A solidão alemã | Teresa de Sousa, in Público

28 julho 2024 | Tal como a generalidade dos seus parceiros europeus, a Alemanha não está imune a uma fragmentação política a que não estava habituada. A paralisia política em Berlim contamina Bruxelas.

1. Olaf Scholz confessava em público, há dois dias e com um largo sorriso nos lábios, a sua convicção de que Kamala Harris pode vencer as eleições americanas de Novembro. De algum modo, o chanceler alemão traduzia o alívio sentido na maioria das capitais europeias com a vertiginosa evolução dos termos em que as eleições presidenciais americanas vão decorrer.

Os europeus viviam o pesadelo de ver Donald Trump cada vez mais próximo da Casa Branca, em circunstâncias europeias e mundiais ainda mais dramáticas do que as que viveram no seu primeiro mandato. A guerra está de regresso ao velho continente, com uma nova-velha ameaça permanente à sua própria segurança. Um mundo mergulhou em profunda turbulência para a qual não se quis preparar a tempo. Internamente, o regresso de uma direita nacionalista e populista, mais ou menos amiga de Trump e de Putin, ameaça a sua própria coesão.

https://www.publico.pt/2024/07/28/opiniao/opiniao/solidao-alema-2099032

Etologia europeia | Viriato Soromenho-Marques, in DN 26-07-2024

Em tempos que parecem hoje quase lendários, por tão distantes e estranhos ao estado presente das coisas, a UE aparentava ter a visão de um desígnio estratégico comum. Promessas de paz, sustentabilidade, cooperação internacional davam-lhe rosto próprio.

Sobre isso se derramou muita tinta nas páginas de revistas de ciência política e relações internacionais. Será que o euro iria disputar a hegemonia global do dólar? Será que a condenação aberta, em 2003, por parte da França de Chirac e da Alemanha de Schröder, da ilegal, injustificada e sangrenta invasão norte-americana do Iraque, poderia prenunciar uma autonomia crescente da UE no seio de um mutável sistema internacional? Será que a proximidade entre Alemanha e Rússia, em matéria energética, poderia ser o embrião da formação do temível titã geopolítico, do Atlântico ao Pacífico, pensado pelos estrategistas Mackinder e Haushofer, e que nunca sai dos pesadelos anglo-saxónicos?

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“Lamento de uma América em Ruínas. Memórias de uma família e de uma sociedade em crise”, da D. Quixote, Autor J. D. VANCE, por José Manuel Correia Pinto

No Verão de 2017 encontrei este livro nas bancas do Continente da Guia. Folheei-o, li umas coisas e achei que poderia ter interesse. Nem sequer era caro. Custava 14€ e qualquer coisa. Li-o num fôlego. Era um retrato cru, implacável de uma classe média branca do Ohio, oriunda dos estados mais a sul (Kentucky), tradicionais fornecedores de trabalhadores destinados à indústria automóvel dos estados dos lagos, uma classe média que o neoliberalismo, com tudo o que lhe está associado, condenou à miséria moral e à pobreza.

Nunca tinha ouvido falar do Autor, nem ele era conhecido fora de certos círculos restritos. Não era de esquerda, nem ele nunca como tal se assumiu. Mas descreveu-me aquela miséria moral da sociedade americana, aquela desestruturação da família, e a pobreza de quem não tem emprego e se refugia no álcool, noutros vícios e até na violência com um realismo tão cruel e sem futuro que me fez lembrar outros romances americanos da grande depressão. Com a diferença de que este não é um romance. É um lamento ou um requiem por uma América em ruínas.

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