Deus e Tolentino | Feliz Natal | Luís Osório

  1. O Cardeal Tolentino de Mendonça, reclinado perante o Papa Francisco, perguntou-lhe: “Santo Padre, o que me fez”. Naquele momento em que o Papa, na Basílica de São Pedro, cumprimentava cada um dos 13 novos cardeais, o bibliotecário do Vaticano sentiu o tempo parar. Francisco respondeu que ele era a poesia. E seguiu. Já passaram dois anos, o tempo infelizmente não trava como nos momentos de grande jubilo interior, continua sempre.

2. O Cardeal Tolentino de Mendonça, o rapaz pobre de Machico, filho de um pescador, continua e escrever poemas. E a ser um habitante do silêncio… apesar de toda a balbúrdia, de todo o chinfrim do mundo, ele continua a ser a criança que atravessa o mundo.

Conhecem o meu poema preferido entre todos os que escreveu?

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HONRA OS TEUS VELHOS | Cardeal José Tolentino de Mendonça | in Jornal Expresso

Um facto ao qual não nos deveríamos habituar é este: que na informação sobre as vítimas da pandemia venha associada a sua idade e a indicação de que eram afetados por outras patologias. Não nos damos conta, mas com isso descemos, de forma irreversível, alguns degraus daquele precioso património comum a que chamamos civilização. Não discuto que a intenção possa ser virtuosa, pois supostamente visa serenar os outros segmentos da população. Mas certas serenidades induzidas têm de ser questionadas, sobretudo se reforçam a vulnerabilidade de quem já tem de suportar tanto. É fundamental que para as nossas sociedades seja claro que há coisas piores do que a infeção com o vírus da covid-19. Se os velhos são reduzidos a números, e a números com escassa relevância humana e social, podemos até superar airosamente a crise sanitária, mas sairemos diminuídos como comunidade. Rodarão as estações. A esta primavera suceder-se-á outra, porventura, mais risonha, distendida e ampla. Mas nunca mais respiraremos da mesma maneira.

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