NANA MOUSKOURI “LIBERTAD” | from Verdi’s Nabucco

1 – Con 85 años … no me doy cuenta y la tatareo de cuando en cuando. Así me caló de hondo. Gracias, Nina. (@palleter1936)

2 – Cuando imagino un coro de angeles, instantaneamente surge la voz de Nana. Un registro inconfundible, dulce, amoroso que transforma la realidad y transporta al ensueño que uno quiera. Mi preferida. (@jorgearturoolrgo)

3 – NANA MOUSKOURI !!! Su voz angelical llega al alma en cualquier idioma. Nos hermana a todos los seres de este planeta. Porque sólo con AMOR se llega al alma del resto de los seres humanos !!! Bravo NANA !!! (@zubernormabestrizfca)

4 – Impossível de ouvir sem lágrimas nos olhos (vcs)

Partido SA | autor: Carlos Matos Gomes

Após as Eleições o que nos resta de Poder? O que torna democrática a representação política? O voto é a arma do Povo ou uma arma para legitimar o poder dos poderosos? Quem elegemos e como elegemos?

O direito ao voto pode originar uma democracia representativa, mas esta não é necessariamente uma democracia eleitoral. As campanhas eleitorais pretendem fazer crer que sim. O caso do derrube o anterior governo demonstra a diferença: os cidadãos que votaram nas anteriores eleições e elegeram os seus representantes — os deputados da Assembleia — para um mandato de quatro anos viram o seu voto ser “anulado” pela utilização de meios formalmente legítimos por parte de instituições de outra entidade, o Estado. O resultado das eleições, em particular o volume de votos atribuídos a um Partido “SAD”, para utilizar uma imagem vinda do futebol, tal como o líder do Chega, expõe a fragilidade da representação como trave mestra de um regime democrático.

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Spinoza : la droite manière de vivre | Parole de philosophe

Comment mettre en pratique les principes de vie que nous enseigne Spinoza ? À la fin de la 4ème partie de L’Éthique, Spinoza a écrit un résumé simplifié de sa philosophie, une sorte de manuel facile à mémoriser, afin que chacun puisse l’utiliser dans sa vie quotidienne. C’est ce précis de philosophie spinoziste que nous allons étudier dans cet épisode.

Spinoza : qui est Dieu? | Parole de philosophe

Nous poursuivons notre étude complète de la philosophie de Spinoza avec la question : “Qui est Dieu ?”. Dans la 1ère partie de L’Éthique, Spinoza propose une conception de Dieu radicalement différente de celle que nous en avons traditionnellement. Cette conception de Dieu, souvent réputée comme la partie plus complexe de la pensée de Spinoza, est ici expliquée simplement.

Sessão de lançamento do livro “Como Sobreviver depois da Morte”, de André Canhoto Costa

A Quetzal Editores e a FNAC Portugal têm a honra de o/a convidar para a sessão de lançamento do livro Como Sobreviver depois da Morte, de André Canhoto Costa, que decorre na quarta-feira, 20 de março, às 18h30, na FNAC Chiado, em Lisboa.  Com apresentação de Francisco José Viegas.

Há muito tempo que, na ficção portuguesa, não havia um romance tão surreal, cheio de magia, fantasia e domínio da história como o que André Canhoto Costa traz na estreia como autor Quetzal. 

L’UNIVERS EST-IL BEAU PAR HASARD ? Ideas in Science | Par David Elbaz, astrophysicien au CEA

Conférence : L’univers est-il beau par hasard ?

Samedi 3 juillet 2021, 14h30 – 15h15 — Amphi Jean-Fourastié “L’univers n’est pas obligé d’être beau, et pourtant il est beau.

La beauté reste un mystère. Après tout, l’univers pourrait n’être que vrai.” a écrit François Cheng. Comment l’univers a-t-il engendré les formes des galaxies, des étoiles et des planètes ? Étrange hasard dans un monde dont on dit qu’il tend vers toujours plus de désordre. En y regardant de plus près, on s’aperçoit que l’émergence de la complexité et de l’unicité des formes, donc de la beauté, est une conséquence naturelle, universelle, et même fatale des lois de la physique. Derrière l’éternel combat entre universalité et particularité se cachent des composantes invisibles, des liens entre les étoiles et les galaxies que l’on découvre à peine aujourd’hui et qui semblent détenir une part du secret de l’émergence de la beauté. Les astronomes ne disposent que de quelques particules de lumière pour dévoiler ces liens invisibles, mais il n’est de forme qui ne soit née sans générer de la lumière dans un univers qui tend vers toujours plus de lumière.

David Elbaz est co-auteur de Pourquoi moi ? Le hasard dans tous ses états, paru aux éditions Belin https://www.belin-editeur.com/pourquo… David Elbaz a tout récemment publié chez Odile Jacob l’ouvrage ” La plus belle ruse de la lumière Et si l’univers avait un sens…” https://www.odilejacob.fr/catalogue/s…

10 IDEIAS SOBRE AS LEGISLATIVAS | por Miguel Carvalho, jornalista | in Facebook

Não conheço Miguel Carvalho. Mas li e penso valer a pena reflectir sobre o que este senhor escreve. Pensar um Povo e um País talvez comece por se reflectir em voz bem “sonora”. (Vítor C. da Silva)

1 – Quem me conhece sabe que ando, no mínimo há dois anos, a dizer a frase que Pedro Nuno Santos proferiu esta noite, (exceptuando a percentagem, claro, pois não seria bruxo para adivinhar): não há tantos racistas e xenófobos em Portugal como se pretende fazer crer. Mas o que fez a esquerda para perceber a potencial base eleitoral do Chega e o seu crescimento? Zero. O Chega cresce à custa das mentiras, enganos e sonhos por cumprir que só responsabilizam PS, PSD e, em parte, o CDS. Mas também cresce porque há uma esquerda que julga que lhe basta ter uma agenda e imensas certezas sobre um povo que, como se nota, não conhece de todo. Nem escuta de verdade.

Pedro Nuno Santos e Rui Tavares parecem ter sido os únicos a perceber, ainda que tarde, que há um trabalho que a esquerda tem de fazer (além de renovar-se, claro): falar com os eleitores, ouvi-los, mostrar que as ideias, mesmo quando são muito boas, também se explicam e podem demorar a convenver quem acumula muitos desencantos, de muitos anos, por esse País fora. Há um quotidiano devastador, no País rural e suburbano, que precisa de ser vivido e percebido, e para os quais não chega uma resposta “pronto-a-vestir”. Uma esquerda que só tem agenda e acha que não deve discuti-la terra a terra serve para pouco ou nada.

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Jacques Baud : L’Europe en panique | Max Milo Éditions | 07/03/2024

Pourquoi l’Ukraine est en train de perdre la guerre contre la Russie ? Comment les deux camps pensent et mènent leurs opérations ? Quelles ont été les erreurs de part et d’autre ? Comment l’Occident a contribué à la défaite ukrainienne ?…

Pour répondre à ces questions et à bien d’autres, Jacques Baud s’appuie sur des informations officielles, des documents américains, occidentaux et russes. Il explique la manière dont la Russie comprend et conduit la guerre. Il montre combien l’incapacité des Occidentaux à comprendre cette réalité et leur détermination à affaiblir la Russie s’est retournée contre l’Ukraine. Après les best-sellers Poutine, le maître du jeu ?, Opération Z et Ukraine entre guerre et paix dont le travail d’analyse a été salué dans le monde entier et dont les ouvrages ont été traduits dans plusieurs pays, l’auteur revient sur la guerre en Ukraine. Il expose la manière dont la Russie l’a menée et comment l’image qu’en ont donné les Occidentaux a conduit l’Ukraine vers l’échec.

NA HORA MAIS PERIGOSA | Viriato Soromenho-Marques/DN

O mundo está cada vez mais sombrio. Uma guerra na Europa há mais de dois anos. Em Gaza, a banalização do genocídio. Netanyahu é hoje o mais poderoso e inimputável carniceiro do planeta. Ele exibe, com visível prazer, o total domínio sobre Biden, e o conformismo colaborante da UE, através da desastrada Ursula von der Leyen. 

Podem as coisas bater ainda mais no fundo? Sim. Numa dezena de dias, dois acontecimentos envolvendo Berlim e Paris – o duplo “motor da construção europeia”, como se dizia nos tempos de ilusão – concorreram para uma eventual escalada bélica.

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Na Europa, discute-se dinheiro para a Defesa do Continente Europeu | Clara Ferreira Alves

Na Europa, discute-se dinheiro para a Defesa do Continente Europeu baseado nesse sofisma da invasão da Europa pela Rússia, mas o que se discute é quanto dinheiro cada potência europeia espera ganhar com uma nova indústria de Defesa e com a cópia do modelo industrial militar americano que tanta prosperidade e guerras perdidas trouxe aos nossos aliados do outro lado do Atlântico.

Clara Ferreira Alves, in Jornal Expresso 08-03-2024

O aviso é do antigo ministro da Economia português Álvaro Santos Pereira | “Portugal está de parabéns”, mas “é importante manter a prudência fiscal” | Notícias ao Minuto, 05-03-24

“Álvaro Santos Pereira é um importante economista que foi ministro da Economia e Emprego de Portugal entre 2011 e 2013 [no XIX Governo Constitucional liderado pelo social-democrata Pedro Passos Coelho], sendo responsável pelas áreas da Indústria, Comércio e Serviços, Turismo, Energia e Obras Públicas, Transportes e Emprego”, descreve a instituição.

O antigo ministro da Economia português Álvaro Santos Pereira e agora nomeado para economista-chefe da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) felicitou Portugal pelo trabalho desenvolvido no campo económico, mas alertou que a prudência fiscal deve manter-se. 

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O contrabando no Brasil no século XVIII | Ernst Pijning, historiador holandês | por Adelto Gonçalves

Tese de doutoramento de 1997 do historiador holandês Ernst Pijning ainda aguarda sua publicação no Brasil

                                                             I
               Tradicionalmente, faz-se resenha de livro impresso lançado recentemente, mas o que o leitor vai encontrar aqui é uma recensão de tese de doutoramento defendida em 1997 na Johns Hopkins University, de Baltimore, Maryland/EUA, que, passadas quase três décadas, incompreensivelmente, ainda não despertou o interesse de nenhuma editora brasileira ou portuguesa, apesar de sua excepcional importância para a história do Brasil colonial e de Portugal. Tem como título Controlling Contraband: < i>Mentality, Economy and Society in EighteenthCentury Rio de Janeiro (Contrabando: Mentalidade, Economia e Sociedade no Século XVIII no Rio de Janeiro) e seu autor é o historiador holandês Ernst Pijning (1963), professor titular de História da Minot  State University, de Dakota do Norte/EUA, desde 1999.
               O tema de suas pesquisas é o comércio de contrabando no Brasil colonial e suas relações com Portugal e os Países Baixos (Holanda), especialmente no período que vai de 1690 a 1808.

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A arte e as fábulas | in Alta Cultura, Facebook

Título: “A albarda” | Autor: Pierre Subleyras | Realização: 1730 | Localização: Museu Hermitage, São Petersburgo | #pag.altacultura, in Facebook

O grande literato Jean de la Fontaine escreveu uma fábula sobre um pintor muito ciumento que suspeitava que a sua esposa lhe era infiel.

Para impedir que a sua esposa tivesse relações com outro homem na sua ausência, pintava-lhe um burro debaixo do seu umbigo, desta forma, se lhe fosse infiel, o burro seria apagado e o engano seria descoberto. Certamente, sua esposa o traiu, o que o marido não contava é que o amante também era pintor e além disso, estava tão confiante no seu talento que, a esposa e ele fizeram amor, pois tinha certeza que seria capaz de copiar perfeitamente o jumento que tinha pintado o marido.

Quando terminam, o pintor começa a pintar um burro na barriga da esposa, entusiasmado com a sua obra, pinta ao burro uma albarda (mochila que carregam ao burros de carga) Quando o marido chega, descobre o engano, pois ele não tinha pintado nenhuma albarda  no burro…

Moral? Talvez… Se copiarmos seremos descobertos ou talvez a vontade de superar o próximo possa nos prejudicar… Excesso de criatividade, talvez? Tire suas próprias conclusões! 

Eleições Parlamentares | 10-03-2024

21h 03m | Creio que os dados neste momento divulgados trazem uma enorme responsabilidade aos Partidos Social-Democrata e Socialista. Talvez seja a altura de ambos não olharem apenas para os seus umbigos, mas sim para as aspirações  do País e do Povo Português Se ambos teoricamente se regem pela Social-Democracia, é o tempo certo para a implementarem em profundidade, com uma forte aposta no “estado social”… Acredito que a grande maioria do Povo Português ficaria radiante.

Crematório Frio – Memória do Território de Auschwitz de József Debreczeni | Com prefácio de Irene Flunser Pimentel e chancela Temas e Debates

«Acredito que algures na Europa Oriental, junto a uma floresta verdejante, ao longo de um talude ferroviário, ocorreu uma extraordinária metamorfose. Foi aí que as pessoas deste comboio infernal fortemente trancado foram transformadas em animais. Do mesmo modo que todas as outras – as centenas de milhares de pessoas que a loucura arrancara a quinze países e levara para fábricas de morte e câmaras de gás.»

Quando teve conhecimento de que a Hungria iniciara negociações na Itália e na Turquia com os Aliados ocidentais para assinar uma paz separada, Hitler tomou a decisão de ocupar o país até então seu aliado. A 19 de março de 1944, o SS-Obersturmbannführer Adolf Eichmann e o seu Sondereinsatzkommando chegavam a Budapeste para organizar o terrível plano de deportação do último grande grupo de judeus sobreviventes da Europa. O primeiro transporte com destino a Auschwitz-Birkenau partiu a 29 de abril de Kistarcsa, perto de Budapeste, com 1800 homens e mulheres; o segundo saiu a 30 de abril do campo de trabalho de Topolya, na Jugoslávia ocupada pela Hungria, com cerca de duas mil pessoas.

Entre elas, encontrava-se o poeta, jornalista e autor deste livro, József Debreczeni.

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PAUL-EMILE BECAT ILUSTROU, EM 1957, “O DIABO NO CORPO”, DE RAYMOND RADIGUET.

Paul-Émile Bécat (1885-1960), pintor, gravador e designer francês, vencedor de um primeiro segundo Grande Prémio de Roma em 1920.

Le Diable au corps, um romance de Raymond Radiguet publicado em 1923, fala de uma relação romântica entre um rapaz e uma mulher casada, enquanto o marido desta última luta na frente de batalha durante a Primeira Guerra Mundial.

O livro causou um grande escândalo porque postulava a guerra como a própria condição para a felicidade dos amantes e violava o sagrado respeito devido ao soldado.

ELEIÇÕES | Joseph Praetorius, 08-03-2024 

É imperioso que as próximas eleições sejam olhadas no significado de legítima defesa, que o voto comporta aqui.  

Os imbecis das diversas direitas, em competição, não escondem as suas nostalgias pelos tempos das crianças descalças na cidade, sob ameaça de multa por andarem descalças. Lembro-me de ainda as ver na minha adolescência e não sou tão velho como isso. 

Não me sinto de esquerda, nem aliás se sabe o que isso seja nos tempos que correm. Mas nestas estruturas de direita não caibo, nem posso caber. 

Os insultos soezes ao 25 de Abril, que vamos ouvindo, não expressam apenas  o ressentimento, nunca resolvido, dos que foram forçados a partir de África para Lisboa, em risco de vida e com a espoliação de todos os seus bens. Esses vieram assim, porque os USA assim quiseram, para reforçarem o eleitorado de direita em Portugal, como reforçaram e continuam a reforçar. Graças ao ressentimento. 

Mas este não pode ser perspectiva aceitável para a determinação dos legítimos interesses do maior número, embora, na medida do possível, deva ser eficazmente eliminado e não faltam modos de o fazer.

Estes insultos vêm de quem quer cortar reformas definitivamente, como já tentaram. Cortar salários, como já fizeram. Vender o que resta das empresas públicas a pesadíssimos parasitas, como já fizeram também, reduzir o país à pobreza, como já disseram em voz alta, discutir (e restringir) o que os pobres comem, com discussão (sempre em voz alta) dos bifes que se não poderiam comer todos os dias, como o fez a desgraçada Jonet que é desta mentalidade bom exemplo e faz fichas de quem se socorra da organização sob sua direcção. Lembro-me de intervenção da criatura, em tom acusatório – “querem dar tudo aos filhos”, veja-se lá bem o disparate do filho do trabalhador indiferenciado ir a um concerto…

Mas, coisa mais aterradora de todas, querem privar de medicação subvencionada os maiores de 65 anos, como o disse a execranda Ferreira Leite (sem o mandar dizer por ninguém). E não convém, ainda, esquecer a exemplaridade da execranda lei Cristas – à qual ninguém reagiu em tempo útil – cujas virtualidades de devastação social são um bom exemplo do que voltou a estar em causa (e nem Salazar teria concedido). 

A população comum, com mais ou menos de 65 anos, está em situação de ataque iminente e estas eleições são o ludíbrio que permitiria aos atacantes arguir o consentimento da vítima.

Sei que um socialismo do nepotismo não é um bom antecedente. 

Mas há uma diferença entre querer empregar e privilegiar os filhos deslealmente e à nossa custa e querer negar o nosso direito à vida, à assistência clínica, à retribuição digna, à reforma aceitável, à habitação compatível com a dignidade mínima e até à alimentação. 

Nem é de esquecer que a ICAR local se lhes junta, como Manuel Clemente o fez. Esta  padralhada juntar-se-lhes-há sempre. 

É precisa outra igreja. Como é precisa outra Escola. E outra imprensa. E é precisa a transfiguração do Estado, claro que sim. Sendo seguro que só de nós todos poderá vir tal coisa, que foi inútil confiar (ao longo de 50 anos) ao execrando leque partidário que outra vez se nos apresenta. 

Mas é preciso discernir entre males. E decidir pelo menor deles, enquanto não estivermos em condições de reagir. 

E ainda não chegou o momento de o podermos fazer.  Infelizmente.

NOTA : Mural de Joseph Praetorius, 08-03-2024, in Facebook

O filme “Morte em Veneza” | por Victor Oliveira Mateus

O filme “Morte em Veneza”, que fez a minha geração embandeirar em arco, e que hoje é varrido para debaixo do tapete com aquele pudor hipócrita que a ignorância sempre traz. Esse filme é um magistral levantamento da dualidade ético-epistemológica que sempre tem lavrado na cultura ocidental.

W. K. C. Guthrie, na sua magistral História da Filosofia Grega em 6 volumes, não se coíbe em afirmar que o Pensamento Ocidental, ao longo dos séculos, não tem sido mais do que um confronto entre Platão e Aristóteles. Ou seja: entre o primado da Alma, do racional, com a subsequente subalternização dos sentidos ou, até mesmo, a sua recusa, e o encumear dos sentidos, com a respetiva secundarização do intelecto.

Este é o tema central do filme de Visconti, bem como do conto homónimo de Thomas Mann. Logo no início da película assistimos à estreia de uma Sinfonia de Aschenbach, que é, depois, incrivelmente pateada. No diálogo que se segue, um dos grandes amigos do maestro grita-lhe dizendo que o insucesso que ele acabara de experimentar era mais do que merecido, já que ele criara uma sinfonia puramente racional (geométrica?), de onde os sentidos tinham sido abolidos, isto é, Aschenbach desenvolvera a tese pitagórica (convém não esquecer que Kepler e Einstein não andaram muito longe de correspondências análogas!) da correspondência entre os números e as nota musicais, urge também referir, aliás, que em Platão o conhecimento matemático funcionava como uma mera propedêutica ao saber filosófico.

Esta relação matemática/ filosofia vigora ainda hoje em algumas Escolas filosóficas! O amigo de Aschenbach salta, então, para o piano e ataca uns acordes, continuando a gritar que a obra de arte, a Beleza, não pode ignorar os sentidos, as emoções.

Esta situação dilemática atravessou, e atravessa, toda a nossa cultura: na literatura podemos encontrá-la em Stefan Zweig (Confusão dos sentimentos), Hermann Hesse (Narciso e Goldmund), Julien Green (Terre Lointaine), etc. No entanto, este tema não aparece só na literatura assumidamente homoerótica ou, como é o caso no conto de Mann, naquela outra em que a heterossexualidade de uma personagem sofre um qualquer abanão (Veja-se o filme “Oito mulheres” de Ozon), podemos encontrar esta temática, por exemplo, no cinema: em “Para além das Nuvens” de Antonioni, vemos que Kim Rossi Stuart sofrendo de uma paixão avassaladora por Chiara Caselli, depois de muito peregrinar e quando se encontrou, finalmente, a sós com ela num quarto, não deixou que a sua mão tocasse o corpo nu da amada (que o conspurcasse?): a mão aproxima-se e, a uns 3/4 centímetros da pele daquela porque tanto ansiara, a dita mão recolhe-se, e Rossi Stuart abandona o quarto abruptamente, fugindo rua afora.

Esta recusa do corpo é exatamente a mesma que esteve na base da surpresa de Alcibíades, que, segundo os historiadores, era extremamente belo e nada – mulher ou homem – lhe escapava, mas que “agora” não entendia como é que aquele velho feio e imundo (Sócrates) tinha dormido a seu lado e nem sequer lhe tocara (Cf. final do “Banquete”).

Esta linha de raciocínio e comportamental podemos encontrá-la ainda hoje, passando por obras como, por exemplo, “Estudios sobre el amor” de Ortega y Gasset. Se por um lado temos todos estes quadros mentais, por outro acena-nos Aristóteles com o seu privilegiar dos sentidos, embora depois, reconheçamos, os ideais de Felicidade e de AMIZADE (tão necessária àquela!) já não tenham nada a ver com o sensorial.

Esta tentativa de vivenciar o aristotelismo no quotidiano foi sempre marcada por um certo insucesso, e nem a afirmação de Averróis de que a alma era mortal e que, de facto, havia um intelecto, mas que este era uno e partilhado por toda a espécie… nem sequer esse averroísmo latino conseguiu singrar, que o digam Sigério de Brabante exilado na corte papal e depois estranhamente assassinado, bem como um Boécio incansavelmente perseguido.

Aristóteles – e o averroísmo latino – passaram a vigorar, sim, mas através da leitura de Tomás de Aquino. Os sentidos contavam, mas vigiados pela razão!

Claro que encontramos grandes exceções: Sade, Condillac… e contemporaneamente Miller, Genet e Tony Duvert, mas tudo isso não passa de exceção (Duvert, que tem um livro em português traduzido pela Luiza Neto Jorge, não encontra hoje, em França, quem o publique!).

É com este dilema que Aschenbach, e após a morte da filha, parte para Veneza, para o Lido. Aí, nessa solidão procurada, o Destino coloca-o à prova! O tal corpo belo, que Platão, no Fedro, afirma só servir de ponto de partida e deve ser imediatamente afastado, o tal corpo belo atenaza-lhe diariamente “o coração”. Coração esse que o matará!

Repare-se em toda a simbologia! É confrangedora a cena em que Aschenbach, no barbeiro, tenta o “alindar do corpo”. Não restam dúvidas que a atração do maestro é correspondida, mas não restam também dúvidas que ela, para permanecer, deve ser irrealizável e com a distância de permeio.: o Absoluto, onde o amor (incorpóreo) fusional se pode concretizar só é passível de ser encontrado no para-lá-do-aqui, por isso no final do filme Tadzio levanta o braço e aponta o horizonte.

Será interessante incorporar aqui algumas leituras como, por exemplo, os místicos do século XVI: quem ler “Os caminhos da Perfeição” de Teresa d’Ávila e “A subida ao Carmelo” de S. João da Cruz verá que não se está assim tão longe de Mann, de Visconti e do “Morte em Veneza”.

Notas

a) quando refiro obras que privilegiam os sentidos não refiro certos pseudo-decadentismos que andam por aí, pois as caricaturas não são a minha especialidade, isto caso eu tenha alguma;

b) não referi propositadamente o “Teorema” de Pasolini, e outros trabalhos dele, pois em breve sairá um artigo meu sobre o tema nesse autor;

c) convém não esquecer também, no filme, as interpretações de Silvana Mangano e de Marisa Berenson

d) quanto a Tony Duvert, a primeiro livro que li dele, era eu menino e moço, e andava com a cunhada do Ricardo Pais pela feira do livro de Madrid, quando comprei o “Diario de un inocente”: ia tendo um enfarte.

AS GLÓRIAS QUE VÊM TARDE JÁ CHEGAM FRIAS, por PAULO MARQUES in Facebook

Veja-se o que aconteceu a Luís de Camões (1524 – 1580), que se situa hoje entre os grandes poetas líricos de todos os tempos. Grande entre os grandes. Apesar da tença anual de quinze mil réis (que se calcula que equivalessem hoje a cerca de duzentos euros), por três anos, que lhe foi concedida por Dom Sebastião, após a publicação de “Os Lusíadas”, nos últimos anos de vida confrontou-se com gravíssimas dificuldades materiais. Valeu-lhe o auxílio de Jau, o seu escravo negro, que pedia esmola pelas ruas de Lisboa, de modo que o amo não vivesse na mais indigna miséria. Só lhe colocaram a coroa de louros quando menos necessitava dela…

P.S. Ironicamente, depois de morto, com o passar dos anos, Camões tornou-se uma glória nacional e “Os Lusíadas” foi considerada a obra máxima da cultura portuguesa. O que levaria Almada Negreiros, em “A Cena do Ódio”, a emitir este comentário fulminante: «a pátria onde Camões morreu de fome/ e onde todos enchem a barriga de Camões.»

From Russia with love: Alexander Pushkin remembered | Phrases

1 – Amar? Para quê? Por um tempo, não vale a pena.
E, para sempre, é impossível.

      2 – A melhor universidade é a felicidade de viver.

      3 – AOS MEUS AMIGOS

      Os deuses ainda vos dão
      Dias e noites de alegria,
      E amáveis moças vos estão
      A examinar com simpatia.

      Folgai, cantai, ficai a fruir
      A noite, amigos, passageira,
      E a vosso prazer sem canseira
      Hei-de, entre lágrimas, sorrir.

      4 – Eu amei-te; mesmo agora devo confessar,
      Algumas brasas desse amor estão ainda a arder;
      Mas não deixes que isso te faça sofrer,
      Não quero que nada te possa inquietar.
      O meu amor por ti era um amor desesperado,
      Tímido, por vezes, e ciumento por fim.
      Tão terna, tão sinceramente te amei,
      Que peço a Deus que outro te ame assim.

      5 – Todos dizem: “Não há justiça na terra.” Mas também não há justiça lá no alto!

      Hail Mary, 1891 by Paul Gauguin

      Gauguin described the picture in a letter of March, 1892:

      An angel with yellow wings points out to two Tahitian women Mary and Jesus, also Tahitians. Nudes dressed in pareos, a kind of flowered cotton cloth which is worn as one likes around the waist. The background [is] of very somber mountains and trees in flower. A dark purple road and green foreground; to the left some bananas. I am rather pleased with it.”

      António Damásio, “A Estranha Ordem das Coisas. A Vida, os Sentimentos e as Culturas Humanas”, Temas e Debates, 2017 | in A VIDA BREVE

      O neurocientista luso-norte-americano António Damásio nasceu em Lisboa, a 25 de Fevereiro de 1944.

      “ ____ No entanto, para considerar os nossos dias como sendo os melhores de sempre seria preciso que estivéssemos muito distraídos, já para não dizer indiferentes ao drama dos restantes seres humanos que vivem na miséria. Embora a literacia científica e técnica nunca tenha estado tão desenvolvida, o público dedica muito pouco tempo à leitura de romances ou de poesia, que continuam a ser a forma mais garantida e recompensadora de penetrar na comédia ou no drama da existência, e de ter oportunidade de refletir sobre aquilo que somos ou que podemos vir a ser. Ao que parece, não há tempo a perder com a questão pouco lucrativa de, pura e simplesmente, “ser”. Parte das sociedades que celebram a ciência e a tecnologia modernas, e que mais lucram com elas, parece estar numa situação de bancarrota “espiritual”, tanto no sentido secular como religioso do termo.

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      QUE OS DEUSES SE AMERCEIEM! | por José Gabriel, in facebook.

      Os líderes políticos europeus são, por estes tempos, de uma mediocridade confrangedora e de uma inconsciência perigosa. Gente sinuosa, inculta, sem autonomia nem integridade. Não exceptuo ninguém, embora, pelo peso das suas funções e a dimensão dos seus países, alguns se tornem particularmente desprezíveis na sua perigosidade. Eles e elas, que talvez os únicos tiros que tenham ouvido tenham sido numa coutada de um padrinho ou patrocinador, falam em guerras e guerrinhas como se estivessem a brincar aos soldadinhos de chumbo nos seus quartos de brinquedos. Alguns deles, poderiam ter um diagnóstico da beira da psicopatia. Outros são tíbios, alguns simplesmente malucos. Dizia-me, há muitos anos, um ilustre amigo e psiquiatra, que as patologias mentais, na realidade, só tinham três tipos: o tontos, os malucos e os maluquinhos – em grau ascendente de gravidade. Só aos primeiros dois grupos se pode fazer alguma coisa. Mas é preciso que se tratem. Porém, o meu amigo não previa que os “normais” os elegessem – e prometem não ficar por aqui. Estranhareis que aborde o tema deste ponto de vista, ainda por cima de um modo tão básico. Olho os livros que se amontoam ali nas estantes, os mestres que nos podem ajudar a pensar e a agir. 

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      Em 3 de Abril de 1862, Victor Hugo, escritor francês, publica ‘Os Miseráveis’ | por MAX ALTMAN in OPERA MUNDI

      Imenso sucesso popular na época, obra explora a filosofia política do autor ao abordar a cooperação – e não luta – de classes.

      Em 3 de abril de 1862, durante exílio na ilha de Guernsey, Victor Hugo (1802-1885) publicou o livro Os Miseráveis, uma verdadeira epopeia popular que imortalizaria personagens como Jean Valjean, presidiário em liberdade condicional. O pano de fundo é a história recente de então, a partir da batalha de Waterloo até a insurreição republicana de 1832.

      Filho de um general do Império constantemente ausente, Victor Hugo foi criado basicamente por sua mãe. Aluno ainda do Liceu Louis Le Grand, tornou-se conhecido ao publicar a sua primeira coletânea de poemas Odes, recebendo uma pensão de Luís XVIII.

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      Banking dynasty member Lord Jacob Rothschild dies aged 87 | by Sarah Hooper Feb 26, 2024, in metro.co.uk

      Lord Jacob Rothschild, one of the richest men in the banking world, has died at the age of 87, his family has announced.

      The British banking giant started his career in the family bank, NM Rothschild & Sons, in 1963, before accruing a fortune of around £825 million in his career spanning decades.

      Lord Rothschild’s family give away a reported £66 million to Jewish causes, education and art.

      In a statement, the family said: ‘Our father Jacob was a towering presence in many people’s lives, a superbly accomplished financier, a champion of the arts and culture, a devoted public servant, a passionate supporter of charitable causes in Israel and Jewish culture, a keen environmentalist and much-loved friend, father and grandfather.

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      Liberdade de escolha, razão e demagogia Carlos Matos Gomes

      A liberdade de escolha constituiu o elemento a partir do qual os debates tradicionais sobre a liberdade e a necessidade começaram na Grécia há mais de dois mil e quinhentos anos. O problema da liberdade de escolha reside na contradição resultante do facto de podermos decidir contra o bem essencial, transformando a liberdade em servidão. Isso acontece porque a liberdade pode resumir-se à escolha do conteúdo, das normas e dos valores a partir dos quais a nossa natureza essencial, incluindo a nossa liberdade, se expressa. A liberdade pode agir contra a liberdade, entregando-nos à servidão. E esse é o projeto das “democracias iliberais”, ou formais que nos está a ser proposto como paradigma da democracia. Votais! — o resto está por conta de outrem, de nós, os vossos representantes. Este tipo de “democracia” é o meio ideal de criação e desenvolvimento dos demagogos e da demagogia. Dos abutres da liberdade, dos que comem o interior dos corpos, os órgãos vitais que garantem a liberdade e deixam o esqueleto, que continuam a designar por democracia. Não é, como o cavername de um barco não é um barco e não navega.

      O que está a ser imposto como “democracia” é a apropriação do direito de voto por uma elite.

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      Rumo ao quinto centenário de Camões | A Velha do Restelo | Frederico Lourenço

      O Velho do Restelo – lamento chocar-vos – talvez não seja um homem. Poderá ser uma mulher. Estaríamos a falar, no fundo, da Velha do Restelo.

      Por incrível que pareça, foi na jesuítica revista «Brotéria» que se deu o primeiro passo que levaria, ulteriormente, ao desvendamento da identidade escondida do Velho do Restelo, concretamente no número que saiu em Novembro de 1980. 

      Nesse volume da revista, o Dr. Joaquim Carvalho publicava um artigo sobre Os Lusíadas em que argumentava o conhecimento, por parte de Camões, do poema «Argonáutica», escrito por Apolónio de Rodes no século III antes da era cristã. 

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      SPINOZA, LEITOR DE MAQUIAVEL | por Marcos Bazmandegan, in Facebook

      Em termos políticos e não só, Spinoza foi um leitor atento de Maquiavel e Hobbes. Contudo, era para Maquiavel que a sua admiração se voltava. Chamando-o de “agudíssimo” e “prudentíssimo” em seu Tratado Político, última obra da sua vida que não pôde completar. A visão política de Maquiavel não se fundava numa visão utópica da natureza humana, mas na realidade do que ela é, com as suas paixões e ambições, forças e fraquezas. Uma política realista deveria ser feita em função dessa perspetiva de humanidade e não daquelas idealizadas por Platão, Aristóteles e pelos moralistas posteriores.

      De certo modo, Spinoza transferiu essa mesma noção, não só para a sua política, mas também para a sua metafísica. Ou melhor, construiu uma metafísica que fundamentasse essa visão política totalmente realista e atenta ao ser humano real e não imaginário. 

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      Gouveia e Melo considera que protestos de rua dos militares “são inadmissíveis” | in SIC Notícias

      Para o almirante, “as manifestações de rua [de militares], ou outro género de manifestações, criam instabilidade” e “não devem ser feitas nem permitidas, porque os militares são o último refúgio da estabilidade do país”.

      Em entrevista à Renascença, o almirante Gouveia e Melo, falou sobre a possibilidade de eventuais protestos de rua por parte dos militares, caso o Governo aumente os subsídios de risco da PSP e da GNR e se esqueça das Forças Armadas.

      Nestas declarações, Gouveia e Melo deixou ainda claro que se opõe a esse tipo de ações e considera que estas são “contra o próprio regime democrático”.

      Sobre a justiça, ou não, da reivindicação dos militares, independente da existência de protestos, Gouveia e Melo frisou que “as reivindicações que os militares tenham, ou deixem de ter, são tratadas através do nível hierárquico, nos fóruns apropriados que a democracia tem”.

      Confrontado com a pergunta se será este um sinal de radicalização, ou de populismo, no interior das Forças Armadas, o almirante preferiu não responder.

      “Isso eu já não quero comentar”, referiu Gouveia e Melo acrescentando “o que quero lhe dizer é que as Forças Armadas são o último esteio da Nação. Como tal, não devem fazer nenhuma ação que comprometa não só a democracia como a estabilidade do país. E, portanto, nós – militares – não devemos ir para a rua…não faz parte da nossa missão, da nossa ética e da forma como nos devemos comportar em democracia”.

      Do filme, As Vinhas da Ira de JOHN STEINBECK

      «Não sei para onde vou mãe (…) Andarei por aí no escuro, estarei em toda a parte. Para onde quer que olhem.

      Onde houver uma luta para que os famintos possam comer, estarei lá. Onde houver um policia a espancar uma pessoa, estarei lá. Estarei nos gritos das pessoas que enlouquecem.

      Estarei nos risos das crianças quando têm fome e as chamam para jantar.

      E quando as pessoas comerem aquilo que cultivam e viverem nas casas que constroem, também lá estarei.»

      Fulvio De Marinis, 1971 | Pintura in Facebook, Arte Literatura e Pintura

      Nacido en Nápoles, se graduó en el Instituto de Arte y asistió a la Academia de las Artes de Nápoles. De Marinis es un pintor que hunde sus raices en la pintura clásica, pero sus obras son extremadamente actuales, a través de la representación de lugares, colores y costumbres de nuestros días.

      Dito e escrito em 12.05.2016, por José Pacheco Pereira, in Abrupto | Nota: subscreveria com convicção este texto – Vítor Coelho da Silva, em 18-02-2024

      SURPRESA!

      Desenganem-se que sou muito mais liberal do que socialista, mas sou sujeito a esse interessante anátema de que agora tudo o que não pertence a essa direita radical é socialista, pelo menos, quando não é esquerdista, radical, comunista, etc. Aliás, sobre o que disse no artigo que publiquei e que suscitou a fúria destes “liberais” (“Para a nossa direita radical o Papa é do MRPP”), nada é dito e percebe-se porquê: é que eles pensam mesmo que o Papa é do MRPP com aquelas histórias da “economia que mata…”

      Sabem qual é a surpresa? É que no essencial continuo a pensar o mesmo e não me converti ao socialismo, a não ser à parte de socialismo que existe na social-democracia. 

      http://abrupto.blogspot.com/2016/05/surpresa-desenganem-se-que-sou-muito.html

      Rose Araujo: a poesia como amor à vida | por Adelto Gonçalves 

      Em livro de estreia, a poeta surpreende por sua sutileza verbal em seu anseio por dias melhores

                                                                   I
                     Depois de participar de várias coletâneas e antologias como designer gráfica, Rose Araujo, como poeta, estreia em livro solo com Quando Vida Poesia (Curitiba, Selo Inside/Editorial Casa, 2022), obra concebida a partir de 2017, mas que tomou forma final nos anos da pandemia de coronavírus (covid-19) e traz como prefácio um ensaio do poeta Tanussi Cardoso e texto de apresentação assinado pelo escritor e revisor Ricardo Alfaya. São versos ligeiros, que, por seu lirismo e concisão, apr oximam-se do gênero haicai, modelo literário de origem nipônica que no Brasil teve como ilustres representantes Guilherme de Almeida (1890-1969), Millor Fernandes (1923-2012) e Paulo Leminski (1944-1989), entre outros.

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      Das brumas da memória | José Augusto Nozes Pires | Bartolomé Esteban Murillo- Duas crianças comendo um melão e uvas, 1645-46

      Em tudo que fazemos a desigualdade persiste

      Talvez nalguns lugares seja menor

      Mas já era assim, talvez maior,

      Na minha, na tua, na nossa infância.

      Deixa-me lembrar-te e não me contradigas:

      Uns adormeciam em camas limpas e macias

      E outros, sabe-se lá, onde calhava.

      Sempre assim foi:

      Para estes uma ama serviçal acolhia-os ao colo,

      Nem um ralhete se ouvia ;

      um quarto aquecido, palhaços e soldadinhos de chumbo.

      Para aqueles (foram e são tantos!)

       uma cama de palha, uma vela de sebo acesa.

      Não viste tu, mas vi eu.

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      Os meus amigos da Igreja do Liberalismo, por Paulo Querido

      Os meus amigos da Igreja Do Liberalismo têm um viés muito engraçado. Para eles, TODOS os avanços humanos, da economia à saúde, se devem ao virtuoso liberalismo. E citam os dados da evolução: temos menos pobres (no sentido em que há menos pessoas no mundo abaixo dos limiares de pobreza), temos melhor qualidade de vida que as gerações precedentes, há francamente uma grande evolução ao longo das décadas e séculos.

      Os dados são esses. Progredimos. Muito. Em Portugal, por exemplo, os salários melhoraram bastante nos últimos 8 anos e dezenas de milhar de pessoas regressaram de debaixo do limiar de pobreza para onde tinham sido atiradas nos 6 anos anteriores por um governo, esse sim, amigo da Igreja do Liberalismo.

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      A vida de Mozart (The Mozart Story) , Capítulo 1 (Série completa, ative a legenda/Subtitles)

      Parte 1    • A vida de Mozart (The Mozart Story)  …   Parte 2    • A vida de Mozart (The Mozart Story) ,…   Parte 3    • A vida de Mozart (The Mozart Story) ,…  

      17 DE FEVEREIRO DE 1806: NAPOLEÃO ORDENA A CONSTRUÇÃO DO ARCO DO TRIUNFO

      No dia seguinte à vitória em Austerlitz, Napoleão proclamou aos seus soldados: “Levar-vos-ei de volta a França. Você só voltará para suas casas sob arcos triunfales.”

      Em 18 de fevereiro de 1806, Napoleão tomou a decisão oficial de erguer um arco triunfal para a glória da Grande Armée, seguindo o exemplo da Roma antiga, que também havia passado da República para o Império. Vários locais foram então propostos, a Bastilha foi preferida por um tempo, mas Napoleão optou pela Place de l’Étoile.

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      Madonna, 1894 by Edvard Munch

      Originally called Loving Woman, this picture can be taken to symbolize what Munch considered the essential acts of the female life cycle: sexual intercourse, causing fertilization, procreation and death. Evidence for the first is in the picture itself, an intensified, spiritualized variation in the nude of the ‘mating’ pose, the woman depicted as though recumbent beneath her lover. The ethereal beauty of her face was said to resemble both Dagny Przybyszewska and her sister Ragnhild Backstrom. Procreation was implied by the decoration of the original frame, later discarded, on which were painted drops of semen and an embryo. That Munch associated the image with death is clear from his own comments on the picture, in which he sees it as representing the eternal cyclical process of generation and decay in nature. He continually connected love with death: for the man, because it eviscerated him, for the woman, because, following Schopenhauer, he appears to have thought her function ended with child-bearing.

      https://www.edvardmunch.org/madonna.jsp

      Baudelaire – Embriagai-vos! | In Poemas em Prosa

      Deveis andar constantemente embriagados. Tudo consiste nisso: eis a única questão. Para não sentirdes o fardo horrível do tempo, que vos quebra as espáduas, vergando-vos para o chão, é preciso que vos embriagueis sem descanso.

      Mas, com quê? Com vinho, poesia, virtude. Como quiserdes. Mas, embriagai-vos.

      E se, alguma vez, nos degraus de um palácio, na verde relva de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, despertardes com a embriaguez diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntais que horas são. E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio vos responderão: — É a hora de vos embriagardes! Para não serdes escravos martirizados do tempo, embriagai-vos! Embriagai-vos sem cessar! Com vinho, poesia, virtude! Como quiserdes!

      — Charles Baudelaire, In Poemas em Prosa

      Yellow-Red-Blue, 1925 by Wassily Kandinsky

      Yellow-Red-Blue was created by Wassily Kandinsky in 1925. The primary colors on the painting feature squares, circles and triangles and there are abstract shapes mixed in with these. There are also straight and curved black lines that go through the colors and shapes. This is to help provoke deep thought in the person viewing the piece.

      Yellow-Red-Blue can actually be divided in half with how different each of the sides are. The left side has rectangles, squares and straight lines in bright colors while the right side features darker colors in various abstract shapes. These two sides show different influences and are meant to create varied emotions in the viewer.

      https://www.wassily-kandinsky.org/Yellow-Red-Blue.jsp

      CONVITE | Sessões de lançamento de «A Vida na Selva», de Álvaro Laborinho Lúcio

      A chegada de A Vida na Selva, o novo livro de Álvaro Laborinho Lúcio, às livrarias é assinalada com sessões de lançamento em Lisboa, no Porto e em Coimbra, com apresentação de Fernando AlvesCarlos Magno e Carlos Fiolhais, respetivamente, depois de uma primeira sessão no âmbito do festival Correntes d’Escritas, a 24 de fevereiro, às 12h30, na Póvoa de Varzim. Assim sendo, a Quetzal Editores têm o prazer de a/o convidar para as sessões que terão lugar na Livraria Ler Devagar, em Lisboa, no Tribunal da Relação do Porto, e na Fundação Bissaya Barreto, em Coimbra, em sessões que decorrem a 28 de fevereiro, 5 e 7 de março

      A Vida na Selva é uma viagem às memórias e histórias do autor, que se confundem entre lembranças de infância e palestras proferidas já como escritor, depois de uma carreira como magistrado, político e homem desde sempre ligado ao mundo da justiça. «Este é o produto de uma memória propositadamente não elaborada, sem trabalho de reconstituição, escorrendo em palavras a partir de uma mistura de lembranças e de esquecimentos, desprendida do rigor das provas, alheada dos documentos, dispensada de breves desígnios de certeza como fundamento de uma verdade que se quer ver reconhecida», escreve Álvaro Laborinho Lúcio, com a sensibilidade, sentido de humor e inteligência a que já nos habituou.

        

      NATUREZA E PODER: GIORDANO BRUNO E SPINOZA |  de Saverio Ansaldi

      Existe sem dúvida entre Giordano Bruno e Spinoza uma “afinidade eletiva” que vai além de qualquer tentativa de estabelecer uma filiação filológica ou uma derivação textual entre os dois autores. Com efeito, independentemente de uma certa “convergência” biográfica (perseguição por parte de autoridades políticas e religiosas, exílio, reputação sulfurosa dos escritos), Giordano Bruno e Spinoza partilham questões filosóficas e questões de grande importância conceptual.

      Com efeito, para além de uma hermenêutica de origem idealista e historicista que pretende sublinhar uma forte homogeneidade conceptual entre Giordano Bruno e Spinoza, parece-nos que estes dois autores procuram responder à mesma e extremamente precisa questão: quais são as consequências antropológicas da infinitização da natureza? Esta questão é, por assim dizer, imanente aos temas e tensões que regem as suas respectivas filosofias e ao mesmo tempo está implícita nos conteúdos e debates que caracterizam a cultura filosófica do seu tempo.

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      A extrema-direita faz parte do sistema — não se assustem! | por Carlos Matos Gomes

      As campanhas eleitorais que se estão a desenvolver em vários países europeus têm um tema central que as máquinas de propaganda se encarregam de dramatizar até ao limite, a bem das audiências e do entorpecimento dos cidadãos em geral: a extrema-direita entra nas contas para os governos ditos democráticos e é um perigo para a democracia ou não?

      A questão lembra-me as sessões de luta-livre americana, em que há sempre um vilão e os resultados estão decididos à partida. Todos, os lutadores, o árbitro e os empresários, os locutores e comentadores, os treinadores fazem parte do espetáculo. Os jogos que as televisões portuguesas têm apresentado em direto são programas de entretenimento e adormecimento: fazem de conta que existe um mau da fita e que este coloca em perigo a liberdade de decisão dos cidadãos e a sua intervenção nas decisões tomadas em seu nome. O mau da fita representa o seu papel de arruaceiro e o público assobia, ou aplaude.

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      Poema | Maria Isabel Fidalgo

      Louvo sempre o mais que tenha

      que foi a sorte a ajudar

      e não ligo a quem desdenha

      que quem fala quer comprar

      Acredito no que vejo

      para poder não gostar

      mas descreio do desejo

      que morre de esperar

      E louvo a minha  riqueza

      por ter mais que o necessário

      e  abomino a avareza

      de quem não é solidário

      Creio na leal amizade

      quando dela eu preciso

      e como é doce a bondade

      que vem dentro de um sorriso

      E louvo quem nada espera

      mas em mim sempre acredita

      como  um sol de primavera

      quando a vida ressuscita.

      A MULHER ATENIENSE | In Presente de Grego

      A discussão do papel da mulher na sociedade não é atual. 

      É antiga e presente no pensamento ocidental desde a Antiguidade. 

      Na Grécia, Sócrates, Tucídides e Plutarco nos ajudam a elaborar um breve quadro que compõe o significado da mulher em Atenas.

      1. Dentro de casa: 

      Sua autoridade doméstica era plena. 

      Era a principal responsável pela distribuição das tarefas aos escravos, zelava pela educação da prole, cuidava do preparo e conservação dos alimentos, estava atenta ao vestuário e à saúde dos membros da família. 

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      MIGUEL TORGA | DO DIÁRIO – Uma História Triste

      Uma história triste agrada sempre. No seu sentido mais profundo, a vida é bela e alegre. Todos nós tivemos já a experiência disso milhares de vezes. Provas sobre provas de que não há primavera sem flores, nem outono sem frutos. Mas, apegados como estamos à aparência de tudo, esquecemos a voz do profundo, e ouvimos deliciados o som da superfície. Temos o vício da tristeza.
      Diário (1946)

      Retirado do Facebook | Mural de Maria José Diegues