Os Pés na Grande Guerra

Imagens de treino da Cavalaria Portuguesa na Primeira Guerra Mundial – British Pathé.

Em agosto de 1914, os pés (categoria na qual se incluíam as patas dos cavalos) eram tão importantes como os comboios, de tal maneira que, depois do desembarque em zonas de concentração, cavalaria e infantaria se deslocavam sobre a linha de marcha. Para os alemães, era o presságio de dias infindáveis a caminharem para oeste e para sul, nos quais os pés humanos iriam sangrar e as ferraduras dos cavalos perder-se. O tilintar revelador de um prego solto era o sinal para o cavaleiro procurar um ferrador, se quisesse seguir a coluna no dia seguinte. Para o condutor de uma carruagem, semelhante som ameaçava comprometer a mobilidade dos seis animais aparelhados.

Em 1914, uma divisão de infantaria comportava cinco mil cavalos, uma divisão de cavalaria bastante mais. Todos tinham de ser mantidos ferrados e em boa saúde se os militares queriam percorrer os 30 quilómetros diários e se desejavam que os soldados de infantaria fossem alimentados, os relatórios de reconhecimentos fossem enviados e os combates de infantaria cobertos por tiros de artilharia em caso de encontro com o inimigo. Uma divisão de infantaria em marcha ocupava 20 quilómetros de estrada, sendo a resistência dos cavalos tão importante como a dos soldados nesse percurso para a Frente; os cavalos puxavam as cozinhas rolantes, bem como as caixas das brigadas de artilharia.
A Primeira Guerra Mundial, de John Keegan, Porto Editora

A-Primeira-Guerra-Mundial_06-10-2014-1

 Veja a Nota de Imprensa

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