O orador falante | Fernando Venâncio

É um pretexto. Mas pode servir. A Revista do penúltimo “Expresso” inseria um artigo de Henrique Raposo sobre Vasco Pulido Valente, de quem prepara uma biografia. No sábado passado, o semanário incluiu uma réplica de Diogo Ramada Curto ao artigo de Raposo. E eu, que, vai para 30 anos, me ocupei do célebre cronista, tenho esta marginália (mas, bom, tome o seu tempo, e deguste relaxado), de novo aqui oferecida ao mundo.
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Há duzentos anos, a prosa não prestigiava ninguém. Altas, garantes de fama, eram a poesia e a oratória. Tinha de ser poeta ou orador quem, por essa altura, quisesse andar nas bocas do mundo. Bocage e o padre Macedo correspondiam-se publicamente em verso. Filinto ritmava torturadamente os seus ensaios. E as multidões iam, em dia de santo, ouvir quantos, dos púlpitos, se excediam em sonoridade e arredondamentos.
Alinhar parágrafos, como suficientemente mostravam umas poucas de novelas alegóricas e ‘exemplares’, era ofício menor. A ele se entregavam os historiadores, os criadores de leituras edificantes, os autores de compêndios, os de memórias (assim se designava, por então, os ensaios), os ditantes de boas maneiras. Gente séria, mas dificilmente citável. Sobretudo, se se exceptuar o bilioso Macedo, que também polemizava em prosa, gente que a ninguém divertia. Para recreio, para descontracção, a literatura marcava encontro nos templos ou nos saraus.
Meio século mais tarde, por 1830, esse estado de coisas, no essencial, mantinha-se. Se novidade havia, eram as traduções de novelas francesas. Traduções péssimas, de efabulações de pacotilha, mas que no seu conjunto afiançavam uma movimentação editorial nada despicienda. Era patente: a prosa conservava-se um exercício sem especial magia, e não admira que os manuais a considerassem um subdomínio da eloquência. Nos casos mais felizes, a prosa discursava.

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Simplement | Malika Mellal

Simplement parler sans titre
Me laisser aller sans filtre
Aussi t’écouter comme tu aimerais
Sans rien interpréter ni imaginer
Être nous même simplement
Sans peur ni jugement
Ouvre toi n’ai pas peur de moi
Chez moi il n’existe aucune loi
Oublies tes préjugés qui te retiennent
Pour libérer une parole saine
Partager est libérateur
J’aurai les mots réparateurs
Pour te guérir et que tu respires
Tu peux parler sans réfléchir
Je saurai faire le tri dans tes pensées
Même livrées brouillées
Écoutes moi à ton tour
Me livrer sans détours
Construire cette complicité
Si chèrement convoitée
Quand deux âmes se reconnaissent
Ce n’est que bonheur en liesse
Si tu te mettais en danger
Rien ne me ferais hésiter
Je serai sûrement violente
Mais je ne serai jamais mante
Aucunes libertés sacrifiées
Ou volontés d’enfermer
Deux âmes sœurs luttant en cœur
Qui ne compteraient pas les heures
Pour chaque fois refaire le monde
De tout ces sentiments qui nous inondent.
Alors pourquoi hésites tu encore ?
Viens ne reste pas dehors.

Malika Mellal 01 /2018
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