Resumo sobre a Filosofia de Spinoza | Ricardo Ernesto Rose, Jornalista, licenciado em filosofia | in consciencia.org

“Segundo esta doutrina, não há movimento na natureza que possa provir de nada, ou ser aniquilado – da mesma maneira que no mundo material, nenhuma forma individual pode entrar na realidade da existência, senão indo beber no fundo infinito da matéria, eternamente semelhante a si mesmo – assim todo movimento tira o princípio da sua existência do fundo infinito das forças, eternamente o mesmo, e restitui cedo ou tarde, de uma maneira ou de outra, à massa total a quantidade de força que dele tirou”. Ludwig Büchner – Força e matéria

Continuar a ler

O problema do Papa é a sua Igreja | Francisco Louçã | in Jornal Expresso

Cumprindo um festival concebido, como é tão notório, por João Paulo II, de cuja herança se quer afastar, o Papa Francisco veio aqui deixar mais uma mensagem do fim do seu pontificado. Entretanto, agitou-se o país e os sinais locais deste empreendimento têm sido comentados: o custo extravagante e especulativa, o financiamento público (que Espanha evitou), alegando-se que esta é a missão do Estado (queria ver o mesmo num festival muçulmano), a sátira de Bordalo II e a fatwa que sofreu, o frenesim político-eleitoral. Tivemos de tudo. Falta ouvir o Papa e saber o que nos diz sobre a sua Igreja. 

O  Papa mais popular

O Papa não é o mais popular pelo contraste com o seu antecessor, nem sequer só pela afabilidade que demonstra. Ele é querido por ter aberto as portas aos pobres, por ter condenado a finança “que mata”, por ter dado um passo de aproximação aos homossexuais e, sobretudo, por ter condenado a pedofilia praticada, ocultada e porventura cultivada em setores tão amplos da sua Igreja. Com argúcia política, tem vindo a nomear cardeais reformadores e alguns são personalidades culturais vibrantes. Meticulosamente, tem procurado mudar a doutrina e virá-la para o povo. Tem contra ele uma construção imponente que é o seu palácio, a Igreja Católica.

Continuar a ler

Deixa-me lembrar de ti | Maria Isabel Fidalgo

Deixa- me lembrar de ti. Sei que nunca virás, por isso vai devagar onde houver sombras , a mão na minha e uma lua alta a escorrer de sedução para que possa morrer nos teus braços ou morrermos os dois na dança de todos os sonhos.

A noite é a sede  do teu nome no meu pensamento, por isso danço, canto, deslizo no porto do destino onde nunca desembarcámos.

Estou a olhar o calor noturno e uma leve luz ilumina os meus pensamentos.

Vens então devagar para que nunca chegues e eu possa continuar a  rodar na valsa quimérica da meia noite envolta nos teus braços de neblina.

Maria Isabel Fidalgo

A religião do Ocidente não é a deste Papa | Carlos Matos Gomes

08-08-2023

E se algum ou alguma dos e das coristas que matraquearam vulgaridades e sopraram bolas de sabão sobre a Jornada Mundial da Juventude tivesse perguntado qual a causa pela qual os jovens participantes estariam dispostos a lutar?

Os grandes eventos devem suscitar interrogações. Conta-se que quando Moisés desceu do Sinai com a tábua dos 10 Mandamentos, anunciando que estes lhe haviam sido entregues por Deus, um dos assistentes lhe terá perguntado porque não viera Deus em pessoa transmiti-los. A história não relata o que aconteceu ao interpelante.

As religiões são sempre a transmissão de uma mensagem através de um mensageiro. Os céticos consideram que os mensageiros são os autores das mensagens. e procuram decifrar as mensagens. Os crente acreditam no que os reconforta, o mensageiro é apenas um cantor de canções de embalar. As suas palavras são meros sons que lhes ameniza as angústias. Nas religiões das sociedades mais complexas os crentes que constituem a massa não têm direito de fazer perguntas incómodas aos grandes mensageiros. Resta-lhes ouvir e acreditar no que já acreditavam. Mas há, ou haveria a possibilidade de perguntar o que pensa quem está a meu lado. Não ouvi nem vi alguém a perguntar.

Continuar a ler

Juventude Comunista Portuguesa | JMJ | DN

A JMJ, enquanto momento de grande dimensão juvenil representa um potencial espaço de partilha, reflexão e convergência em defesa de valores como a paz, a fraternidade, o combate à pobreza, precariedade e às desigualdades, a que a JCP atribui uma importância redobrada.

O dado mais surpreendente nesta adesão – aliás publicamente salientado pelo Presidente da República – foi uma nota publicada no Twitter pela JCP, a organização de juventude dos comunistas: “A JMJ, enquanto momento de grande dimensão juvenil representa um potencial espaço de partilha, reflexão e convergência em defesa de valores como a paz, a fraternidade, o combate à pobreza, precariedade e às desigualdades, a que a JCP atribui uma importância redobrada.”

Mas o próprio PCP salientou no seu site a presença do seu secretário-geral, Paulo Raimundo, no encontro que o Papa teve, no CCB, com as autoridades nacionais, sublinhando que produziu um discurso “com significado”, nomeadamente na “condenação” das “dificuldades e da precariedade que muitos jovens enfrentam” – “preocupações” que têm “muita relevância”. A esta nota, os comunistas relacionaram ainda uma outra, com vídeo, onde João Ferreira, vereador dos comunistas em Lisboa, associou o partido ao “acolhimento da cidade de Lisboa aos muitos milhares de jovens” que vieram à JMJ, dizendo ainda que o chefe da Igreja Católica produziu “palavras com significado que sublinhamos e valorizamos”.

09/08/2023 | Diário de Notícias

Águas sem retorno | Maria Isabel Fidalgo

Amo cada minuto onde o teu coração respira longe do meu e tão perto.

Anda o sol desvairado a encher os espaços e são barcos o que procuro para navegar numa praia impossível.

Amo – te com o pensamento colado ao coração e são quentes as memórias onde vives.

Não ouço aves. Tudo no silêncio que abrasa são beijos quentes que nunca te darei em mais nenhum verão, que a juventude escondeu-se de nós, em águas indomáveis de lonjura.

Gonçalo Byrne | Presidente da Ordem dos Arquitectos de Portugal | Entrevista/Diário Imobiliário

Ordem dos Arquitectos – Presidente Goncalo Byrne – Foto de Nuno Almendra | 24 de julho de 2023

Gonçalo Byrne, presidente da Ordem dos Arquitectos (OA) admite que os arquitectos têm pela frente enormes e exigentes desafios para ultrapassar. São os que ganham menos em relação ao resto da Europa mas precisam de começar a abrir portas e a saber dialogar com todos.

Num momento de grandes incertezas económicas e sectoriais, a Ordem dos Arquitectos lançou recentemente um Observatório da Profissão com o objectivo de fazer um ‘retrato’ da profissão e perceber as suas potencialidades, fragilidades e oportunidades. Num momento, em que a actividade passa por diversos desafios, Gonçalo Byrne falou com o Diário Imobiliário e apontou as medidas que têm de ser implementadas para que arquitectura faça parte integrante do urbanismo, do planeamento e dos projectos das cidades. Na sua opinião, a arquitectura é imprescindível. É do bem comum que tratam, mas alerta que os arquitectos precisam de perceber que é necessário reconquistar um lugar onde a diversificação e a interdisciplinaridade será determinante.

Sobretudo, quando se debatem problemas sobre a Habitação. O presidente da OA, fala sobre o projecto “Mais Habitação” e admite que este omite a necessidade premente de um código de edificação, reconhecido como fundamental há mais de 60 anos. Garante ainda que o país tem de perceber que sem políticas públicas adequadas não vamos ter habitações a preços acessíveis para a generalidade dos portugueses. 

Continuar a ler

HABITAÇÃO PARA TODOS – TEMA DE UMA VIDA | João Paciência, Arquitecto

Era um dos temas sempre sublinhados por um dos meus mestres mais queridos e combativos !

Que com a Paz, Pão, Trabalho, Saúde e Habitação, se reproduziam num refrão aparentemente esquecido, mas malgré tout, integrado na nossa Constituição !

E a Habitação aí está de novo a vir da nossa memória a tornar-se absolutamente urgente resolver !

Agora filtrada por concursos, filtrados por plataformas electrónicas, filtrada por muitos e muitos gabinetes que são obrigados a fazer projectos completos com custos e tempos e contratos leoninos, de responsabilidades e tramitação impossíveis, filtrados por leis e artigos, que assustam quem se queira atrever a tentar !

E muitos se recusam, quando era tão simples poder escolher uma ideia que explicitasse uma boa solução em planta dos fogos a construir e de uma imagem que dignificasse uma rua, uma praça, o que fosse !

Ideia que se podia pedir fosse feita numa simples semana, num simples esboço que, feita a escolha evitando a entrega direta, pudesse então dar suporte ao desenvolvimento do projeto, com ou sem a participação logo articulada com um candidato construtor, e assim avançar rápido para a sua concretização urgente !

Ressalvando-se sempre todas as obrigações legais e temporais planificadas atempadamente!

Retirado do Facebook | Mural de João Paciência , Arquitecto

Laudate Dominum (Mozart) | boy soprano Aksel Rykkvin (13 years)

Aksel Rykkvin’s latest album as a boy soprano, ‘Light Divine: Baroque music for treble and ensemble’ is available to buy or stream: http://hyperurl.co/LightDivine Laudate Dominum, from Vesperae solennes de confessore (K. 339) by Wolfgang Amadeus Mozart Aksel Rykkvin (treble) Oslo Domkor / Oslo Cathedral Choir IRIS kammerorkester / IRIS chamber orchestra Vivianne Sydnes (conductor) The performance was part of Desembertoner, which are free Christmas concerts with popular artists in Oslo Cathedral, sponsored by Nordea. Live recording on Dec 16th 2016.

Até sempre, Portugal | Vítor Burity da Silva

Portugal é um país que me marcou profundamente. Desde a primeira vez que o visitei, fiquei encantado com a sua beleza, diversidade, cultura e história. Portugal é um país que tem de tudo: praias, montanhas, rios, cidades, aldeias, castelos, monumentos, gastronomia, vinhos, música, arte e literatura. Portugal é um país que sabe acolher os visitantes com simpatia, hospitalidade e generosidade. Portugal é um país que me fez sentir em casa.

Mas agora chegou a hora de me despedir. Depois de vários anos a viver e a trabalhar neste país maravilhoso, tenho de regressar ao meu país de origem. Não foi uma decisão fácil, mas foi necessária por motivos pessoais e profissionais. Sinto uma mistura de emoções: tristeza por deixar um lugar que me deu tantas alegrias e aprendizagens, gratidão por todas as pessoas que conheci e que me ajudaram, saudade por tudo o que vivi e que vou recordar para sempre, esperança por um futuro melhor para mim e para Portugal.

Não sei se algum dia voltarei a Portugal. Talvez como turista, talvez como residente, talvez como amigo. Mas sei que Portugal ficará para sempre no meu coração. Portugal é mais do que um país, é uma parte de mim. Por isso, não digo adeus, mas até sempre. Até sempre, Portugal.

Retirado do Facebook | Mural de Vítor Burity da Silva

A casa da mãe | Daniela Matos Leite

 A casa da mãe tinha toda a luz do mundo e era cálida quando a hora assim pedia. Quente no inverno e fresca no verão, assim era a casa. Entrada a primavera, revivia. Renascia. Chegávamos como se nunca tivéssemos partido. Qual vara de condão, o tempo parava a respiração. Na casa da mãe não havia dor ou morte, só trevos entrelaçados, alguns de quatro folhas, de mãos dadas com a música suspensa no ar coalhado de pássaros. Na casa da mãe havia euforia. Mãos e pés de danças nas tranças da cozinha e sestas e lanches à tardinha. Na casa não havia noite. Havia a luz, pássaros que bicavam ninhos nos beirais e não partiam. A grande casa continua a habitar o coração, mas a ausência esvaziou-a de mistério. 

Hoje está cheia de silêncio. Escura. Fechada. 

Sou essa casa.

Daniela Matos Leite, 

Palavras de Luz e Sombra, Poética Edições 

Raul Luís Cunha | As posições dos comentadores militares sobre o conflito na Ucrânia

Aproveitando e copiando uma grande parte do notável texto, em resposta aos dislates do coronel DFA, pelo meu amigo MGen Carlos Branco (a quem pedi autorização para o efeito) e após introduzir as necessárias alterações para o referir à minha pessoa e acrescentar algo da minha lavra, especialmente o adjectivar que me é característico, produzi o artigo que se segue e que mais uma vez importa salientar – só foi possível graças ao extraordinário talento do meu Camarada:

“As posições dos comentadores militares sobre o conflito na Ucrânia podem ser, em termos genéricos, divididas em dois grupos, cujos fundamentos reflectem, curiosamente, as suas experiências profissionais. De um lado estão os que estiveram na guerra e, do outro, os que não estiveram (ter passado pela ex-Jugoslávia, quando já não havia guerra, ou mesmo no Afeganistão, mas sem sair do alojamento, não conta como guerra). As vivências pessoais parecem afectar o modo como se percepcionam os acontecimentos. Se é que é possível enquadrar a posição dos indefectíveis apologistas do Zelensky, ela é mais característica do segundo grupo.

É infantil reduzir o presente conflito ucraniano a uma conveniente fórmula maniqueísta e despojá-lo da complexidade que ele encerra. Os bons contra os maus; de um lado, os invadidos, do outro, os invasores. Será, talvez, uma mensagem forte para efeitos de Comunicação Estratégica, porque é simples e fácil de ser apreendida, mas não é útil para ajudar a compreender um conflito complexo.

Continuar a ler