GILLES DELEUZE, O ÚLTIMO GRANDE SPINOZISTA | por Marcos Bazmandegan

Deleuze foi um filósofo original. A sua obra foi uma das mais importantes do século XX, não só porque reavivou o debate metafísico com a questão da Diferença e Repetição, como trouxe novos insights à Ontologia e à Ética. Acima de tudo, foi um grande spinozista. Considerou e apelidou Spinoza de “O Príncipe dos Filósofos”, título roubado a Aristóteles. No seu entusiasmo pelo pensamento de Spinoza, soube ser original, desenvolvendo questões que Spinoza apontou, trazendo-as para o centro da lide filosófica e existencial do terrível e difícil século XX.

O melhor comentário a um original é a produção de outro original, e por isso Deleuze repetiu Spinoza recriando-o, inovando-o, no mesmo espírito.

Ao longo das suas obras, Spinoza é omnipresente. No entanto, 3 monumentos foram erguidos em sua honra. O primeiro, publicado em 1968, constitui a sua prova de agregação como professor universitário: “Spinoza et le problème de l’expression”. Um trabalho mais exaustivo onde aprofunda a estrutura da Ética e desenvolve a questão da univocidade do ser (tão importante para o horizonte da pura imanência). O segundo, em 1970, mais ao estilo de Deleuze, chamado “Spinoza: Philosophie Pratique”, que inclui um poderoso dicionário dos conceitos de Spinoza e algumas análises bastante originais da sua filosofia, relativamente à moral e ao problema do mal, por exemplo. E, por fim, uma série de aulas que foram gravadas, dedicadas a Spinoza, entre os anos de 1978-1981, algumas das quais se encontram no CD intitulado “Spinoza: immortalité et éternité”, onde aborda os mais variados temas de Spinoza à luz da sua própria filosofia.

Deleuze foi o responsável pelo segundo despertar do Spinozismo, em França (o primeiro foi na Alemanha no século XVIII com a chamada “Pantheismusstreit”, disputa do panteísmo de Spinoza). Nele estamos.

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