O escritor brasileiro Machado de Assis rompe com o idealismo romântico de toda uma geração de escritores (por exemplo José de Alencar) e inagura uma outra escola literária: o realismo.
Mas, além desse mérito, ele também é conhecido como o mestre da ironia, recurso do qual usa e abusa na maioria de suas histórias.
“A Filosofia tem um perigo terrível, que é o de cada homem, por esse pensamento filosófico, acabar de construir uma verdade e achar que é o senhor da Verdade e, portanto, ter quase à mão uma Inquisição pronta a agir.
Quanto à Ciência é a mesma coisa. Quanto à Ciência, também o perigo de pensarmos que o Universo é inteiramente racional, que o Universo é inteiramente matemático, que tudo está dentro de uma determinação de lógica matemática quando, hoje, a própria Física Quântica está a chegar ao ponto de ter de concordar que a Vida tem mais imaginação que a Matemática.
Eu queria mais altas as estrelas, Mais largo o espaço, o Sol mais criador, Mais refulgente a Lua, o mar maior, Mais cavadas as ondas e mais belas;
Mais amplas, mais rasgadas as janelas Das almas, mais rosais a abrir em flor, Mais montanhas, mais asas de condor, Mais sangue sobre a cruz das caravelas!
E abrir os braços e viver a vida: – Quanto mais funda e lúgubre a descida, Mais alta é a ladeira que não cansa!
E, acabada a tarefa… em paz, contente, Um dia adormecer, serenamente, Como dorme no berço uma criança!
I Depois de escrever vários livros em que reconta a História do Brasil, com base em documentos manuscritos de arquivos portugueses e brasileiros, o historiador e arquiteto Nireu Cavalcanti acaba de publicar Borbulhar da Memória (Edições Júlio e Maria, 2024), em que trata de reconstituir a história de sua própria família, gente oriunda do agreste e do sertão de Alagoas, entre Palmeira dos Índios e Santana do Ipanema, que se transferiu para Maceió em 1947, quando o autor tinha apenas três anos, e, finalmente, para o Rio de Janeiro, em 1962.
Para melhor recuperar os anos perdidos, o autor ainda agrega ao livro depoimentos de quatro de seus irmãos, que enriquecem o trabalho.
Pediu o título emprestado a Séneca e conquistou o Prémio José Saramago no final de 2024. Morramos ao menos no porto, o segundo livro de Francisco Mota Saraiva, chega às livrarias a 20 de março com carimbo da Quetzal Editores. Trata-se de um romance que abala os fundamentos da narrativa clássica, um fogo que alastra até consumir todas as suas personagens e que revela o seu autor como uma voz poderosa na literatura portuguesa.
Intenso e comovente, o novo Prémio José Saramago é um romance que trata da perda, da melancolia e da recordação, num registo fragmentado que desafia o leitor. Morramos ao menos no porto acompanha a ligação de Silvina e António, um retrato de um casamento de vinte e cinco anos contado em diferentes dimensões. Um livro sobre amor, finitude e memória, que dá voz aos mortos que murmuram debaixo do chão de casa.
Com as autoras Raquel Serejo Martins, Catarina Santiago Costa, Inês Dias, Marta Magalhães, Rosalina Marshall, Renata Correia Botelho, Cláudia Lucas Chéu, Marta Chaves, Filipa Leal, Inês Fonseca Santos, Raquel Nobre Guerra, Yara Nakahanda Monteiro, Cláudia R. Sampaio, Raquel Gaspar Silva, Catarina Nunes de Almeida, Minês Castanheira, Raquel Lima, Gisela Casimiro, Beatriz Hierro Lopes, Tatiana Faia, Sara F. Costa, Inês Francisco Jacob, Mafalda Sofia Gomes, Beatriz de Almeida Rodrigues e Sara Duarte Brandão.
«Este livro conta a história de uma cientista portuguesa com uma projeção única a nível internacional», escreve o autor no arranque do livro Elvira Fortunato – Uma vida de paixão pela ciência. Durante mais de três décadas como jornalista do Expresso, Virgílio Azevedo acompanhou o mundo da ciência, o que lhe permitiu seguir de perto, ao longo de quase vinte anos, uma das maiores figuras do panorama nacional nesta área: Elvira Fortunato.
Sinopse|“Política Explicada aos Mais Novos” é um guia acessível e inspirador que torna os conceitos de política e democracia simples e interessantes para os jovens.
Criado com a ajuda de inteligência artificial, este livro desmistifica a política, mostrando como ela molda o nosso dia a dia e o futuro do mundo.
Com histórias, exemplos práticos e linguagem clara, é uma ferramenta essencial para ajudar os jovens a compreenderem o valor da cidadania e a importância da participação ativa.
Descobre como a política pode ser mais próxima e relevante do que imaginas!
No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra.
Trabalho de conclusão de curso mostrou a trajetória do jornalista e escritor Adelto Gonçalves
Há 20 anos, ao final de 2004, os alunos José Djacy Campos Freire e Elaine Cristina da Cunha defenderam, na Faculdade de Comunicação e Artes do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), atual Universidade São Judas-campus Unimonte, de Santos, o trabalho de conclusão de curso (TCC) intitulado Adelto Gonçalves – vida e obra de um autor santista. O TCC, que contou com a orientação da professora doutora Fátima de Azevedo Francisco, é uma grande reportagem que procura mostrar a trajetória até então do jornalista, professor e escritor Adelto Gonçalves (1951), autor de obras publicadas no Brasil e em Portugal.
No livro “O Nome da Rosa” de Umberto Eco há um trecho muito interessante e que nos faz pensar; trata-se de um dos diálogos entre o abade cego e o investigador William de Baskerville.
– Que almejam verdadeiramente? – pergunta-lhe o abade.
– Eu quero o livro grego, aquele que, segundo vocês, nunca foi escrito – responde Baskerville. – Um livro que só trata de comédia, que odeiam tanto quanto risos. Provavelmente é o único exemplar conservado de um livro de poesia de Aristóteles. Existem muitos livros que tratam de comédia. Por que esse livro é precisamente tão perigoso?
– Porque é de Aristóteles e vai fazer rir! – conclui o abade.
– O que há de perturbador no fato de os homens poderem rir? – replica Baskerville.
– O riso mata o medo, e sem medo não pode haver fé. Aquele que não teme o demônio não precisa mais de Deus – explica-lhe o abade.
“A liberdade, Sancho, é um dos dons mais preciosos que os céus deram aos homens; com ela não podem igualar-se os tesouros que encerram a terra e o mar: pela liberdade assim como pela honra, pode e deve aventurar-se a vida.”
O clamor dos deserdados da terra Em novo livro, Whisner Fraga reúne 55 minicontos que reproduzem o drama dos excluídos que vivem nas ruas de São Paulo. E o faz sem perder a ternura I Histórias dos deserdados da terra que habitam as ruas de São Paulo compõem As fomes inaugurais (Editora Sinete, 2024), o mais recente livro de Whisner Fraga, autor de mais de uma dezena de obras nos gêneros romance e contos, algumas premiadas. Desta vez, são 55 minicontos sobre personagens que se acostumaram a viver à margem de uma sociedade que não só não tem interesse em acolhê-los como faz questão de enxotá-los de suas calçadas.
Esta semana, Camões desloca-se até à fragata D. Fernando II e Glória para receber um dos mais importantes escritores portugueses das últimas décadas: Gonçalo M. Tavares. Autor do magistral “Uma Viagem à Índia”, a única resposta consequente a “Os Lusíadas”, e pretexto para falarmos da epopeia camoniana.
Sempre com produção da Terra Líquida, do inseparável Ricardo Espírito Santo, em parceria com o El Corte Inglés e a Ushindi.
A quarta Mesa de Debate do 26.º Correntes d’Escritas foi dedicada ao quadro “A Torre de Babel”, de Pieter Brueghel.
A conversa, moderada por Manuel Alberto Valente, juntou, esta quinta-feira, no Cine-Teatro Garrett, os autores Ivo Machado, João Luís Barreto Guimarães, Margarida Ferra, Patrícia Portela e Ariana Harwickz.
Apesar de confessar não ser um amante da pintura de Pieter Brueghel, Ivo Machado sublinhou a atualidade da obra que deu nome à mesa de debate, pois “continuamos todos vivendo em torres, e tantas vezes construídas por nós próprios”. Para o autor, a Humanidade continua, a cada dia, a almejar uma Babel, como forma de “ultrapassar o desconhecido” e na esperança que o presente alcance “uma outra Babel, quem sabe mais desafiadora, sólida e bem conseguida”.
Clarice Lispector nasceu em 10 de dezembro de 1920, na Ucrânia, em uma família judia que fugia da persegu¡ção aos judeus durante a Guerra Civil Russa. Seu nome de nascimento era Haia Pinkhasovna Lispector. Em 1922, seus pais emigraram para o Brasil, estabelecendo-se primeiro em Maceió e depois no Recife.
A infância de Clarice foi marcada por dificuldades financeiras e pela d0ença de sua mãe, vít¡ma de síf¡lis. A família acreditava que, ao se mudar para um país de clima mais quente, a saúde dela melhoraria. Contudo, sua mãe partiu para a eternidade quando Clarice tinha cerca de nove anos.
Marcelo Rebelo de Sousa e Lula da Silva entregaram juntos o Prémio Camões 2024 atribuído a Adélia Prado. Os presidentes de Portugal e Brasil elogiaram a obra da poetisa brasileira.
A incomparável Danielle Steel abre novos caminhos nos seus livros e leva agora os leitores até à Inglaterra do século XIX, onde uma jovem da alta nobreza é forçada a lançar-se ao mundo, iniciando uma jornada de sobrevivência, mas também de sensualidade – e de busca por uma justiça há muito procurada. A Duquesa chega às livrarias no dia 13 de fevereiro e promete conquistar os fãs de romances históricos e narrativas inspiradoras.
No centro desta história está Angélique Latham, uma jovem aristocrata que vê o seu destino mudar drasticamente após a morte do pai, o Duque de Westerfield. Expulsa da própria casa pelos meios-irmãos e sem recursos, Angélique parte para Paris, onde, com inteligência e audácia, desafia todas as convenções ao criar uma casa de prazer exclusiva e sofisticada. No entanto, num mundo dominado pelos homens, poderá Angélique reescrever o seu próprio destino e recuperar o seu lugar de direito no mundo?
Nesta obra, a autora combina romance, drama e intriga de forma a criar um enredo cativante que explora temas como a resiliência feminina e a luta por justiça numa sociedade rígida e patriarcal.
A Duquesa estará disponível nas livrarias no dia 13 de fevereiro.
Lisboa, 4 de fevereiro de 2025 | Maria Teresa Horta, a última das «Três Marias». Patrícia Reis, biógrafa da escritora, diz que «Maria Teresa é para sempre».
A Contraponto Editores manifesta publicamente a mais profunda tristeza pela morte de Maria Teresa Horta, aos 87 anos, uma das personalidades mais influentes e inspiradoras do nosso tempo. Defensora incansável da liberdade e dos direitos das mulheres, numa altura em que assumir essa luta exigia uma determinação inabalável, Maria Teresa Horta deixa uma obra marcante que merece continuar a ser lida e admirada por várias gerações.
Juan Luis Arsuaga é um fiel visitante do Museu do Prado, que começa sempre as suas visitas pelo mesmo ponto de partida: as salas de escultura clássica. Este paleontólogo vê com especial interesse os corpos humanos esculpidos em pedra e é assim que arranca o livro O Nosso Corpo.
«O meu propósito neste livro é explicar o corpo humano (todos temos um) da perspetiva deste artista improvável que é a evolução, grande escultora de corpos todos eles belos, todos eles perfeitos», escreve o autor na introdução. Atento aos sete milhões de anos de evolução do corpo humano, Arsuaga viaja ao passado e regressa ao presente para explicar os modos e as razões desta evolução.
I Um panorama do que os literatos produziram no Estado de Goiás em quase três séculos é o que traz o livro Goiás + 300 – Literatura, volume V de um box que reúne mais duas obras – Cronistas e Viajantes, volume IV, e Povos Originários, volume VI. O volume V é formado por 23 capítulos que contam com a participação de 28 autores e foi organizado por Goiandira Ortiz de Camargo, doutora em Literatura Brasileira, pós-doutora em Poesia Brasileira e professora aposentada da Universidade Federal de Goiás (UFG), Maria Severina Guimarães, doutora e pós-doutora em Estudos Literários pela UFG e professora da Universidade Estadual de Goiás (UEG), e Bento Jayme Fleury Curado, doutor (UFG) e pós-doutor em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP), professor da Secretaria de Educação de Goiás e sócio do Instituto Cultural e Educ acional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado (Icebe).
Acaba de ser anunciado o programa da 26.ª edição do Correntes d’Escritas que, este ano, conta com a presença de dez autores do Grupo BertrandCírculo. De 15 a 22 de fevereiro, a Póvoa de Varzim, como tem vindo a acontecer desde o início do século, é palco de muitas conversas e atividades que privilegiam os livros e a literatura. Este ano, com especial destaque para a sessão de lançamento do novo livro de Helena Vasconcelos, O Que Está Para Vir: Uma vida com Julião Sarmento. Memórias, da Quetzal, agendada para sexta-feira, 21 de fevereiro.
O poeta João Luís Barreto Guimarães, também da Quetzal, é um dos finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa, com Aberto Todos os Dias, sendo o vencedor anunciado durante a cerimónia de abertura do festival, a 19 de fevereiro. Este ano, a revista Correntes d’Escritas – Revista de Cultura Literária da Póvoa de Varzim presta homenagem a Onésimo Teotónio Almeida (Quetzal), «o único escritor que esteve presente em todas as edições do evento, desde os idos de 2000». Também num registo que conta com três anos, Álvaro Laborinho Lúcio (Quetzal) integra o elenco do espetáculo A Casa, apresentado este ano pela última vez. Em cena nos dias 14, 15, 16, 17 e 21 de fevereiro, às 18h00 e às 19h30.
Em 2025, os quadros dão o mote para as mesas – falamos de A Origem do Mundo, de Gustave Courbet, O Jardim das Delícias Terrenas, de Hieronymus Bosch, A Coluna Partida, de Frida Kahlo, ou Guernica, de Pablo Picasso, entre outros –, e, além dos autores já referidos, vão estar presentes Ana Cristina Silva (Bertrand Editora), Manuel Alberto Valente, Maria do Rosário Pedreira, Mário Rufino (Quetzal), Patrícia Reis e Rosa Alice Branco (Contraponto Editores). Ana Cristina Silva também estará presente na conversa agendada para dia 24 de fevereiro, no Instituto Cervantes, em Lisboa.
SINOPSE | Os ensaios deste volume tratam de Fernando Pessoa, Vergílio Ferreira, José Saramago, Eduardo Lourenço, Natália Correia, José Rodrigues Miguéis, José Enes ou Jorge de Sena. Como considera o autor, «não se debruçam propriamente sobre questões literárias — e aqui está mais um elemento de unidade deste volume —, mas sobre a problemática dos valores (nas suas dimensões ética e estética) relacionados com a obra de cada um desses autores. Mesmo o ensaio sobre o cânone literário, ou até esse outro sobre o humor na literatura portuguesa, podem ser enquadrados num paradigma comum. Excetuado Fernando Pessoa, convivi com todos, o que me data implacavelmente.»
Através de casos pessoais, a presente narrativa pretende ser a evocação de uma época, de uma fractura na História de Portugal. Ter-se nascido na ditadura (nas censuras, nas representações), vivdo a revolução (o sonho, a desmesura), contribuído para a Democracia (a liberdade, a diversidade), imergido no neoliberalismo (o lucro, a excendetarização) foram experiências-limite concedidas às gerações que, agora, começam a sair, mal-amadas, de cena. Mal-amadas por míngua de sentimentos, por excesso, ausência, desencontro, receio deles. É a sua memória, mágoa, sarro, utopia, ousadia que aqui se encenam, nesta versão recriada so Nascido no Estado Novo.
Costa Gomes evita a guerra civil Implacabilidades de Álvaro Cunhal A morte silenciada de Marcello Caetano O fenómeno dos Retornados Premonições de Natália Correia Agostinho da Silva revela Confidências de Fernando Pessoa E antevê: a sobrevivência de Portugal, quando a CE bloquear, está em África Uma nova etapa germinará através da lusofonia.
Ficcionista e autor dramático, formado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, exerceu a actividade profissional de jornalista, na sequência da qual publicou os trabalhos de investigação jornalística Os Retornados Estão a Mudar Portugal (Grande Prémio de Reportagem do Clube Português de Imprensa) e Moçambique, Todo o (…)
David Lodge (1935-2025) foi um mestre do romance satírico britânico e a sua obra encerra uma análise plena de ironia da sociedade em que vivemos, desmascarando a vaidade, a hipocrisia e a mesquinhez que a cada passo encontramos. Discípulo de Jonathan Swift ou de Henry Fielding, seguiu as pisadas de Evelyn Waugh, de Graham Greene ou até de Chesterton, fazendo chegar até nós o saudável espírito de um cristão inconformista, empenhado em distinguir o essencial e o acessório, pondo em primeiro lugar o sentido crítico e o respeito mútuo.
27/11/2019 | Neal Grossman, PhD, is an emeritus associate professor of philosophy at the University of Illinois, Chicago. He is author of Conversations with Socrates and Plato: How a Post-Materialist Social Order Can Solve the Challenges of Modern Life and Insure Our Survival. He is also author of The Spirit of Spinoza: Healing the Mind.
Here he points out that the 17th century philosopher, Benedict Spinoza, was excommunicated from the Jewish community of Amsterdam. He did not believe that God was wholly separate from creation, but rather that the universe is created from God and is, therefore part of God. We are like cells in the body of God. Spinoza was a rationalist. The main thrust of his philosophy was to enable individuals to have the experience of unity with the divine. As such, he was one of philosophy’s greatest mystics.
“Quando o famoso escritor russo Fiódor Dostoiévski [… ] era um prisioneiro na Sibéria, longe do mundo, entre quatro paredes e rodeado de planícies desoladas de neve sem fim, e pediu ajuda numa carta à sua família distante, ele apenas disse: “Me mandem livros, livros, muitos livros para que minha alma não morra! “Ele estava com frio e não pediu fogo, tinha muita sede e não pediu água: pediu livros, ou seja, horizontes, ou seja, escadas para subir ao cume do espírito e do coração.”
15/03/2024 ✪ | Neste vídeo mergulharemos nas reflexões inspiradoras de Hermann Hesse, um visionário cujas palavras ecoam através do tempo, oferecendo uma luz na escuridão da vida moderna. Você já se sentiu como um lobo solitário, ansiando pela liberdade que a natureza oferece? Ou talvez você se veja como um espírito livre, lutando para se encaixar em um mundo que parece estranho e sufocante? Se essas questões ressoam com você, então você está no lugar certo. Junte-se a nós enquanto exploramos a vida e as obras de Hermann Hesse, desvendando os mistérios da existência e encontrando o significado da vida na vastidão da natureza.
Sinopse | O primeiro incidente militar numa aldeia do Norte de Moçambique marca, em agosto de 1914, o início da Primeira Guerra Mundial no continente africano.
Esse inesperado episódio despoleta, para além disso, uma série de misteriosos eventos que culminam com o desaparecimento da escrita no mundo. Livros, relatórios, documentos, fotografias, mapas surgem deslavados e ninguém mais parece ser capaz de dominar a arte da escrita.
Os habitantes dessa aldeia são chamados a restabelecer a ordem no mundo, ensinando aos europeus o ofício da escrita e as artes da navegação.
Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique, em 1955. Foi jornalista e professor, e é, atualmente, biólogo e escritor. Está traduzido em diversas línguas. Entre outros prémios e distinções (de que se destaca a nomeação, por um júri criado para o efeito pela Feira Internacional do Livro do Zimbabwe (…)
Retirado do Facebook | Mural de Edivaldo Silva Carvalho
Extraordinário escritor alemão, autor de, entre outros, “Sidarta” (1922) e “Damien”(1919), vencedor do Nobel de Literatura em 1946. Li “Sidarta”, em 1973, livro fundamental na minha vida.
“Precisamos ficar tão sozinhos, isolados, de tal forma que nos obrigue a nos interiorizar até chegarmos ao ser absolutamente profundo que somos. Não é fácil, nem indolor este isolamento… Mas quando vencemos esta solidão, encontramos o maior tesouro de todos: nossa alma, a presença de Deus em nós mesmos. A partir disso, nos encontramos no meio de todas as coisas, sem nos perturbar com nada, pois sabemos sem a menor dúvida, que somos um com todo o universo.”
‘O Mundo, Uma História da Humanidade’, Simon Sebag Montefiore. O carimbo mais utilizado para classificar este livro terá sido ‘monumental’. Faz sentido, não pelo facto de se tratar de um calhamaço com perto de 1.300 páginas na edição portuguesa, incluindo as referências bibliográficas e o índice remissivo, mas porque a quantidade de informação é torrencial e exige uma leitura pausada e concentrada, escassamente adequada ao passo apressado, curto e superficial, que caracteriza os tempos actuais.
Temos o prazer de vos convidar para a sessão de discussão do Livro “Por Um Mundo Novo, a Sério – Uma Ideologia Progressista no seculo XXI, apoiada na Ciencia e na Experiência dos Movimentos Sociais”, que vai ter lugar já no próximo dia 12 de dezembro 2024, Quinta-feira, pelas 18h, no Centro Nacional de Cultura (CNC), Lisboa (entrada ao lado do Cafe’ do Chiado).
Em novo livro, o poeta exercita a arte dos limeriques e recupera aforismos e ditados tradicionais | Adelto Gonçalves (*)
I
Ao contrário do haikai, um tipo de poema de origem japonesa, mas muito popularizado no Brasil e exercitado por grandes nomes como Guilherme de Almeida (1890-1969), Paulo Leminski (1944-1989) e Millor Fernandes (1923-2012), o limerique, poema de forma fixa composto por cinco versos, com a primeira, a segunda e a quinta linhas terminando com a mesma rima, ainda é pouco conhecido entre os leitores de língua portuguesa. Trata-se de uma forma poética que, a rigor, não oferece muita poesia, mas que flerta com o humorismo e a irreverência, sendo utilizado para se contar uma piada ou uma boutade, de maneira criativa e concisa, ou seja, uma tirada espirituosa. Ou repetir um aforismo, explicitando uma regra ou princípio de alcance moral.
Com 16 textos extremamente ricos em pesquisas, obra traça o percurso histórico da capital de Goiás
I
Uma profunda reflexão sobre a história de Goiânia é o que o leitor vai encontrar em Goiânia, 90Anos (Coleção Goiás +300, Instituto Histórico e Geográfico de Goiás – IHGG), obra lançada em 2024 dentro do programa de comemoração dos 90 anos de existência da cidade e que reúne 16 textos apresentados durante simpósio realizado nos dias 18, 19 e 20 de outubro de 2023, nas dependências do IHGG, por historiadores, professores universitários, ativistas culturais e técnicos em planejamento. A primeira parte do livro aborda aspectos históricos, enquanto a segunda apresenta artigos que tratam de temas relacionados ao urbanismo e à arquitetura, ficando a terceira seção reservada à discussão de elementos culturais e estéticos.
“Temo somente uma coisa, não ser digno do meu tormento.” Fiódor Dostoiévski/Eu pertenço a momentos rápidos e fúteis de sentimentos intensos. Sim, pertenço a momentos. Não para as pessoas. Virgínia Woolf./Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo. Michel Foucault./
A sede da UBE-RJ a cada dois anos escolhe livros de qualidade técnico-editorial de renome para serem premiados, em confraternização que acontece na cidade maravilhosa. Entre os escolhidos para o biênio 2023/2024 está o livro ALUCILMNAS de Silas Correa Leite, que evoca, homenageia, referencia e reverbera e em tese continua a singular e portentosa obra da poeta norte-americana Sylvia Plath.
«A vida de Du Fu, no auge da sua criatividade, foi passada como um refugiado na estrada, deslocando-se de um lugar para outro», escreve Michael Wood na introdução do livro e conta que foi no outono de 2019 que partiu em viagem seguindo os passos que o poeta deu. O autor passou por vários locais e confessa que descobriu não só a história deste, como uma China antiga.
A carreira de Du Fu (712-770), o maior poeta da China, coincidiu com períodos de fome, guerra e migração interna, mas a sua visão filosófica secular, aliada à sua empatia com as pessoas comuns, transformou-o na voz do povo chinês. A amizade, a família, a beleza da natureza, o amor e o sofrimento humano são alguns dos temas da sua obra e que se caracterizam pela abrangência e intemporalidade, tocam todas as pessoas e todas as épocas, tanto agora como há quase 1300 anos. No livro é possível ler algumas passagens da sua poesia.
«Há Shakespeare, há Dante e há Du Fu: estes são poetas que criaram os próprios valores pelos quais a poesia é julgada; eles definiram o vocabulário emocional da sua cultura», constatou Stephen Owen, o tradutor americano do poeta. Para a edição nacional a tradução foi feita por Magda Barbeita, docente do Instituto Camões na Universidade de Comunicação da China e responsável pelo Centro de Língua Portuguesa de Pequim desde 2019.
Este livro acompanha o filme da BBC Du Fu: China’s Greatest Poet, criado por Michael Wood e com Sir Ian McKellen na leitura de poemas de Du Fu. | A obra chega às livrarias a 14 de novembro.
Retirado do Facebook | Mural de Maria Teresa Carrapato
– De quel isolement parlez-vous ?
– De l’isolement dans lequel vivent les hommes, en notre siècle tout particulièrement, et qui se manifeste dans tous les domaines. Ce règne-là n’a pas encore pris fin et il n’a même pas atteint son apogée.
A l’heure actuelle, chacun s’efforce de goûter la plénitude de la vie en s’éloignant de ses semblables et en recherchant son bonheur individuel. Mais ces efforts, loin d’aboutir à une plénitude de vie, ne mènent qu’à l’anéantissement total de l’âme, à une sorte de suicide moral par un isolement étouffant.A notre époque, la société s’est décomposée en individus, qui vivent chacun dans leur tanière comme des bêtes, se fuient les uns les autres et ne songent qu’à se cacher mutuellement leurs richesses.
“Talvez eu parta em breve, e então não restará memória de mim, nem rostos próximos ao meu túmulo. Aqueles que me conheceram poderão dizer: ‘Ele foi um bom cavalheiro.’ Outros, no entanto, dirão: ‘Um canalha desprezível.’
A página da minha vida será fechada, sem deixar rastro de minha passagem. A vida seguirá seu curso, tal como era antes, imutável e indiferente. O sol continuará a nascer a cada manhã, e a se pôr ao fim de cada dia. Apenas a minha ausência será a única marca da mudança.
E assim vivi, perdido em preocupações e dúvidas, atormentado pelo passado e pelo futuro, esquecendo de mim mesmo e enredado no que os outros diziam.”
“A Odisseia”, atribuída ao poeta grego Homero, é uma das obras literárias mais antigas e fundamentais da cultura ocidental, formada por uma sequência de aventuras que narram a longa jornada de retorno de Odisseu, ou Ulisses, após a Guerra de Troia. Escrita aproximadamente no século VIII a.C., A Odisseia é uma epopeia que vai além da aventura e do heroísmo, explorando temas profundos como a astúcia humana, a perseverança, o destino, a hospitalidade e o valor da casa e da família. Estruturada em 24 cantos, a narrativa de Homero reflete a visão de mundo da Grécia Arcaica, mas também aborda questões atemporais sobre a condição humana, o que a torna uma obra perene e de grande relevância cultural.
A leitura de Vale das ameixas (245 páginas, Editora Sinete, São Paulo, 2024), do escritor Hugo Almeida, exige concentração integrada de amorosidade: mente e coração abraçados, pois as personas narrantes são muitas, criando um dédalo de alta sofisticação narrativa, em fluxo enredante de consciência (s). Mas compensa, e bastante, atravessar esse Vale. Recompensa.
Dessa complexidade múltipla de narrativas, que são teia, o autor, definitivamente, aprimora o que é ler, experiência de despedir-se do mundo fragmentado e fragmentário atual para enaltecer o “viver” integralmente enquanto momento de leitura. Difícil?… Só os rasos amam o fácil de hoje. Fechar a porta, sair do imediatismo e adentrar o Vale.
O abraço é uma longa conversa que acontece sem palavras.
“Diz-se que o nosso corpo tem a forma de um abraço.Talvez por isso a tarefa de abraçar seja tão simples, mesmo quando temos de percorrer um longo caminho. O abraço tem uma incrível força expressiva. Comunica a disponibilidade de entrar em relação com os outros, superando o dualismo, fazendo cair armaduras e motivos, cedendo, nem que seja por instantes, na defesa do espaço individual.
Há uma tipologia vastíssima de abraços, e cada uma delas ensina alguma coisa sobre aquilo que um abraço pode ser: acolhimento e despedida, congratulação e luto, reconciliação e embalo, afeto ou paixão. Os abraços são a arquitetura íntima da vida, o seu desenho invisível, mas absolutamente presente; são plenitude consentida ao desejo e memória que revitaliza. Todos nos reconhecemos aí: em abraços quotidianos e extraordinários, abraços dramáticos ou transparentes, abraços alagados de lágrimas ou em puro júbilo, abraços de próximos ou de distantes, abraços fraternos ou enamorados, abraços repetidos ou, porventura, naquele único e idealizado abraço que nunca chegou a acontecer mas a que voltamos interiormente vezes sem conta.
No princípio era o abraço, se pensarmos no colo que nos nutriu na primeira infância. Essa foi, para a maioria de nós, a primeira e reconfortante forma de comunicação. Mas a necessidade de um abraço acompanha a nossa existência até ao fim.
O abraço é uma longa conversa que acontece sem palavras.
Tudo o que tem de ser dito soletra-se no silêncio, e ocorre isto que é tão precioso e afinal tão raro: sem defesas, um coração coloca-se à escuta de outro coração.
Da arquitetura californiana aos westerns de Hollywood, da publicidade moderna aos centros comerciais, dos orgasmos à cirurgia de confirmação do sexo, da fissão nuclear às cozinhas equipadas — todos os aspetos da nossa história, ciência e cultura são, de alguma forma, moldados por Viena.
Este é o relato panorâmico de como uma cidade criou o mundo moderno — e de como todos nós permanecemos inevitavelmente vienense.
Uma história nova e essencial da Europa Central, os territórios dos Reinos do Meio cujas desavenças tantas vezes estiveram no centro da história mundial.
Martyn Rady escreveu a história definitiva da Europa Central, mostrando que esta região foi sempre mais do que a zona divisória entre o Ocidente e o Oriente. Aos centro-europeus devemos a Reforma e o Romantismo, o desenvolvimento da filosofia do Renascimento e do Iluminismo e a criação de alguns dos movimentos artísticos mais importantes do século XX. Baseada em toda uma vida de investigação e estudo, esta obra narra como nenhuma outra a história impressionante da Europa Central ao longo de dois mil anos e explica-nos o porquê da sua importância extraordinária para os assuntos globais.
“Guerra e Paz”, uma das obras mais monumentais da literatura mundial, escrita por Liev Tolstói entre 1865 e 1869, é um retrato épico da sociedade russa durante as guerras napoleônicas, mas vai muito além de uma narrativa de eventos históricos. O romance oferece uma profunda meditação sobre a natureza humana, a guerra, o destino e o papel do indivíduo na história.
Estrutura e Narrativa
Tolstói não se limita a uma estrutura convencional. Ao contrário, “Guerra e Paz” mescla elementos de romance, ensaio filosófico e historiografia. Os capítulos alternam-se entre descrições minuciosas de batalhas e a vida íntima de diversas famílias aristocráticas russas. A vasta gama de personagens — como o introspectivo Pierre Bezukhov, o idealista Príncipe André Bolkonsky, e a complexa Natasha Rostova — representa uma rica tapeçaria de emoções e perspectivas.
A tarde ardia em cem sóis O verão rolava em julho. O calor se enrolava no ar e nos lençóis da datcha onde eu estava, Na colina de Púchkino, corcunda, o monte Akula, e ao pé do monte a aldeia enruga a casca dos telhados.
As grandes catástrofes sempre inquietaram e suscitaram a curiosidade do ser humano. O debate em torno do Terramoto de 1755 tem razões para não se esgotar. No dia 1 de Novembro de 2005 comemorou-se o seu 250.º aniversário.
Para além disso, acresce nas nossas consciências o panorama de turbulência política, religiosa e civilizacional que tem dominado a história recente. O Grande Terramoto, à semelhança de outras catástrofes, esteve na origem de uma vasta produção cultural e intelectual, colocando em destaque os modos de pensamento e as polémicas dominantes de então. Evocar esta história significa colocar na ribalta as controvérsias setecentistas, abrindo novas perspectivas sobre as implicações da efeméride, mas também sobre os paralelismos que é possível estabelecer com a actualidade.
Albert Camus, a towering figure in 20th-century philosophy and literature, left an indelible mark on the world through his writings and ideas. Born in 1913 in French Algeria, Camus grew up in poverty, raised by his mother after his father died in World War I. His early life experiences in Algeria—a land marked by colonial tensions—shaped much of his worldview, laying the foundation for his later work on the human condition, morality, and the absurd. Camus became known not just as a writer but as a public intellectual, blending existentialist ideas with a sense of humanistic responsibility.
Levantei-me agora da cama – sesta das três da tarde de fim de semana – e, se me deitara a não pensar em coisa nenhuma, levantei-me a pensar na nudez. Já de pé, saiu-me esta conclusão tão trivial como todas as que nascem de uma sesta de fim de semana: há uma dissimulada diferença entre a nudez americana e a nudez europeia.
Lembro-me, em Los Angeles, eram 10 da noite, ou talvez fossem já umas tardias 11, estávamos todos vestidos, numa bebida pós-prandial, a música techno a acariciar a azulíssima piscina do Chateau Marmont, e uma mulher deixou cair o alvo roupão aos pés. Estava nua, mergulhou na transparência azul, e a sua nudez nadou uns bons inefáveis minutos. Mulheres e homens à volta tragaram o seu espanto com a displicência de quem bebe a última gota de uísque. A mulher nua saiu das venusianas águas, logo coberta pelo roupão. Não houve um ah! de espanto aos seus seios e delicada púbis, nem um sentido aplauso à nudez asséptica da jovem mulher americana.
Era uma Mulher que escrevia explicitamente sobre sexo do ponto de vista feminino, mas também sobre a beleza das emoções. Adorada por alguns, odiada por muitos e incompreendida pela maioria, Anaïs Nin nasceu na França, na área metropolitana de Paris, em 21 de fevereiro de 1903.
Tinha dois irmãos. Seu pai, Joaquin Nin, era pianista e compositor, e sua mãe, Rosa Culmell, uma cantora de formação clássica. Ambos nasceram em Cuba.
Talvez seja por isso que Anaïs desde criança se sentiu atraída pelo mundo da arte.
Quando ela tinha 10 anos, a família de seu pai mudou-se para Barcelona, e abandona-os.
I Eu nunca guardei rebanhos, Mas é como se os guardasse. Minha alma é como um pastor, Conhece o vento e o sol E anda pela mão das Estações A seguir e a olhar. Toda a paz da Natureza sem gente Vem sentar-se a meu lado. Mas eu fico triste como um pôr de sol Para a nossa imaginação, Quando esfria no fundo da planície E se sente a noite entrada Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego Porque é natural e justa E é o que deve estar na alma Quando já pensa que existe E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos Para além da curva da estrada, Os meus pensamentos são contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos Ser poeta não é ambição minha É a minha maneira de estar sozinho.
E se desejo às vezes Por imaginar, ser cordeirinho (Ou ser o rebanho todo Para andar espalhado por toda a encosta A ser muita coisa feliz ao mesmo tempo), É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol, Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz E corre um silêncio pela erva fora.
Quando me sento a escrever versos Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos, Escrevo versos num papel que está no meu pensamento, Sinto um cajado nas mãos E vejo um recorte de mim No cimo dum outeiro, Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias, Ou olhando para as minhas ideias e vendo o meu rebanho, E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz E quer fingir que compreende.
Saúdo todos os que me lerem, Tirando-lhes o chapéu largo Quando me vêem à minha porta Mal a diligência levanta no cimo do outeiro. Saúdo-os e desejo-lhes sol, E chuva, quando a chuva é precisa, E que as suas casas tenham Ao pé duma janela aberta Uma cadeira predileta Onde se sentem, lendo os meus versos. E ao lerem os meus versos pensem Que sou qualquer cousa natural – Por exemplo, a árvore antiga À sombra da qual quando crianças Se sentavam com um baque, cansados de brincar, E limpavam o suor da testa quente Com a manga do bibe riscado.
Em novo livro de ensaios, o poeta discute a linguagem poética e temas da atualidade
I
Depois de lançar Bifurcações – memória, resistênciaeleitura (Brasília, Baú do Autor, 2022), o poeta, jornalista e ensaísta Salomão Sousa volta a contemplar seus leitores com outro livro de ensaios, Poesiaealteridade (Brasília, edição do autor, 2024). Nesta obra, reúne dez textos nos quais, entre outros temas, procura compreender a importância e o alcance da poesia, exalta a produção dos poetas Anderson Braga Horta e Alexandre Pilati, discute a recepção e o significado do romance Grandesertão: veredas (1956), de João Guimarães Rosa (1908-1967), historifica a trajetória dos principais integrantes da última geração de poetas goianos, da qual é ilustre participante, analisa os romances Ocastelo (1926), de Franz Kafka (1883-1924), e SobosolhosdoOcidente (1911), de Joseph Conrad (1857-1924), e, por fim, discute o conceito de alteridade.
No ano em que se assinalam 500 anos da morte de Vasco da Gama, o Clube do Autor publica nova edição de «Índias», de João Morgado, um romance biográfico sobre este herói imperfeito de Portugal, vencedor do Prémio Literário António Alçada Baptista.
«O autor continua, com probidade, a visão de Alexandre Herculano, fundador do romance histórico em Portugal, sobre a confecção rigorosa deste género literário.»
– Miguel Real, escritor e crítico literário
O que esconde o grande herói do tempo dos Descobrimentos?
Porque era odiado por todos e tinha a admiração de D. Manuel I?
Como era o quotidiano lisboeta no alvor do Renascimento?
Como era a vida nas naus e nas caravelas portuguesas?
Qual era a estratégia para conquistar as Índias?
As respostas a estas e outras perguntas encontram-se neste livro, que revisita as viagens de Vasco da Gama às Índias e redescobre uma nova face deste herói dos Descobrimentos, o seu lado negro das ambições, das vinganças, das matanças. Um homem que, ainda assim, deixou o seu nome na história de Portugal, sendo um homem do seu tempo e sabendo actuar dentro do seu contexto histórico.
João Morgado escreveu a trilogia dos navegantes: Índias, Vera Cruz, e Magalhães e a Ave-do-Paraíso.
Tem ainda um romance biográfico de Camões: “O Livro do Império”
Recebeu vários prémios literário e tem a sua obra traduzida em várias línguas.
«Indias» foi editado na Rússia e sai este ano nos EUA e Sérvia. Em breve na Índia.
Poeta faz da evocação da mãe que não teve a música inominável de sua poesia
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Em poucos poetas antigos ou modernos brasileiros (para não se dizer nenhum), a evocação da mãe é tão presente e tão luminosa como em Adalberto de Queiroz (1955), que foi educado como órfão em abrigo de Anápolis, no interior de Goiás, de onde saiu só em 1973 para cursar Física na Universidade Federal de Goiás (UFG). Poeta, jornalista e ensaísta, Queiroz, em 2021, lançou a segunda edição, revista e repensada, de Cadernos de Sizenando, publicado em 2014, livro de poemas que “saem da angústia para o enfrentamento da realidade”, como definiu no prefácio o escritor Iúri Rincon Godinho, membro da Academia Goiana de Letras.