“E é sempre a primeira vez em cada regresso a casa rever-te nessa altivez de milhafre ferido na asa”
Foi com este pedaço de prosa do grande poeta Carlos Tê a ecoar na minha cabeça, eternizado no Porto Sentido do grande Rui Veloso, que aqui cheguei e aqui parei, quedo e calado, junto ao Douro com aquela sensação de sempre, da primeira vez. Depois de inspirar fundo o aroma da maresia, que se sentia, depois de seguir o rio deixando-me empurrar pelo movimento no regresso ao meu porto de abrigo, por estes caminhos de solidão, por este cruzeiro portuense, aqui gosto de abrandar o ritmo e apreciar o casamento perfeito do rio e das azáfamas. Aqui o tempo passa devagar, ritmado pela própria cadência do Douro que parece contrariar o burburinho da cidade. Aqui fico a assentar ideias, a libertar pensamentos, a alongar o tempo um pouco mais…
No livro A Malta das Trincheiras, André Brun refere uma série de episódios sobre a sua dura experiência na I Guerra Mundial, na frente da Flandres, incorporado no C.E.P. – Corpo Expedicionário Português. Há dias, a 9 de Abril, passou mais um aniversário, o 95º, da batalha de La Lys, um terrível desastre para as forças portuguesas, que tem sido muitas vezes ocultado ou mitificado. Será oportuno transcrevermos aqui algumas das impressões que André Brun nos deixou, escritas em Biarritz, em 1918. Logo na introdução, num trecho que julgamos particularmente significativo, ele conta-nos:
…
Sobreveio o mês de Março, cujos dias cruéis não poderá olvidar a minha brigada encurralada sem justificação táctica na situação mais dolorosa de quantas até então tínhamos conhecido. Seguiram-se os primeiros dias de Abril, que fizeram sangrar dolorosamente o meu coração de soldado, e chegou esse dia nove, cuja história documentada um dia há de…
(Concepção do espaço por Atelier de Arquitetura Likearchitects)
A Arte Chegou ao Colombo, exposição “Andy Warhol – Icons” Psaier and the Factory Artworks. (11 de Abril a 11 de Julho)
Cerca de 30 obras de Andy Wharol e Pietro Psaier. Provando que não é necessário criar nada de novo, a partir do zero, Wharol “apenas” usou nos seus trabalhos novas directrizes conceptuais e artísticas. Um génio.
Não devia conspurcar esta sugestão musical com as minhas paupérrimas palavras mas, é a desvantagem de um blogue, “isto” que nós podemos e devemos ouvir em silêncio, de olhos fechados e com auscultadores, Bach só compôs para… afinar os órgãos. Como quem não quer a coisa, só para ver se o instrumento tinha ficado afinado.
Rafael Trobat é mais um fascinante fotógrafo da nova geração da fotografia espanhola.
O seu trabalho mais conhecido, dado à estampa no livro “Aquí, junto al agua. Nicaragua” corresponde a um projecto que, ao longo de 16 anos (1990-2006) desenvolveu no país.
O período escolhido não é, de todo, arbitrário. De facto, retrata a sociedade da Nicarágua nos anos de mudança que caracterizaram o consulado político da Presidente Violeta Chamorro, ou seja, o período que media o final da Revolução Sandinista (que, pela via armada, derrubou Anastacio Somoza em 1979 e governou o país durante uma década) e o regresso ao poder, pela via eleitoral, de Daniel Ortega, um dos comandantes sandinistas (Ortega, um dos cinco membros da Junta Sandinista, foi eleito presidente da Nicarágua em 1984. Foi derrotado, em eleição democrática, por Violeta Chamorro em 1990. Foi candidato vencido em 1996 e 2001, antes de ser novamente eleito presidente…
Back in December 2012 the New York Times published an article about the advent of a new genre in publishing, new adult. In simplistic terms they say new adult novels are young adult novels with sex. My own personal feelings, however, run a bit deeper. First let me say that this new genre is being marketed to 18-25 year-olds. Nobody doubts that being a teenager is hard, but so is coming into your own and becoming an adult. Those in the 18-25 age bracket are usually entering college/graduating college, thinking about sex, their future, taking care of themselves financially, mature relationships, and beginning life on their own two feet. As someone who can seriously relate to all of these thoughts, having gone through them myself fairly recently (I’m 26), I’ve been happy about the explosion of this genre. Books written with honesty and depth about the problems this age bracket…
Por fim, alguém da classe política e da direita atreve-se a ser politicamente incorrecto. José Ribeiro e Castro arrisca-se a levar uma “bordoada” da irmandade aventaleira.
O anti-cristianismo (e não “cristofobia”, porque tal como uma fobia é irracional, o termo “cristofobia” é também irracional porque e multilateral anti-cristã) é um fenómeno político multilateral; ou seja, não existe uma só forma de anti-cristianismo: antes, existem várias formas que se conjugam no mesmo esforço anti-cristão na Europa.
Em primeiro lugar, temos o laicismo radical promovido pela irmandade aventaleira (que apoia incondicionalmente François Hollande) que concebe a sociedade sob um modelo gnóstico, em que existe uma elite de eleitos Pneumáticos (que têm direito à sua religião e estão automaticamente “salvos”) e os Hílicos que são a maioria e que não têm direito à “salvação”. O avental jacobino é intrinsecamente fascista mas acoberta-se e esconde-se sob uma “política de direitos humanos”…
Ao Anselmo Borges e ao Diário de Notícias, a devida vénia e os nossos cumprimentos. Obrigado por este interessante artigo.
Este – “as leis fundamentais da estupidez humana” – é o título de um livrinho famoso, publicado há muitos anos, mas sempre actual. Apareceu em inglês, depois em italiano. Acabo de lê-lo em francês. O seu autor, Carlo M. Cipolla (1922-2000), historiador da economia, foi professor na Universidade de Berkeley e na Escola Normal Superior de Pisa.
Para estabelecer as leis fundamentais da estupidez, é preciso, primeiro, definir quem é o estúpido. Para isso, ajudará a comparação com outros tipos de gente. Diz o autor que, quando temos um indivíduo que faz algo que nos causa uma perda, mas lhe traz um ganho a ele, estamos a lidar com um bandido. Se alguém realiza uma acção que lhe causa uma perda a ele e um ganho a nós, temos um…
No meio do caos instituído pelo (des)governo, as idas e vindas da troika, a Merkel a atribuir ao salário mínimo as culpas da brutal taxa de desemprego ( que é que ela quer? pouco a pouco chegar à escravatura? os custos de mão de obra reduzem-se ao combustível, a máquina humana tem que comer minimamente para poder continuar a produzir, uma chatice que não baixa o custo de mão de obra para zero), ouvir os dislates costumeiros dos comentadores e jornalistas e os elogios àquela que em vida foi uma besta humana. No meio deste caos, desta cacofonia, que nos invade os dias, contra o que temos que lutar, dois momentos luminosos.
Um em Sintra, onde 6ª feira, foi dado o primeiro passo para, finalmente, a obra de Bartolomeu Cid dos Santos, acompanhada pela sua preciosa colecção de artistas seus amigos, alunos e ex-alunos, um total de…
The new TIME 100 issue represents the magazine’s choices for the 100 most influential people in the world. It’s their 10th year doing it. The issue will feature seven different cover portraits of TIME 100 honorees who reflect the breadth and depth of the list. You can check out the covers and the list HERE.
Manipulação de fotos têm sido um pilar da fotografia, mesmo antes do advento do Photoshop, mas com o uso onipresente do programa por todos o mundo tornou-se inundado com trabalhos de seriedade questionável e dúvidosa. Felizmente o trabalho de Thomas Barbey nos enche de esperança. Suas peças trazem de volta uma qualidade surreal clássica, talvez porque ele faça seu trabalho a moda antiga – com fotografias de cinema cuidadosamente planejadas com base, seleção de negativos e até um pouco de aerografia.
Anos de viagem e artistas como René Magritte, MC Escher ou Roger Dean inspiraram Barbey a criar suas peças . Seus trabalhos em preto e branco jogam com escala e perspectiva de maneiras que torcem a realidade sem distorcer seus elementos individuais. Simplesmente fantástico!
No último piso do edifício da Casa da Música, as noites de sábado estendem-se quando o restaurante se transforma no Bar Casa da Música, com que partilha o espaço. Entre copos e conversas, num ambiente informal e de certa forma alternativo, dança-se noite dentro ao som das últimas tendências da música electrónica. A programação a cargo de Rui Trintaeum aposta em DJ’s nacionais, sendo que nas noites de Clubbing o bar tem uma dimensão mais internacional.
O espaço tem um ar industrial, com tecto alto e disforme, como o próprio edifício onde se insere, de onde pendem painéis metálicos. Por baixo fica a pista de dança, ao longo do bar propriamente dito onde se destaca a instalação multicolor de Pedro Cabrita Reis. Existe ainda o privilégio de se desfrutar da esplanada exterior, que nos dias mais quentes nos presenteia com uma vista de excelência sobre a cidade, voltada para…
Há muito por explicar em relação ao que se passa exactamente em Portugal e até que ponto os nossos governantes têm optado por mentir ou não sobre os números do défice e sobre as suas opções.
Perante uma afirmação de Mário Soares, por menos do que se está a fazer caiu Carlos de Bragança, a extrema-direita entrou em pânico. O problema desta gente é a noção de impunidade que imaginam protegê-los. Não há impunidade. Nem num ciclo político normal, onde se paga nas urnas, muito menos no golpe de estado que vão orquestrando, que conduz inevitavelmente a outras urnas.
Aquilo que estão a tentar fazer em Portugal falha sempre em democracia, seja porque esta funciona, seja porque deixa mesmo de funcionar.
Por enquanto não apareceu um Manuel Buiça e um Alfredo Costa, ilustres portugueses que sacrificaram a sua vida em combate contra uma ditadura, apenas porque ainda não foi tempo disso. Quem ataca doentes e desempregados com a desfaçatez de saberem que isso não os atinge, quem pensa que a humanidade é uma selva darwinista, arrisca-se a levar com a selva em cima e está a fabricar…
editora: Companhia Nacional Editora – Successora de David Corazzi e Justino Guedes
colecção: Viagens Maravilhosas
edição: 2.ª
data: 1889
local: Lisboa
tradução: Manuel Pinheiro Chagas
língua: Português
páginas: 251
estado: usado, em estado razoável. capa a descolar-se do miolo.
O inglês John Gaunt, duque de Lancaster (os portugueses dizem e escrevem Lencastre…) é pretendente ao trono de Castela em virtude do seu casamento com Constança, filha de Pedro-o-Cruel. Já conquistou todo o norte da Galiza e agora muito lhe convém uma aliança com D. JOÃO I, Mestre de Avis, pois este, para garantir a independência de Portugal, está sempre em guerra contra os castelhanos. E a aliança, porque interessa a uma e outra parte, é assinada em 1386 e reforçada em 1387 através de um casamento político: John Gaunt dá a mão da sua primogénita D. Filipa de Lencastre a D. JOÃO I. O casamento realiza-se na Sé do Porto, a 2 de Fevereiro.
Em 14 anos, de 1388 a 1402, D. Filipa dá à luz oito filhos: D. Branca, D. Afonso, D. Duarte, D. Pedro, D. Henrique, D. Isabel, D. João e D…
O chefe da diplomacia portuguesa disse esta quinta-feira que o prazo para a aplicação plena do acordo ortográfico “tem uma diferença de seis meses” entre Brasil e Portugal e sublinhou a importância da afirmação das culturas num mundo globalizado. Leia mais clique aqui
Nascido em 1918, Edmundo Pedro conheceu, desde muito cedo, o significado de palavras como empenhamento cívico e político, ou liberdade. Com 15 anos apenas é condenado a um ano de prisão e à perda de direitos políticos por um período de cinco anos. De novo detido aos 17 anos, é deportado, com o pai, para o Tarrafal, onde permanece durante nove anos.
Em 1958 participa ativamente na campanha presidencial do General Humberto Delgado e, em 1973, a convite de Mário Soares, adere ao Partido Socialista. Entre 1976 e 1987, é deputado à Assembleia da República, tendo sido eleito membro da Comissão política Nacional do PS em 2009.
Uma vida que traduz “Um Combate pela Liberdade”, título da sua Biografia, cujo III volume será apresentado no próximo sábado, dia 13 de abril, pelas 16h00, no Auditório do Museu do Neo-Realismo, com a presença do autor. A apresentação estará a…
Ontem abordámos o culto que se gerou em torno da figura de Fernando Pessoa e o elevado preço que. num leilão em Lisboa, atingiram uma secretária e uma máquina de escrever que o poeta usou. E contámos como essa elevada licitação estava relacionada com um livro. Outro livro nos leva a que continuemos hoje com Pessoa – mais propriamente, com a sua correspondência com Armando Cortes Rodrigues,
Do livro “Cartas de autores portugueses”, editado pelos Correios e Telecomunicações de Lisboa, coligidas por José Ribeiro da Fonte, podemos apreciar extractos de cartas de grandes autores portugueses, divididos em: A Carta, Do amor, Da viagem, Da política, Da vida e do mundo e Da arte e do artista.
Aí encontrei algumas de Fernando Pessoa para Armando Côrtes-Rodrigues. Por também ter em minha posse uma carta deste último (para minha mãe Maria Cecília Correia) onde fala sobre a forma como conheceu…
Na passada segunda-feira, morreu José Luis Sampedro. Cumprindo a vontade do escritor, ficcionista e economista catalão, a família só comunicou a sua morte na terça-feira, dia 9, após o funeral. Tinha 96 anos, mas como se pode confirmar no vídeo que aqui incluímos, o seu raciocínio era límpido .
Em 25 de Outubro de 2012, publiquei um artigo onde relatava a surpresa que, há muitos anos atrás (em 1993!), me produziu a leitura de La sonrisa etrusca. Terminava dando conta da minha intenção de voltar aqui a falar sobre este catalão que, como disse José Saramago, fez da reflexão uma forma de vida. Lamentavelmente, volto a falar dele pela pior das razões.
Eis o link para esse artigo.
E numa entrevista concedida em Dezembro de 2012 onde nos afirma que o sistema capitalista não atravessa uma crise – pura e simplesmente está esgotado:
O júri da segunda edição do Prémio de Fotografia “Retratar um Livro”, composto por António Mega Ferreira, Jorge Vaz de Carvalho e João Francisco Vilhena, reuniu no dia 9 de abril e deliberou atribuir o terceiro prémio a Fábio Roque pela fotografia com o título Mensagem:
1.º Prémio a Maria de Lurdes Poças, Jurista, pela fotografia Impressão Estranha:
O 2.º Prémio foi atribuído a Pedro Teixeira Neves,Jornalista , pela fotografia A vida que há em si:
O referendo prometido em 2017 por David Cameron não levará ele à saída definitiva do Reino Unido da União Europeia? “Marianne” imagina as consequências desta política não tão ficção como pode parecer .
Yves Logghe/AP/SIPA
A data foi escolhida com cuidado. O referendo britânico sobre a saída da União Europeia foi fixado para 24 de Abril, dia de São Jorge, festa do Santo padroeiro da Inglaterra que, do alto de seu cavalo, arrasa o dragão do mal. Se as sondagens mais recentes sugerem pouca esperança para os eurófilos, ninguém esperava uma tão clara vitória dos “União Europeia, NÃO”. Cinquenta e oito por cento dos britânicos votaram a favor do divórcio, soltando as amarras para um destino desconhecido.
Os eurocépticos deslocaram-se em massa para votar enquanto que os…
O país vive dias amargos. A todo o momento surgem novos confrontos com as forças policiais. D. Carlos escreve a João Franco e incita-o: «seja como for e suceda o que suceder, temos que caminhar para diante, ainda que a luta seja rude e áspera (e espero-a) porque aqui mais do que nunca, parar é morrer, e eu não quero morrer assim… nem tu!»
«Sem luta não há prazer em vencer, e a vitória sem combate, e combate sério, nunca é uma vitória duradoura», declara o monarca.
A contrastar com esta determinação estão as dúvidas que se ouvem por todo o lado.
Até mesmo os grandes partidos do constitucionalismo monárquico procuram manter-se a uma certa distância de João Franco.
Os progressistas de Luciano de Castro e José de Alpoim aconselham reacção enérgica contra a Ditadura, enquanto, por seu turno, os regeneradores marcam uma posição de franca hostilidade ao Governo, com…
Maquiavel, o escritor e político do Renascimento, autor da obra-prima “O Príncipe”, a bíblia da acção política oportunista e amoral, será apresentado pelo notável jornalista Adelino Gomes,jornalista…
Se a Segunda foi parca, esta Terça-feira, 9 de Abril (aniversário, lembremos, de uma premonitória “chacina” europeia na batalha de La Lys – Flandres, corria o ano de 1918 duma chamada Grande Guerra) irá ser paupérrima, a ponto de o evento de destaque voltar a ser praticamente o mesmo.
Assim, suscita curiosidade a nova actuação do Quarteto Casals no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, pois que, para lá de prosseguir a nobre tarefa de interpretar a integralidade dos Quartetos para Cordas de Schubert (aqui na sua 6ª sessão), junta-lhe a interpretação de duas obras de Boccherini.
Composto (como dissémos ontem) por Vera Martinez, violino, Abel Tomàs, violino, Jonathan Brown, viola e Arnau Tomàs, violoncelo, tem nesta noite a participação adicional do violoncelista Eckart Runge
Num Domingo, 7 de Abril calmo (e que já se não prevê chuvoso), será contudo prudente continuar a abrigar-nos em “templos da cultura” quais o CCB ou a FCG, com a particularidade de, neste dia, se ouvirem quase só artistas nacionais.
O destaque poderá ir para o concerto que neste Domingo dará, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, o grupo de interpretação de Música Antiga “Ludovice Ensemble”, que aqui reúne diversos instrumentistas em torno de Miguel Jalôto (órgão e direcção), acompanhado de Hugo Oliveira (barítono).
Criado em 2004 por Fernando Miguel Jalôto e Joana Amorim (na foto), com o objectivo de divulgar o repertório de câmara vocal e instrumental dos séculos XVII e XVIII através de interpretações historicamente informadas, usando instrumentos antigos, o nome de “Ludovice Ensemble”homenageia o arquitecto…
Resumo : Já se contam cinco anos de crise na Europa e, no entanto, as suas ruas estão basicamente a manterem-se calmas . O que é que explica isso? Quanto tempo é que a situação vai assim continuar
“No centro da crise, está o grande desafio de redefinir o contrato social para salvaguardar a sustentabilidade do modelo social europeu..”
“Certo, Benoit. O problema é que os líderes europeus e as suas instituições parecem querer redefinir o contrato de forma que pelo menos metade dos cidadãos europeus esteja contra ou não confiam neles seja para o que que seja tido como necessário para ser feito. . Assim debaixo de uma crise de três frentes, a crise da dívida, a crise bancária e a crise da dívida soberana…
Já há muitos anos que a Agência Florestal do Japão aconselha à sociedade nipónica o “banho” florestal como prática de relaxamento.
O contacto com a natureza reduz os níveis de adrenalina e cortisol no organismo, substâncias que se encontram aumentadas durante o stress e ansiedade.
Mas esta prática também poderá reduzir o risco de cancro.
A prática do “Shinrinyoku” (passeio pela floresta) é aconselhada por muitos médicos japoneses como prevenção de problemas de saúde.
Recentemente, a sociedade Internacional da Natureza e Medicina Florestal (Infom), sedeada no Japão, foi mais longe: dado que o stress é um dos factores que diminui a produção de “natural killer celles”, decidiram fazer a sua medição sanguínea ao fim de três dias de passear num bosque.
As “natural killer cells” (células exterminadoras naturais) são um tipo de glóbulos brancos responsáveis, em parte, no nosso corpo pelo combate às infecções virais e às células tumorais responsáveis…
“O Alves Coutinho calava-se, com prudência, engolindo buchas de pão.
— Eu que caiam ou que fiquem, – disse Julião – que venham estes ou que venham aqueles… Obrigado, conselheiro – e recebeu o seu prato de vitela – … é-me inteiramente indiferente. É tudo a mesma podridão!
O país inspirava-lhe nojo; de cima a baixo era uma choldra; e esperava breve que, pela lógica das coisas, uma revolução varresse a porcaria.
— Uma revolução! – fez o Alves Coutinho assustado, com olhares inquietos para os lados, coçando nervosamente o queixo.
O conselheiro sentara-se, e disse, então:
— Eu não quero entrar em discussões políticas, só servem para dividir as famílias mais unidas, mas só lhe lembrarei uma coisa, Sr. Zuzarte, os excessos da Comuna… Julião recostou-se, e com uma voz muito tranquila: — Mas onde está o mal, senhor conselheiro, se fuzilarmos alguns banqueiros, alguns padres, alguns proprietários obesos…
A Costa Coffee, cadeia londrina de cafetarias ao estilo Starbucks, tem o seu primeiro espaço de rua em Portugal em plena baixa da cidade, na zona dos Clérigos. Esta coffee house segue os padrões internacionais da marca, reconhecendo-se-lhe desde logo as cores, o conceito, a simpatia e a garantia de qualidade do serviço e dos seus baristas.
O espaço é amplo e confortável, com um ambiente descontraído e tranquilo, habitualmente frequentado por todo o tipo de clientes que procuram um sítio para beber um café, comer um snack e estar simplesmente. Ou então para levar. Entre as especialidades do Costa Coffee, podemos encontrar cafés, bolos, saladas, sanduíches, tostatos, paninis e “fruit coolers”.
“Os Desastres da Guerra” da pintora Graça Morais inaugura o ciclo de exposições temporárias na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em Lisboa. As pinturas foram criadas a partir de fotografias da imprensa e funcionam como um grito de alerta perante o que a artista transmontana considera um mundo a questionar.
E se procurarem saber porque é que todas as imaginações humanas, frescas ou murchas, tristes ou alegres, se voltam para o passado, curiosas de nele penetrarem, acharão sem dúvida que o passado é o nosso único passeio e o único lugar onde possamos escapar dos nossos aborrecimentos quotidianos, das nossas misérias, de nós mesmos. O presente é turvo e árido, o futuro está oculto.
Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida. A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos…
Matéria de Antonio Gonçalves Filho para o Estadão:
Artista consagrado no circuito internacional e representado em coleções como a do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), o mineiro Cao Guimarães, 48, ganha sua primeira individual numa instituição brasileira, o Itaú Cultural, que será aberta hoje para convidados (e amanhã para o público). A mostra Ver É Uma Fábula, com curadoria de Moacir dos Anjos e arquitetura expositiva de Marta Bogéa, reúne seus oito filmes de longa- metragem, além de 21 vídeos e fotografias apresentadas em slide show. A exposição é a maior já feita do artista e ocupa três andares do instituto, onde também será realizado um workshop com Cao e os músicos do Grivo, grupo formado por Marcos Moreira Marcos e Nelson Soares, que assina as trilhas de quase todos os filmes do realizador.
Inspirado numa passagem do livro Catatau, do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989)…
What a beautiful animated interpretation of “The Me Bird” by Pablo Neruda:
I like that it’s a true inspiration piece, not a video with the poem appearing as text or read aloud. A great reminder, just before National Poetry Month, that poems can inspire all sorts of works of art.
Designa-se Baixa 22 este restaurante-bar cujo nome se deve ao (já mítico) eléctrico 22, que passa entre este sítio e o luxuoso Hotel Infante de Sagres, do outro lado da praça. Onde antes havia uma antiga carpintaria, agora reinventada mas onde a madeira ainda impera, o sushi de fusão e a sangria, para muitos provavelmente a melhor da cidade, são a especialidade que nos leva frequentemente até lá. O ambiente é informal, despojado e despretensioso mas, sobretudo, honesto com o espírito e a arquitectura original do espaço, procurando manter-se fiel ao carácter muito próprio da cidade. E isso, para mim, é cool!
O espaço deste bar e restaurante é pequeno mas grande em personalidade. Duas estreitas portadas dão acesso a uma sala estreita e comprida, mas alta, com diversas mesas e cadeiras em madeira que mostram um ar robusto e austero como antigamente, tal como o balcão. As cores, bem…
We stopped by Romont, Switzerland to view a funeral procession on Good Friday. Replete with mourners, it takes place in the medieval old town on cobblestone streets past a ancient buildings.
The ceremony begins with a mass and a reading from the Bible of the Passion of Christ. When the funeral procession is mentioned, the congregation exits the church to begin their procession through the streets of the old hilltop town. The parade is led by a penitent in a black gown, wearing a black hood and carrying a large cross. A young girl portraying the Virgin Mary follows. Mourners are clothed and veiled in black come next. Some of them carry the symbols resting on scarlet cushions. They include: a crown of thorns, a whip, nails, a hammer, tongs, and St. Veronica‘s shroud.
Quando penso na areia que se lava na água salgada de uma praia qualquer, recordo de imediato o meu metro de gente, que cheio de uma vontade, com sabor de vida, se encontrava preso num olhar perdido, mas feliz, de constante procura. A inquietude de um mundo ainda sonhado reflectia-se no sorriso de complacente alegria da minha avó. Ao longe os sons confundiam-se e ecoavam como amigas que me procuravam para brincar. O mundo era imenso, dentro e fora de mim.
Deslumbrado pela simplicidade dos mais insignificantes pormenores tudo em mim era luz. Procurava perceber o incompreensível, e, de certa forma encontrava o sentido para ele. Tudo era novo, mesmo o que se repetia continuadamente. Mas naquela praia perdida algures a areia não tinha textura e o mar… era apenas e só o mar. O tempo passou. Os anos atropelaram-se num receio infundado de que não chegasse a sua vez. O meu pai deixou de ser Deus e a minha mãe perdeu a imortalidade. As ilusões desvaneceram-se, ou melhor, transformaram-se em realidades capazes de me assustam tanto quanto sombras de corpos que não estão lá para a justificarem.
Tornei-me melancólico e distante como a ilha que o homem não é. As lágrimas, passei a trata-las por tu, dei-lhes nomes para as distinguir. No entanto, nunca as deixo sair e lavrar as montanhas do meu rosto de expressão triste. No percurso que deixei o destino doar-me ceguei-me nos sentires, guardo-os no peito, para se quedar perfeito na espera de razões mais válidas que o deixem ver e olhar. Sinto-me só. Sinto falta do que acredito ter sido. Sinto-me vazio de mim.
Está na altura de revelar a primeira capa da Granta, a publicar em Maio. A fotografia é de daniel blaufuks, que também assina o portfolio do primeiro número e que é o autor de Sob Céus Estranhos, o livro que temos para oferecer a quem assinar a revista até ao fim deste mês: http://goo.gl/nZbcN
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Já alguma vez dormiram entre palavras por dizer? É brutal. Elas esperneiam, contorcem-se de desespero, gritam no silencio que lhes foi imposto. Sentem dores impossíveis de relatar. Abraçam-se umas às outras num amontoado de perfeito desespero.
Já alguma vez dormiram entre actos por praticar? É profundamente desagradável. Não há qualquer movimento. Nada mexe um milímetro que seja. Desgastados enroscam-se uns nos outros formando montes disformes. Contraem-se na magoa que os devora lenta e drasticamente.
Palavras e actos sem poder, rasgam a essência do ser, no mais íntimo das suas entranhas. Tornam a alma prisioneira de si própria. Aprisionam a consciência de forma perigosa. Tornam a nossa existência numa repetição insana de momentos drásticos de vazio.
IN “Não há pontuação na vida” – Tiago Galvão-Teles
Un 8 de marzo de 1857, un grupo de obreras textiles tomó la decisión de salir a las calles de Nueva York a protestar por las míseras condiciones en las que trabajaban.
Distintos movimientos se sucedieron a partir de esa fecha. El 5 de marzo de 1908, Nueva York fue escenario de nuevo de una huelga polémica para aquellos tiempos. Un grupo de mujeres reclamaba la igualdad salarial, la disminución de la jornada laboral a 10 horas y un tiempo para poder dar de mamar a sus hijos. Durante esa huelga, perecieron más de un centenar de mujeres quemadas en una fábrica de Sirtwoot Cotton, en un incendio que se atribuyó al dueño de la fábrica como respuesta a la huelga.
En 1910, durante la Segunda Conferencia Internacional de Mujeres Trabajadoras celebrada en Copenhague (Dinamarca) más de 100 mujeres aprobaron declarar el 8 de marzo como Día Internacional de la Mujer Trabajadora.
Actualmente, se celebra como el Día Internacional de la Mujer.
A Biblioteca Nacional apresenta a mostra “Literatura de cordel brasileira. Coleção Arnaldo Saraiva”, que decorrerá entre 8 de março à 22 de junho deste ano. A Literatura de Cordel chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses e passou por várias adaptações regionais até se popularizar com o seu formato atual. Representa uma parcela preciosa da nossa história, assumindo-se como um elemento de importante valor cultural, principalmente por se tratar de um documento literário que tem as suas raízes no mundo antigo e cuja existência se justifica (também) pela necessidade dos mais desfavorecidos em contar suas histórias. A Literatura de Cordel merece ser relembrada e tratada com a mesma dignidade que trouxe para a cultura popular lusófona, nutrindo-a de alegria, crítica social e imaginação.
Man Ray, nato Emmanuel Rudnitzky (Filadelfia, 27 agosto 1890 – Parigi, 18 novembre 1976), è stato un pittore, fotografo e regista statunitense esponente del Dadaismo.
Pur essendo un pittore, un fabbricante di oggetti e
un autore di film d’avanguardia ,
è conosciuto soprattutto come fotografo surrealista, avendo realizzato le sue prime fotografie importanti nel 1918_♥
«Creio ser com legitimidade que podemos considerar Judeus Errantes um livro de História, com H maiúsculo. História abreviada do povo judaico, mas também uma história onde se identifica um olhar nostálgico, pelo menos perplexo, sobre esse tempo singular em que o Império Austro-Húngaro cede lugar aos estados-nação, conceito envolto em autodeterminação e liberdade que não deixará de arrastar sangrentos resultados. Joseph Roth, testemunha privilegiada desse período, traça um retrato preciso da cultura, religiosidade e idiossincrasias judaicas, centrando-o nos judeus orientais e, com isso, desmistificando o mito do judeu inevitavelmente rico, banqueiro, conselheiro de príncipes e poderosos. […] O livro é uma “declaração de amor” e reconhecimento das origens […]
Intuindo com argúcia o carácter antirreligioso do nazismo, conclui profeticamente: “Não há nenhum conselho, nenhum consolo, nenhuma esperança. […] Morre em 1939, em Paris, e a História dar-lhe-á razão. Um livro triste e belo.»
Ana Cristina Leonardo, «Actual»/ Expresso, 9 de Fevereiro de 2013
I now know the true reason van Gogh cut off his ear for the Clampitts recently faced similar circumstances.
A well-intentioned van Gogh signed on to a group tour of the South of France in order to divine inspiration from the picturesque surroundings. Upon arrival he discovered the only way to enjoy the bucolic setting without having to listen to the woman next to him complain about her hemorrhoids was to cut off his ear. After the removing the ear, he was still able to hear the screaming of the kids forced to participate but too young to be without an afternoon nap and a bottle as the listening part of the ear was still in tact. He then stuffed his ear canal with cotton and covered it with gauze. This was not enough to drown out the prattle of the tour guide determined to impart 1500 years worth of…
“Es una verdad universalmente aceptada que un hombre soltero en posesión de una notable fortuna necesita una esposa”. Así empieza Orgullo y prejuicio, de Jane Austen (1775-1817), a la sazón uno de los comienzos más populares y memorables de la literatura. Una obra que hoy cumple 200 años (en la imagen primera página de la edición del 28 de enero de 1813), con muchos seguidores y unos cuantos detractores, y a la que EL PAÍS le dedica hoy un especial que puedes ver AQUÍ. Pero sin duda, Austen es una escritora que con sus pocas novelas contribuyó a fomentar la lectura en su época, a popularizar la novela como género en el siglo XIX y a crear las pautas de la comedia romántica moderna.
Ciertos sectores han infravalorado o subestimado a la escritora británica y la han acusado, entre otras cosas, de banal, intrascendente y de falta de hondura o compromiso con su entorno. Sin embargo, creo que las obras de Austen relatan y describen historias cotidianas y personales que solo en apariencia son triviales; su mirada es certera y fotográfica y sus palabras aceradas dando como resultado un buen retrato, como pocos, de la sociedad de la época y los sentimientos, aspiraciones, sueños y emociones. Me gusta Austen y también Tólstoi y Stendhal y Nabokov y Faulkner y Dickens y Victor Hugo y Woolf y Mann y Brontë y García Márquez, por citar novelistas clásicos, sin establecer ahora un ranking. Y todos conviven felices en mi imaginación y memoria.
O PS reúne hoje a Comissão Política e, no próximo 10 de Fevereiro, a Comissão Nacional que decidirá a data das directas e do congresso do partido. Tudo aponta para o fim de Março. Gostava de ver António Costa avançar nas directas. O PS precisa de alguém com fibra, e um passado de provas dadas, para surgir como alternativa à direita. Só não percebo a parte dos que defendem que eleições internas em Março constituem óbice às autárquicas de Setembro ou Outubro. Não sou militante do partido, mas a liderança do PS é um assunto demasiado sério para ficar entregue a uma clique. António José Seguro assegurou o período de nojo, mas chegou a altura de começar a construir o futuro.