Mas onde está o mal, senhor conselheiro, se fuzilarmos alguns banqueiros, alguns padres, alguns proprietários obesos e alguns marqueses caquéticos?

ergo res sunt

“O Alves Coutinho calava-se, com prudência, engolindo buchas de pão.
— Eu que caiam ou que fiquem, – disse Julião – que venham estes ou que venham aqueles… Obrigado, conselheiro – e recebeu o seu prato de vitela – … é-me inteiramente indiferente. É tudo a mesma podridão!
O país inspirava-lhe nojo; de cima a baixo era uma choldra; e esperava breve que, pela lógica das coisas, uma revolução varresse a porcaria.
— Uma revolução! – fez o Alves Coutinho assustado, com olhares inquietos para os lados, coçando nervosamente o queixo.
O conselheiro sentara-se, e disse, então:
— Eu não quero entrar em discussões políticas, só servem para dividir as famílias mais unidas, mas só lhe lembrarei uma coisa, Sr. Zuzarte, os excessos da Comuna…
 Julião recostou-se, e com uma voz muito tranquila:
— Mas onde está o mal, senhor conselheiro, se fuzilarmos alguns banqueiros, alguns padres, alguns proprietários obesos…

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