Fernando, em Pessoa – com José Nobre

Pessoa02José Nobre recria Fernando Pessoa no Café das Artes, no próximo dia 29 pelas 23:30, na casa da Cultura de Setúbal. O Das Culturas quis saber mais.

Que Fernando, em Pessoa, é este? Um último heterónimo?

É o próprio, o ortónimo. Pensei primeiramente em ‘compor’ um Álvaro de Campos e dizer a ‘Tabacaria’, mas depois achei mais interessante ser o Fernando, ele mesmo, em Pessoa, a ler, não só a ‘Tabacaria’ como outros escritos de outros heterónimos. Torna a experiência mais rica.

A envolvência cénica do ‘Café das Artes’ convida à descontração, como concebeu este espetáculo?

Claro que é um espetáculo muito descontraído, contrariando um pouco a essência tímida e angustiada do poeta. Aqui o Sr. Fernando sai do armário, ou por outra, vasculha poemas no seu famoso baú e trá-los à luz do presente, compara-os, estabelece pontes entre alguns e conclui que andou dizendo as mesmas coisas durante toda a sua vida, usando diferentes vozes.

À imagem do Romance do Saramago, aparece naturalmente a tomar o seu café e a interagir com os presentes como se os conhecesse há muito. Pode muito bem ser um fantasma, como no livro, com a diferença que aqui consegue ler porque tem os óculos, assim como toda a indumentária do seu dia-a-dia, não a vestimenta com que foi enterrado.

O ‘Café das Artes’ é um dos espaços ideais na cidade para este espetáculo acontecer, tem uma corrente de público interessante e todas as condições técnicas que se poderia desejar.

É a segunda vez que revisita Fernando Pessoa. Faz parte de algum projeto?

Bem, a primeira vez que vesti a pele do Fernando Pessoa foi num espetáculo chamado “Grito no Outono”, de autoria do Romeu Correia, em meados dos anos 90, Fórum Luisa Todi, encenação de Carlos César. Depois, fiquei num casting para um evento megalómano (promovido por um Sr. Chamado Daniel Nogueira) que decorreu no pavilhão Atlântico, na bonita data de 10-10-10. Finalmente, a Fátima Medeiros da Culsete pediu que lhe fosse animar a arruada, eu respondi-lhe que leria a ‘Tabacaria’ e foi assim que tudo surgiu.

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O espetáculo evoluiu com a performance no espaço ‘Ritália Bocage’. Mais de meia centena de pessoas assistiram, divertiram-se e aplaudiram. Eu, se fosse às pessoas que estão a ler isto, também ia!

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