Não, o país não lhe deve nada | João Duarte Silva

“O país deve um agradecimento a Passos Coelho” | Jorge Moreira da Silva, ex-ministro do Ambiente e actual director-geral de Desenvolvimento e Cooperação da OCDE, militante do PPD/PSD.

Não, o país não lhe deve nada. 
E para ilustrar a minha opinião, volto a colocar um texto que escrevi, imediatamente a seguir à “ida” do governo Passos Coelho/Paulo Portas:

UM GOVERNO INDIGENTE

Chegou ao fim o mais indigente, indecente, miserável, cobarde e ignóbil governo alguma vez existente em Portugal, considerando mesmo os governos de antes de Abril de 1974, uma vez que nem Salazar nem Marcelo Caetano tomaram alguma vez, medidas tão lesivas, e atentatórias à dignidade do povo como Passos Coelho e Paulo Portas tomaram.

Tendo como alibi o memorando assinado com a Troika, o governo de Passos Coelho e Paulo Portas alimentou-se convenientemente das ideias neoliberalistas europeias ( de clara e evidente inspiração Alemã) que paulatinamente foi colocando em práctica, através de um senso comum conservador , implementando primeiro, um fascismo politico que meticulosamente e criteriosamente, foi substituindo depois por um fascismo social.
A dispensa e subversão de quaisquer ideais democráticos, foi total e completa. A ética politica, já de si muito debilitada, acabou por ser completamente aniquilada.
Fazendo da austeridade a regra de vivência principal, pior ainda, transformando a austeridade numa ideologia politica, o governo de Passos Coelho e Paulo Portas subverteu a sociabilidade humana, matou a noção de comunidade, destruiu o elo humano que ligava os cidadãos, e promoveu uma perfeita selvajaria social.

O Governo de Passos Coelho e Paulo Portas fomentou o terror de si mesmo, perante as medidas que foi tomando, cada uma pior que a anterior, mas sempre acompanhadas de confusão politica ou institucional. Foi uma técnica usada para manter as pessoas confusas quanto àquilo que podiam esperar e alcançar, e portanto quanto ao lugar que ocupavam, ou poderiam vir a ocupar, na sociedade. O Governo de Passos Coelho e Paulo Portas, criou um autêntico estado de sitio mental e moral, e uma lógica de vulgarização e banalização do mal, com oscilações frequentes entre medidas disciplinadoras e promessas de tratamento correcto, aliado à produção de notícias contraditórias, e tudo matizado com a conveniente e oportuna aldrabice e mentira.

Ao reduzir os orçamentos da saúde e da educação, o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas alheou-se do seu papel em relação à sociedade, abolindo o termo “estado social” do seu vocabulário. Abastardando primeiro, e destruindo a seguir, os instrumentos de desenvolvimento laboral da segurança social, o governo de Passos Coelho e Paulo Portas transformou a Segurança Social numa instituição que passou a dar como esmola, aquilo que deveria ser dado por direito.

O governo de Passos Coelho e Paulo Portas instituiu,e usou amiude, a mentira como regra. E para a mentira ter substância, o governo taxava e dizia num dia, para no dia seguinte negar que taxava e negar que dizia. Dizia num dia que baixava salários e cortava pensões, para no dia seguinte dizer que não baixava nem cortava, ou que talvez baixasse e cortasse.

Dizendo que a culpa era do memorando assinado com a Troika, o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas vendeu empresas rentáveis e facilitou a vida a banqueiros e outros grupos de ladrões e vigaristas, alguns instalados mesmo no governo, ao mesmo tempo que perseguiu cidadãos honestos. Alimentou os interesses instalados por lobbys pessoais instalados no próprio governo, protagonizados por gente sem escrupulos que usava fatos chiques com bandeirinha na lapela. Subverteu as regras do jogo, permitindo e até promovendo, o enriquecimento ilicito.
Criou e promoveu autênticas e ridiculas fábulas governamentais, que confundiram mesmo as mais esclarecidas mentes das pessoas normais, perturbando-as, e impedidindo-as de raciocinar. Deste modo, até as pessoas que tinham objectivos definidos e estavam dispostas a correr riscos para os atingir, ficaram como que paralisadas pelo grave conflito interno, quanto ao que fazer.

O governo de Passos Coelho e Paulo Portas, ignorou a Constituição e estimulou a hostilidade face ao Tribunal Constitucional para salvaguardar a sua ideologia da austeridade a todo o custo. Incendeiou os ânimos contra a função pública para promover o seu neoliberalismo selvagem, ofendendo e humilhando os funcionários publicos, que considerou como se não fossem seres humanos, e para os quais serem despedidos, passou a ser, serem requalificados. Descartou os pensonistas,reformados e aposentados, a quem ofendeu quando um imbecil qualquer os apelidou de peste grisalha. Considerou-os um peso para a sociedade, vilipendiou-os, achincalhou-os, e tentou fazer com que eles se sentissem a mais. Desejando-lhes uma morte prematura, só faltou mesmo criar uns quantos Auchwitz e gaseá-los à maneira nazi.

Para o governo de Passos Coelho e Paulo Portas, foi facilimo rasgar contratos realizados com base em leis da Républica (p.e. aposentados e funcionários públicos), mas considerou inviável mexer num contrato celebrado com base em pressupostos dolosos (p.e. as PPP e os swaap). Enquanto isso, o governo ia promovendo a transferência de riqueza do factor trabalho para o capital , em grandes proporções.

O governo de Passos Coelho e Paulo Portas, enxotou os jovens para fora do país para maquilhar a vergonha do desemprego, que desprotegeu, levando as pessoas a aceitarem qualquer trabalho com qualquer remuneração. Sem um minimo de pudor e vergonha na cara, o governo disse depois que não, que nunca recomendou aos jovens que emigrassem. E para a maquilhagem ser completa, o governo considerou como empregados permanentes, os contratados a prazo e a recibo verde e os participantes em cursos de formação do INE, numa acção de propaganda que nem Goebels, ministro da propaganda de Hitler, faria melhor.

O governo de Passos Coelho e Paulo Portas, reduziu o preço das horas extra, criando trabalho sem ser remunerado. Alterou os regimes laborais, mesmo sem lei em Portugal nem sequer na Europa que o permitisse fazer. Aliás, com o governo de Passos Coelho e Paulo Portas, as leis da Républica deixaram de ser para cumprir e passaram a ser meras sugestões. Com o governo de Passos Coelho e Paulo Portas, as leis foram convertidas em instrumentos de arbitrariedade. Ao mesmo tempo que alterava os regimes laborais, o governo desvalorizou os Sindicatos para que estes perdessem poder e importância. Providenciou a seguir, o fim da contratação colectiva, permitindo o assalto ao mundo laboral português pelos monopólios estrangeiros. Subverteu assim a própria democracia, uma vez que a contratação colectiva é um direito fundamental que está consignado na constituição.

O governo dePassos Coelho e Paulo Portas, brincou com a dignidade dos Portugueses, sacrificando a sua liberdade para obter objectivos sórdidos, liquidando os competentes e promovendo os burros, e corroeu o seu carácter humano, tornando-os precários social e laboralmente, ao mesmo tempo que os empobrecia em nome de uma ideologia de austeridade e neoliberalismo, levado ao extremo da sua definição básica de não participação do Estado na economia e com as pessoas a não valerem nada.
O governo de Passos Coelho e Paulo Portas, ficou de rastos perante a toda poderosa Alemanha obedecendo-lhe cegamente, humilhando-se perante ela e humilhando os portugueses e Portugal, ao ponto de deixar que a Alemanha interferisse na elaboração do orçamento de estado português. Mas tal humilhação, evidenciada no dia a dia, parecendo estupidez , não foi mais do que uma actuação neoliberal consciensiosa, cirurgicamente direccionada para a criação de um país de subserviência total ,face aos grandes capitais trogloditas de bancos e multinacionais que subvertem a democracia e mandam no mundo laboral a seu belo prazer, criando leis laborais humilhantes. Ao FMI, que materializa toda essa humilhação e chantagem económica, o governo de Passos Coelho e Paulo Portas agachou-se, e rendeu-se a essa organização (FMI) que é a mais humanamente agressiva e financeiramente terrorista alguma vez criada a seguir à II guerra mundial. Na practica, a destruição operada pelo governo dos instrumentos estratégicos para definir o posicionamento de Portugal no mundo, contribuiu para essa humilhação.

E a tudo isto, o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas chamou Reformas. E consubstanciou essas reformas num abjecto papel escrito por Paulo Portas, cuja aridez de ideias e vacuidade de conceitos, fez com que nem para papel higiénico servisse. De resto, logo se percebeu que a intenção era , tão só e apenas enganar mais uma vez os portugueses, como o foi também com o programa eleitoral com que se apresentaram às eleições, o qual seguindo o guião da reforma de Portas, foi zero. Irresponsávelmente, mas sempre com um sorriso nos lábios, ar pudico e enorme arrogância, os membros do governo de Passos Coelho e Paulo Portas foram capazes de despedaçar um País.

Os portugueses foram enganados. Foram enganados os que não votaram “neles” e provavelmente a maioria dos que votaram “neles”. Os portugueses não imaginavam o que os esperava. O governo de Passos Coelho e Paulo Portas transformou Portugal num local mal frequentado. Demasiado mal frequentado, onde apareceram inenarráveis ideias, e impensáveis golpadas.
O que o governo de Passo Coelho e Paulo Portas fez a Portugal nos ultimos anos, não se faz a um País nem a um povo.
Portugal não podia aguentar mais. Não podia mais aguentar as indecências verbais de Passos Coelho, nem podia mais aguentar os dislates factuais de Paulo Portas. E nem podia continuar a ouvir cada um dos governantes a arranjar desculpas para as suas
indesculpaveis façanhas.

João Duarte Silva | 22-01-2018

One thought on “Não, o país não lhe deve nada | João Duarte Silva

  1. um texto único , absoluta e inequivocamente inofensivo , na medida em que qualquer um de nós somos indefesos perante os poderes dos determinadores .

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