3/8 | Breve História da Europa. Do Século XX aos nossos dias | Carlos Matos Gomes in “Medium”

Os impérios coloniais constituem um elemento central da História da Europa e atingiram o seu apogeu entre o final do século XIX, com a Conferência de Berlim, e o período entre as duas guerras mundiais. A causa da I Grande Guerra foi a luta pelo acesso às matérias-primas nas colónias e a derrota da Europa na II Guerra Mundial representou o fim dos impérios coloniais.

Os europeus, os movimentos sociais europeus, foram a carne para canhão neste processo.

III — Os impérios coloniais no centro da História da Europa no Século XX

O primeiro capítulo da Breve História da Europa, de Raquel Varela, tem por título: “ A GUERRA DAS GUERRAS, A REVOLUÇÃO DAS REVOLUÇÕES, 1917. Excelente título. A história da Europa do Século XX começa nos impérios coloniais e no fenómeno que dele decorreu, o colonialismo. Quase poderíamos afirmar que a História da Europa acaba com eles, mas não há um fim da História.

A formação dos impérios coloniais europeus, em particular o inglês, mas também o holandês, é uma excelente demonstração de que não são as dinâmicas sociais, a luta de classes, o motor da História. A formação dos impérios coloniais da idade contemporânea não pode ser atribuída aos interesses de uma classe. E, se pode, a qual? E o seu fim também não resulta de antagonismos de classe.

Voltamos à questão da unidade de interesses. Se considerarmos que existiu unidade de interesses de uma dada classe para a criação dos impérios coloniais , devemos concluir que a sua formação resultou de uma ação desenvolvida no interior de um grupo fechado, que estabeleceu uma estratégia e agiu em proveito próprio, defendendo os seus privilégios. Um processo endogâmico! Uma tese que contraia a tese das dinâmicas sociais como motor da história.

Na realidade, a formação dos impérios coloniais foi obra dos Estados, numa estratégia de afirmação de poder, não resulta de uma dinâmica social (sobrepopulação, por exemplo, como aconteceu com as vagas migratórias para a América do Norte no século XVIII), originou novas classes, novos grupos de interesses, induziu mobilidade social, transferências interclassistas. A formação dos impérios coloniais originou mesmo um grupo, ou classe, que foi designada por colonos, com interesses (de classe) muito distintos das tradicionais fracções das burguesias metropolitanas!

Seja como for, certo é que a questão central na História da Europa do século XX, é a do domínio e exploração dos impérios coloniais — é à volta da conquista da centralidade conseguida através dos impérios coloniais e da sua perda que gira a História da Europa do século XX, pelo menos até uma época que, para satisfação do ego pátrio, podermos situar em 25 de Abril de 74, com o fim do regime do Estado Novo português e da sua política colonial ou ultramarina ou até numa data, o 11 de Novembro de 1975, o dia da independência de Angola.

São os impérios coloniais e o colonialismo que globalizam a Europa do capitalismo industrial, que dão origem a novas classes sociais, que segmentam a sociedade como a conhecemos até à revolução das tecnologias da informação e do domínio dos Estados Unidos após a II GM.

Carlos Matos Gomes

(Próximo texto: A tecnologia motor da História)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.