O duro fardo de ser português | Manuel Carvalho in Jornal “Público”

Chamem-lhe descobertas, expansão, viagem, encontro ou o que quer que seja, mas não queiram que se passe da glorificação acrítica para a anulação preconceituosa de um período crucial para a definição do que somos. 27 de Junho de 2018

Retire-se a esfera armilar da bandeira, suprima-se o estudo de Os Lusíadas, dinamite-se a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos, arrase-se Goa, Ouro Preto e Moçambique, apaguem-se os nomes dos navegadores da toponímia das cidades, proíbam-se as Décadas da Ásia de João de Barros, mudem-se os versos do hino que exaltam o “esplendor de Portugal”, enterre-se a lusofonia e meta-se Portugal num divã a sublimar os traumas do seu passado. O debate em torno do museu dos Descobrimentos proposto por Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, para promover a “reflexão sobre aquele período histórico nas suas múltiplas abordagens, de natureza económica, científica, cultural nos seus aspectos mais e menos positivos” está em vias de criar um complexo de culpa tão intenso e profundo que exige a reinvenção do país. Já não está em causa o debate saudável promovido por académicos em torno do significado dos “descobrimentos”; agora a coisa fia mais fino e só se supera com uma revolução cultural que destrua uma das mais consensuais bases da identidade nacional.

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ATELIER ARTEMISIA | de Faiza Bayou

Concernant le nom de l’atelier “Artémisia”, c’est en hommage à l’artiste peintre italienne Artemisia Gentileschi

Un des problèmes avec les peintres de talent qui ont connu des vies tragiques est que la tendance naturelle, évidente est trop souvent d’expliquer leur peinture par leur vie.

Première femme peintre à part entière, Artemisia Gentileschi est une figure romanesque. Elle a su conquérir une liberté qui lui a permis de mener une véritable carrière d’artiste.

https://atelier-artemisia.puzl.com

Qui sommes nous?

Enseignante pour adultes.

Faiza Bayou fondatrice de l’atelier Artémisia .

Étude aux beaux-arts d’Alger de 1982 à 1987. Enseignante d’arts plastiques aux lycées , collèges et écoles privées de 1999 à 2009.

Faiza Bayou née le 24 septembre 1963 à Alger Algérie. Artiste peintre, graphiste publicitaire et enseignante des arts plastiques.

1982-1987: Étude aux beaux-arts d’Alger.

Expositions

 2006: Exposition 26 Novembre au salon contemporain en suisse à Expolac palace Hilton.

2007: Participation à Alger capitale de la culture arabe, Œuvres en couverture de livres littéraires

2008: Exposition de peinture “Mosaïque”.

2009: Exposition au Salon d’automne à la galerie Baya au Palais de la culture d’Alger.

2010 : Exposition collective  avec le « collectif des anciens des beaux arts » à la bibliothèque de la rue hoche.

2010: participation à Royal art collection à Londres pour un projet d’exposition à Dubaï.

2010 : Participation à une exposition collective sur le livre de la mort organisée par Sonja Benskin Mesher à Wales Londres.

2010 : Participation à une exposition collective à “Mobius Surrealestate” à Boston.

2010 : Participation à Art-Mail en hommage à “Judith  Hoffberg” en Californie.

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AINDA A DEGRADAÇÃO DO NOSSO ENSINO | António Galopim de Carvalho

Na minha capacidade de análise, que vale o que vale, o problema da degradação dos nossos ensinos básico e secundário reside, sobretudo, na classe política, onde, a par de gente capaz e honesta, se instalaram arranjistas e corruptos, como em todo o lado.

Mas tendo em conta que a chamada Esquerda só esteve no poder dois anos e dois meses, com os governos provisórios, e que tendo sido o Centro e a Direita a governarem-nos há mais de quarenta e dois anos, há que imputar a estes, os do chamado “arco do poder”, o grosso da responsabilidade de uma tal degradação.

Como já escrevi, à semelhança do que se passou com a Primeira República, a classe política, no seu todo, a quem os Capitães de Abril, há 44 anos, generosa, honradamente e de “mão beijada” entregaram os nossos destinos, mais interessada nas lutas pelo poder, esqueceu-se completamente de facultar aos cidadãos cultura civilizacional e humanística. Entre os sectores da vida nacional que nada beneficiaram com esta abertura à democracia está a educação. E, aqui, a ESCOLA FALHOU COMPLETAMENTE.

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Petrarca pelas mãos de Vasco Graça Moura | As mais belas rimas que deram origem à arte do soneto

Rimas, de Francesco Petrarca, com tradução de Vasco Graça Moura, editado pela Quetzal.

A sensibilidade ocidental assenta as suas raízes nestes versos do poeta transalpino maravilhosamente traduzidos por Vasco Graça Moura, agora publicados pela Quetzal. Rimas, de Francesco Petrarca (1304-1374), humanista e filósofo, uma das referências fundamentais da literatura ocidental, considerado o Poeta dos Poetas e pai do soneto, dedica a maior parte dos poemas reunidos em Rimas ao amor e a Laura, uma «musa impossível». Uma obra notável com uma tradução fantástica de Vasco Graça Moura, que está disponível a 22 de junho.

Agostinho da Silva, um pensador lusófono | Adelto Gonçalves

                                                         I

        O filósofo, poeta e ensaísta Agostinho da Silva (1906-1994) sempre teve múltiplos interesses, mas concentrou-se em áreas como literatura portuguesa e brasileira e as questões portuguesas, deixando obras, artigos e ensaios que o colocam hoje como um dos maiores – senão, o maior – pensadores luso-brasileiros do século XX. Em Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira, volume I (Lisboa, Editora Âncora, 2000), que tem merecido reedições, o leitor encontrará textos pedagógicos e filosóficos, especialmente aqueles que apareceram a partir da década de 1950, embora possam ser encontrados alguns de décadas anteriores, mas que são suficientes para dar uma ideia geral do pensamento agostiniano.

Um dos textos que se destaca entre os 28 artigos, prefácios de livros e ensaios aqui reunidos é aquele que carrega o título “Ensaio para uma teoria do Brasil”, publicado originalmente na revista Espiral, nºs. 11-12, de 1966, em que o autor diz que “a grande base do retardamento do Brasil como civilização nova vai estar no ciclo do açúcar e, mais que tudo, no ciclo do ouro, que provoca o quase despovoamento de Portugal em homens, fixa no Brasil uma tão elevada percentagem de europeus que o equilíbrio anterior se rompe e se perde aquele hibridismo de cultura que se apresentava como tão promissor”.

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