O intrigante caso Navalny | Carlos Branco, Major-general e Investigador do IPRI-NOVA | in Jornal Económico

Segundo o governo alemão, o político russo pró-ocidental Alexei Navalny foi envenenado com “Novichok”, uma substância neurotóxica. Políticos e comunicação social (OCS) ocidentais, sobretudo na Alemanha, apontaram unanimemente e sem reservas Putin como o mandante do envenenamento. Altos dirigentes alemães subiram a parada e acusaram o “sistema de Putin” de ser um “regime agressivo, sem escrúpulos que recorre à força para impor os seus interesses por meios violentos desrespeitando as boas normas de comportamento internacional.

Embora não disponha de informação privilegiada sobre o assunto, não posso deixar de considerar intrigante o acontecimento e os desenvolvimentos que se seguiram. É preocupante a ausência de interrogações sobre algo tão perturbador cujo momento em que ocorre sugere, independentemente de quem estiver por detrás, uma operação política de alto calibre.

Quando nos interrogarmos sobre quem poderia ter sido o mentor do envenenamento surgem três suspeitos, mas apenas dois têm a ganhar: o grupo de oligarcas apoiados pelos EUA, que se opõe a Putin e defende o desmembramento e a regionalização da Rússia, agências de espionagem estrangeiras e o próprio Putin. Não podem ser deixados de fora os inimigos internos do Kremlin, nomeadamente o grupo de oligarcas que compete com Putin, empenhado em o desacreditar. Navalny tem relações com esses grupos e ligações a grupos organizados de extrema-direita.

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