Questão de Género | Autor desconhecido

Algures, numa repartição pública:

Utente – bom dia, queria renovar o meu cartão do cidadão.
Funcionária – já não se chama cartão do cidadão, agora é cartão da cidadania.
U – a sério?
F – sim, a designação “cartão do cidadão” não respeitava a
identidade de género.
U – ok, então queria tirar o meu cartão da cidadania.
F – pois, mas isso não é comigo, é ali com o meu colega.
U – colega ou colego?
F – desculpe?
U – perguntei se era com uma sua colega ou com um seu colego?
F – está a gozar comigo?
U – de forma alguma, apenas quero respeitar a identidade de género
da pessoa ou pessoo em causa.
F – olhe, tenho mais que fazer do que aturar as suas piadas. Por
favor dirija-se ao balcão ao lado para tratar do assunto.
U – ok, só uma ultima pergunta…
F – sim, diga lá,
U – balcão ou balcona?

Retirado do Facebook | Mural de Célia Rodrigues

DA MEDIOCRIDADE NECESSÁRIA | António Lobo Antunes

“A sociedade necessita de medíocres que não ponham em questão os princípios fundamentais e eles aí estão: dirigem os países, as grandes empresas, os ministérios, etc. Eu oiço-os falar e pasmo não haver praticamente um único líder que não seja pateta, um único discurso que não seja um rol de lugares comuns. Mas os que giram em torno deles não são melhores. Desconhecemos até os nossos grandes homens: quem leu Camões por exemplo? Quase ninguém. Quem sabe alguma coisa sobre Afonso de Albuquerque? Mas todos os dias há paleios cretinos acerca de futebol em quase todos os canais. Porque não é perigoso. Porque tranquiliza.

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