Mário Zambujal, neste dia em que completa 85 anos de idade! | José Silva Pinto

Pedi “emprestada” ao João Paulo Guerra a foto que vai a ilustrar este post, para também eu me associar por aqui aos parabéns devidos ao Mário Zambujal, neste dia em que completa 85 anos de idade!

Há quantos séculos eu o conheço, desde que nos encontrámos, pela primeira vez, na redacção do velho Diário de Lisboa, na Rua Luz Soriano, num tempo em que se conseguia ir para lá de carro e encontrar lugar para estacionar, quase à porta daquele número 48!… (Só por isto podem imaginar como isto aconteceu há quase uma eternidade…).

Vinha o Mário da redacção do jornal A Bola – onde, tal como nos outros jornais desportivos, bem como nas estações de rádio, os jornalistas não tinham [ainda…] direito a carteira profissional –, mas logo se soube que ele estava longe de só escrever sobre futebóis…

Nessa época, o DL inaugurou uma rubrica chamada “Algures no Mundo”, na qual os melhores repórteres escreviam as melhores reportagens que era possível fazer sobre temas recolhidos fora das nossas acanhadas fronteiras. Aí escreveu o Mário Zambujal algumas das suas mais saborosas.

O DL era um grande e belo jornal, num tempo em que ainda se publicavam quatro diários à tarde, mas, como em tudo na vida, nada é eterno, mesmo quando é belo… E assim foi que, a certa altura, tanto ele como eu e outros camaradas de redacção, rumámos a outras paragens, o Joaquim Letria para a BBC, em Londres, alguns para A República, como o Raúl Rêgo, o Vítor Direito, o Fernando Assis Pacheco e o Afonso Praça, eu para o Diário de Notícias, e o Mário Zambujal, se não estou enganado, de regresso (temporário) à Bola…

Não tardaria, porém, muito tempo até que voltássemos a encontrar-nos, dessa vez n’O Século, para onde ele foi como chefe da redacção, com o Manuel Figueira como director, logo me convidando, para o coadjuvar, alternando, dia-sim, dia-não, na execução de cada edição diária.

Foi aí, aliás, que, pelas três da madrugada de 25 de Abril de 1974, um colaborador do jornal que também trabalhava na Emissora Nacional, na Rua do Quelhas, chegou com a notícia de que havia militares a escalar os muros da EN…

Chegava, finalmente, o dia da libertação!

[É verdade que houve quem pensasse em avisar o ministro do Interior do que passava, mas logo foi dissuadido de fazê-lo, com a convocação geral de redactores e repórteres para a cobertura do que não se sabia ainda o que era exactamente].

Pela minha parte, estaria na redacção mais três dias praticamente ininterruptos, a não ser para ir rapidamente a casa tomar um duche e voltar, mesmo no meu dia de aniversário (26 de Abril). Mas todo o trabalho que deram as não sei quantas edições que se seguiram foi competentemente coordenado pelo Mário Zambujal, a par do Manuel Figueira (que era marcelista, mas de parvo não tinha nada, e era acima de tudo jornalista…).

Ia já alta a manhã desse 25 de Abril e ainda nada estava garantido, quando na redacção d’A República Raul Rêgo se interrogava ainda sobre se ainda seria preciso mandar à censura as provas de página a que aquele jornal era obrigado… E foi o Manuel Figueira quem o dissuadiu de tal obrigação, dizendo-lhe que isso era coisa acabada…

Alguns meses depois – muitos “séculos” depois… –, o Mário e eu voltámos a separar-nos, profissionalmente, mas também como vizinhos, na Rua Padre Francisco Álvares, onde julgo que ainda mora, embora durante anos tenha alugado também outro local, onde se dedicou à escrita dos seus excelentes livros, com a impagável Crónica dos Bons Malandros à cabeça…

Neste meu rememorar de eventos protagonizados com o Mário Zambujal, não pode ficar sem referência o convite que lhe fiz, já na Projornal (a editora de O Jornal), para ser o primeiro director do Se7e (assim mesmo grafado com o algarismo 7 entre dois es…).

Aceitado o convite, logo congeminou e levou a cabo o projecto, dele fazendo um considerável êxito de vendas, depois consolidado e acrescentado com as saborosas crónicas do Zé Carioca de Limão, do Pedro Rafael dos Santos…

•••••••••••••••

Já não nos vemos há um bom par de anos, mas sou capaz de apostar que, se voltar a encontrá-lo por um destes dias, aos 85 anos, como hoje, ele me aparecerá com o ar bem-disposto que mostra nesta foto.

Entretanto, daqui vai um fortíssimo abraço, grande Mário!…

Retirado do Facebook | Mural de José Silva Pinto

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