Saúde – o maior negócio do mundo | por Carlos Matos Gomes

O senso comum considera o negócio da guerra o maior negócio do mundo. Não é. O maior negócio do mundo é o da Saúde. O segundo é o do “infoentertainment” (a manipulação pelo entretinimento) e a guerra é o terceiro. Esta hierarquia faz todo o sentido: todos os humanos querem ser saudáveis, viver mais e melhor; a mais eficaz (custo-eficácia) atividade para dominar uma sociedade é a manipulação da sua opinião; por fim, porque se não obedecemos a bem obedecemos a mal: a guerra.

No sistema político dominante – o do capitalismo neoliberal – é evidente que o maior negócio tem de ser dominado pelas oligarquias. Os serviços públicos e tendencialmente gratuitos de saúde são uma heresia “comunista”.

Já agora, o envolvimento da Europa (UE e Reino Unido) na guerra na Ucrânia que os Estados Unidos provocaram, teve também como finalidade destruir o modelo social europeu – assente em serviços públicos – e substituí-lo pelo capital privado, das grandes multinacionais que vigora nas Américas, onde se tens dinheiro vais para o hospital, se não tens vais para a morgue.

Abrir uma televisão nestes tempos é ter a certeza que há um microfone aflito à porta de um hospital – sempre público – a garantir que a urgência está cheia, que há infelizes há horas à espera de um médico, que há macas no corredor. Que a direção clinica se demitiu, que uma ambulância se avariou. Desgraças que terminam em apoteose com o bastonário da ordem dos médicos, com expressão de cangalheiros a garantir que faltam meios. Que não há meios. Que o governo não “investe” na saúde.

O curioso é que, lendo jornais e vendo noticiários do Reino Unido e da França assistimos ao mesmo filme. O NHS está um caos, o serviço medical francês e até o alemão também. O negócio da saúde em bombardeamentos de massa. Demagogia e cupidez. E os cidadãos engolem estas pilulas venenosas como se fossem xarope para a tosse, ou pastilhas de alucinogénios para bons sonhos e descolagem da realidade.

A realidade em Portugal (dados da Portugal):

– Em Porrtugal existem 566,8 médicos por 100 mil habitantes (2021);

– Portugal É O 3º país da OCDE (países mais desenvolvidos do mundo) com mais médicos por 100 mil habitantes;

– A média de médicos por 1000 habitantes em Portugal é de 5,8. A média da OCDE é de 3,5.

– Portugal forma mais 25% de médicos do que média da OCDE

– Todos os anos se formam em Portugal 16,1 médicos por mil habitantes.

Seria, pois, uma boa medida que o Ministério da Saúde fizesse esta conta muito simples, dividir o número de horas de medicina praticadas nas instituições de saúde pública pelos médicos dos quadros para termos uma ideia da produtividade dos médicos. Teríamos assim uma referência, uma ideia de quantas horas trabalham em média por ano os médicos do serviço público no serviço público de saúde.

É evidente que o alarido da comunicação social não é inocente, que tem por detrás os lóbis da saúde, dos grandes fundos financeiros, das seguradoras, dos fabricantes de material, dos laboratórios, dos barões da medicina.

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