Abro as janelas a Março | João Gomes

Abro as janelas a Março, deixo entrar a brisa fria.

E as aves veem do mar, procurando esta calmaria…

São gaivotas ansiosas, pela paz que não tem mar,

voam por entre as colinas, onde ervas são um lar.

Fico a vê-las na janela, onde as horas já não passam,

O corpo cubro dos sonhos que de noite extravasam,

Faço ninhos nas orelhas para o cabelo descansar,

Nos olhos a sensação do não querer acordar.

Faço força, forço a mente a deixar-me partir,

Para a frente dessa força, que no voo posso sentir.

E sou gaivota na mente, sou uma ave ilusória,

Voo por entre as colinas, faço parte dessa história.

Vou com elas, companheiras, conhecer o lado forte,

De quem voa o dia inteiro e não teme nem a morte,

Vou voando para a costa, vou voando enquanto estou,

Nesta janela aberta, deste Março que acordou.

João Gomes

Bom dia!

Arte de Sigismunds Vidbergs “Dançando com os Pássaros”, 1913

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