O FIM DOS ACORDOS DE BRETTON WOODS | por Carlos Matos Gomes

AFP

Dilma Roussef iniciou hoje ( 28 de março de 2023) como presidente do banco dos Brics em Xangai, na China. O banco das potências alternativas aos EUA, Brasil, Rússia, Índia e ainda a África do Sul chama-se oficialmente Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). Este banco foi criado em 2015 e tem por finalidade estatutária fornecer apoio financeiro a projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável, públicos ou privados, nos cinco países-membros e noutras economias emergentes e países em desenvolvimento. O Banco tem sede em Xangai, nos antípodas das sedes do FMI e doo Banco Mundial e num Estado ao abrigo dos assaltos dos Estados Unidos.

A criação deste banco marca o fim da hegemonia absoluta do sistema financeiro dos Estados Unidos sobre o planeta, decorrente dos acordos de Bretton Woods, de 1944, que criaram o Banco Mundial e o FMI.

No sistema de Bretton Woods, os países que aderiram ao Fundo Monetário Internacional concordaram em estabelecer câmbio fixo, mas ajustável para corrigir um «desequilíbrio fundamental». Cada Estado fixaria sua taxa de câmbio em relação ao ouro ou ao dólar norte-americano, que por sua vez tinha valor fixo de US$ 35 por onça. O sistema durou até 15 de agosto de 1971, quando os Estados Unidos, de forma unilateral, (administração Nixon) acabaram com a convertibilidade do dólar em ouro, o que tornou o dólar uma “moeda fiduciária”.

Uma moeda fiduciária é, na definição do economista John Maynard Keynes, dinheiro que não é garantido por uma mercadoria. Dinheiro declarado por uma instituição ou governo como de uso curso forçado. Dinheiro emitido pelo Estado que não é conversível por meio de um banco central em qualquer outra coisa, nem fixado em valor em termos de qualquer padrão objetivo. Dinheiro cujo uso é imposto por decreto governamental.

É esta nota-ditadora, de valor estabelecido de acordo com os interesses do seu emissor, que o dólar tem sido até agora e é para continuar a ser assim que os EUA fazem as guerras.

Os acordos que estão a ser desenvolvidos por alguns estados que fazem parte do “espaço Brics”, com as economias mais pujantes do planeta, com um desenvolvimento tecnológico e militar equiparável ao dos EUA irão levar a nova moeda que dele vai surgir a competir com o dólar como moeda de troca mundial. Este facto representa uma alteração radical no sistema mundial de trocas e no comércio mundial. Produtos essenciais como cereais, fertilizantes, combustíveis, terras raras, patentes, direitos de navegação, taxas de juros serão negociados em duas moedas com valores distintos e de acordo com confiança que mereçam dos mercados. Haverá um mercado BRIC e um mercado americano.

A guerra da Ucrânia destapou a caldeira de Pandora. Depois das sanções, dos congelamentos e decisões arbitrárias, os estados fora da órbita dos EUA não mais aceitarão as punições americanas, não mais aceitarão o congelamento e o roubo das suas reservas de ouro e de divisas depositadas em bancos americanos e suas filiais europeias. Não mais aceitarão guerras por procuração no seu território. Será mais difícil contratar Zelenskis. O Banco Mundial deixa de ser mundial, assim como o FMI — serão, com certeza, instituições importantes, mas não serão as que ditam o comportamento dos outros.

Dilma Roussef merece esta distinção. Os Estados Unidos e a Europa apoiaram formalmente o golpe contra o seu governo. O juiz Moro pavoneou-se pelos EUA e a pela Europa a promover o “impeachment”. Aí está a resposta aos sabujos.

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