Morreu há três dias o maestro José Atalaya | Júlio Isidro

O FIM DE UMA PARTITURA

Morreu há três dias o maestro José Atalaya.

Nem uma linha, nem uma voz, nem um excerto musical, para informar ou recordar quem foi este maestro que aos 93 anos partiu num triste adagio. O que nós lhe devemos na divulgação da chamada música clássica, através de concertos onde o maestro explicava de modo simples o que os nossos ouvidos reactivos recusavam descobrir para depois começar a gostar. Esteve para ser engenheiro ,mas trocou a resistência de materiais pelos resistentes à música que chamavam erudita para a remeterem só para os eleitos.

Nos anos 50 já estava na vanguarda, com a atracção pela obra de Joly Braga Santos ou Pierre Boulez e o seu experimentalismo electrónico. Foi maestro fundador da Juventude Musical Portuguesa e , à frente da orquestra IMAVE – Instituto de meios Audiovisuais de Educação , percorreu escolas e universidades a cativar milhares de jovens para o fascínio e os porquês da música. O sucesso foi tão grande que os seus concertos falados e tocados, enchiam o Teatro de S. Carlos e o Rivoli com transmissão pela RTP e RDP.

Continuar a ler