PRISIONEIROS

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Prisioneiros

Já alguma vez dormiram entre palavras por dizer?
É brutal. Elas esperneiam, contorcem-se de desespero, gritam no silencio que lhes foi imposto. Sentem dores impossíveis de relatar. Abraçam-se umas às outras num amontoado de perfeito desespero.

Já alguma vez dormiram entre actos por praticar?
É profundamente desagradável. Não há qualquer movimento. Nada mexe um milímetro que seja. Desgastados enroscam-se uns nos outros formando montes disformes. Contraem-se na magoa que os devora lenta e drasticamente.

Palavras e actos sem poder, rasgam a essência do ser, no mais íntimo das suas entranhas. Tornam a alma prisioneira de si própria. Aprisionam a consciência de forma perigosa. Tornam a nossa existência numa repetição insana de momentos drásticos de vazio.

IN “Não há pontuação na vida” – Tiago Galvão-Teles

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