Jogar pelo Seguro: António Costa a PM, por Daniel Deusdado

António Costa

Daniel Deusdado
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Jogar pelo Seguro: António Costa a PM
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Cavaco instalou a derrota final. Esta solução de ‘nem antecipa já nem Governa até ao fim’ é a pior de todas – um Governo de gestão por um ano cuja única missão é reunir com a troika e fazer tudo o que os ‘mercados’ exigirem. Só que a chantagem da “salvação nacional” não basta para unir estes partidos, neste momento, sob coação do presidente.

O problema é o da credibilidade dos líderes. Passos Coelho é apenas o último exemplo desta inconsistência e por isso os portugueses temem tanto António José Seguro. Mas bastaria dois dedos de testa no PS e isto resolvia-se sem se hipotecar o sistema democrático através de uma aliança irrespirável entre PSD, CDS e PS e no qual se entrega o voto de protesto ao PCP e ao Bloco.

Como sair daqui? Seguro foi eleito líder do PS (só Deus sabe porquê…) mas é evidente que o país preferia ter à frente dos socialistas António Costa. Ora, António José Seguro tem uma grande oportunidade de se revelar pela primeira vez um estadista. Basta anunciar que o PS indica António Costa para primeiro-ministro das eleições (sejam elas quando forem).

Se fosse lúcido, Seguro tê-lo-ia feito já na semana passada e acabava de vez com o Governo. Mas o projeto de Seguro não é o país, é o de “Ele” ser primeiro-ministro. Tal como Passos Coelho. Querem entrar na história a todo o custo, apesar dos milhões de vítimas provocadas pela sua ignorância profunda para a função. Seguro pode tentar demonstrar que é competentíssimo no mundo in vitro onde vive, mas há todos os dias alguém a fazer campanha contra o líder do PS: é o líder do PSD. Passos mostra como um jotinha profissional é bom a conquistar distritais e assustador a gerir um Governo real.

Se António José Seguro pusesse o seu ‘ego’ ao largo e por um minuto pensasse nos portugueses, perceberia que António Costa tem mais perfil para o momento que atravessamos. Tem experiência – foi um bom ministro da Justiça, foi um excelente ministro da Administração Interna. Lisboa é uma cidade que ganhou brilho com ele. E tem uma boa rede de ‘inteligência’ capaz de colocar ao seu lado uma equipa séria para pastas essenciais num Governo.

Mais: no contexto em que estamos, seria pacífico e clarificador que o PS não apresentasse Costa à Câmara de Lisboa. Da forma que o PSD está, seria o momento certo para um novo rosto iniciar um ciclo na capital. Aliás, haveria um impulso PS por todo o país com esta credibilização da liderança socialista. Entretanto, António José Seguro poderia liderar o PS neste impasse e depois no Parlamento em apoio ao futuro Governo, ou ficar como vice-primeiro-ministro, ou ser ministro dos Negócios Estrangeiros – enfim, o que quisesse. Com esta decisão os portugueses ficar-lhe-iam gratos e acreditariam que existe algo mais na ambição de Seguro do que, apenas, ligar à família e dizer: “Olá! Já sou primeiro-ministro”.

Um outro ponto essencial de uma estratégia nova: com António Costa o PS poderia ter a ambição de reclamar uma maioria absoluta porque Costa é bem-visto simultaneamente à esquerda e à direita do PS. E com uma provável maioria absoluta do PS terminaria o dogma da “instabilidade”. Um Governo de quatro anos socialista seria melhor do que esta brincadeira a prazo que temos à frente em nome da “estabilidade”. Até os mercados agradeceriam um novo cenário.

Além disso, o risco do regresso às políticas “Sócrates” – a que ficou ligado o PS – ficaria muito mais mitigado porque Costa tem um pensamento próprio enquanto Seguro voga entre os de Costa, os de Sócrates e os que estão a ver para onde as coisas caem.

Insistindo Seguro no seu incontornável “Eu”, as próximas autárquicas podem ter um sentido útil: à exceção de Lisboa, os portugueses que querem votar apenas em protesto (porque não têm certezas sobre os candidatos PS), deveriam votar noutros partidos. É hora de se fazer uma moção de desconfiança a este líder do PS que não percebe a importância do momento que todos estamos a viver e não abre caminho à solução de que os portugueses desesperadamente precisam. Mesmo com austeridade e sacrifícios no futuro, precisaríamos de recomeçar, já, com um Governo decente. Sem Passos, Portas ou Seguro.

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