MAINSTREAM | José Goulão

A ditadura do mainstream é elegante, bem falante, civilizada, polida, tolerando muito bem os programados excessos. Porém, é impiedosa, ou não fosse uma ditadura para os que não têm a bem aventurança de pertencer à ordem, afinal a maioria dos que habitam a comunidade de onde ela emana.
Mainstream, ao contrário do que rezam certas definições académicas, não é uma cultura de maiorias, de massas, de moda. É um círculo elitista, fechado, dentro do qual se passa tudo o que nos diz respeito sem que tenhamos nada a ver com isso.
Mainstream define a ordem dominante e o resto, incluindo os que julgam pertencer-lhe, seguidores bem comportados, é simples macaqueação.
Mainstream é a política única, a permitida, uma união nacional com as suas alas liberais, é a suserania dos mercados, a sociedade das pessoas virtuais onde nem só da farda de marca vivem as aparências mas também das excentricidades diletantes, são os jornais de referência, as televisões que dão ao público o que o público quer, a literatura de grandes superfícies e lojas de conveniência, os opinion makers, os comentadores oficiais com chancela política e outros que são também oficiais mas sem chancela política almejando que lhes seja concedida, os que ocupam as franjas folclóricas de marginalidade para compor o ramalhete plural e que, começando normalmente por professores dos trabalhadores e do irredentismo democrático, acabam como chefes dos patrões, frequentadores de Bilderberg e compreensivos para com o papel da espionagem ao serviço do poder.
Mainstream é, hoje, a ordem neoliberal com os seus satélites, que giram enquanto forem necessários, é a lei de violar as leis, o direito de atacar os direitos humanos em nome dos direitos humanos, de subverter a democracia em nome da democracia, de governar à direita e à esquerda desde que estejam dentro do mesmo centro, o culto da corrupção e do amiguismo se tudo se passar no interior do círculo dos escolhidos, a selecção natural da competitividade onde só cabem os paquidermes do negócio.
Mainstream é uma ditadura do faz-de-conta porque não se pratica aquilo que diz praticar-se, não se disse aquilo que se disse, jamais se escuta a voz dissonante, raramente se fala verdade em nome da verdade, nunca se faz em benefício do ser humano o que se cria e desenvolve em seu nome.
A ditadura do mainstream é a mais perigosa, porque tarda a ser identificada por aqueles que lhe estão submetidos enquanto age conscientemente para os deformar.

O filho, de Michel Rostain

O FilhoO primeiro livro de Michel Rostain, O filho, não pretende ser sobre a morte, é antes dedicado à vida. Nas livrarias a a partir de hoje, este romance dá voz a um filho que, após partir, observa o seu pai enquanto este o procura conhecer melhor e entender a sua morte. Apesar de ficção, O filho surgiu como um exercício para o autor ultrapassar o seu
próprio luto.

O resultado surpreendeu os leitores e a crítica, valendo-lhe o Prémio Goncourt para Primeiro Romance 2011.
O filho é um romance íntimo e enternecedor que nos ajuda a perceber que a vida pode dar origem a memórias felizes.

A Filha das Flores, de Vanessa da Mata

planoK_filha_flores_abstrRomance de estreia de uma das grandes
figuras da música popular brasileira, chega hoje às livrarias.

A Filha das Flores, romance de estreia de Vanessa da Mata, revela uma
hábil criadora de cenários e de personagens, além de uma superior
destreza linguística capaz de maravilhar todas as cores da língua
portuguesa.

Giza cresce numa pequena cidade brasileira e ajuda, com o seu trabalho,
num negócio de flores muito especial, gerido por Florinda e Margarida que
a tratam como irmã.

Aos 18 anos, Giza apaixona-se por Tito, mas Florinda apressa-se a pôr
um fim à sua paixão.

À medida que Giza vai crescendo, a vila parece ir diminuindo, o que faz
com que ela comece a procurar novos territórios e encontre a «Vila» – um
bairro periférico, detestado pela população em geral. Aí faz novos amigos
que a iniciam na história secreta daquele lugar que se revela estar ligada
à sua própria origem.