A Mística de Putin, de Anna Arutunyan

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A Mística de Putin – O culto do poder na Rússia leva o leitor numa jornada através da Rússia de Vladimir Putin, designado pela revista Forbes, em 2013, como o homem mais poderoso do mundo. Este é um país neofeudal em que iPads, a filiação na OMC e os fatos de luxo escondem uma estrutura de poder saída diretamente da Idade Média, em que o soberano é visto ao mesmo tempo como divino e demoníaco, em que a riqueza de um homem é determinada pela sua proximidade com o Kremlin, e em que grandes camadas da população vivem numa complacência interrompida por acessos de revolta.

De onde vem este tipo de poder? A resposta não reside no líder, mas no povo: no trabalhador empobrecido que recorre diretamente a Putin para pedir ajuda, no empresário, nos agentes de segurança e nos altos-funcionários do Governo de Putin – muitas vezes disfuncional – que se viram para o seu líder à procura de instruções e de proteção.

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O Puto – Autópsia dos Ventos da Liberdade

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Nos anos da Revolução, este homem participou em atentados que puseram o país a ferro e fogo. A voz do comandante Paulo, «o Puto», ouve-se agora pela primeira vez. E conta tudo.

Aos 17 anos foi bater à porta da tropa para ser comando, e o lendário capitão Jaime Neves chamou-lhe «Puto». E «Puto» ficou. Depois participou no 7 de Setembro de 1974; prenderam-no, e evadiu-se da penitenciária. Voltaram a prendê-lo, e fugiu da Tanzânia antes de ser fuzilado. De refugiado na África do Sul seguiu para Angola; assaltou quartéis para obter armas, formou o esquadrão Chipenda, conquistou cidades após cidades para a FNLA. Aí deixou de ser «Puto» para ser Paulo, comandante Paulo. Colaborou na evacuação de Moçâmedes e ia morrendo à sede no deserto. A seguir, o Puto e os outros vieram para Portugal. Queriam apresentar a factura – foi a altura dos atentados bombistas (na Associação Portugal-Moçambique, na torre do radar do aeroporto, em duas torres de alta tensão na Vialonga), uns atrás dos outros, até voltar a ser preso e condenado, primeiro a 16 e no final a 34 anos de cadeia. Mas nem o comandante Paulo nem os seus camaradas eram de ficar presos; cavaram um túnel na segunda mais segura cadeia da Europa, em Alcoentre, e dali escaparam 131 prisioneiros, na maior fuga de que no Ocidente há notícia.

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