1 de Dezembro de 1640 | António Pina

antonio-pina-200Nesta data que marca a restauração da independência nacional, perdida em 1580 para Espanha, depois do desaire militar em Alcácer-Quibir e da destruição das forças militares portuguesas, Portugal iniciou um período de 28 anos de lutas e guerras que levaram à assinatura do Tratado de Lisboa, em 1668, no qual Espanha reconhece a nossa independência.
Este facto apenas foi possível, não só pelo reencontrar da nação, mas também porque a Espanha teve de fazer frente a revoltas na Catalunha e Andaluzia, ao mesmo tempo que enfrentava guerras com a Inglaterra, Holanda e França, países que ajudaram o país na sua luta, ainda que de forma dúbia, já que se na Europa apoiavam a luta pela independência, no resto do mundo continuavam a conquistar-nos territórios, como foi o caso de Malaca, Ormuz, Ceilão, Japão, algumas ilhas na atual Indonésia, a maioria das cidades indianas, para a além da maioria das feitorias / cidades africanas (nomeadamente S. Jorge da Mina). Ceuta perdeu-se para os espanhóis.
Esta realidade levou os revoltosos a optar pelo abandono do império do Oriente e a concentrar os seus esforço na recuperação da parte atlântica do mesmo, tendo conseguido recuperar o Brasil, Angola e S Tomé e Príncipe. A opção assumida, decorria da consciência das elites nacionais, que a independência do país apenas seria possível, suportando-se na exploração de territórios coloniais, o que se confirmou nos séculos seguintes. Realidade que implicou a adesão formal à CEE (1986), após a perda das colónias, a última das quais perdida formalmente em 2002.
A luta pela independência deveu-se em grande parte aos prejuízos causados à nobreza e burguesia, pela política implementada por Espanha a partir de 1610 que, prejudicava profundamente as elites económicas, as mesmas que em 1580 permitiram a ocupação espanhola, pelos benefícios que poderiam retirar dessa união. Para além dos prejuízos causados à burguesia, dos cargos e benesses retirados à nobreza, o aumento de impostos (sobre o linho, da sisa, do real da água) sobre a restante população provocou a revolta generalizada.

Retirado do Facebook | Mural de António Pina

1640

QUE VIVA CUBA! | António Ribeiro, jornalista in “Facebook”

che_guevara_fidel_castroPara quem não sabe, não se lembra, ou não viveu nos anos 50/60 do século XX. Em nome da realidade histórica. E independentemente de simpatias ou antipatias políticas. Mas é bom saber, ler e reflectir. Belo texto!

Parabéns ao jornalista António Ribeiro.

Não me sinto o mais indicado para tecer loas a Fidel Castro. Não é que ele não as merecesse e garanto-vos que merecia mesmo! Liderar um país que era miserável em 1960 contra os interesses da mais agressiva superpotência mundial, e tudo isso a apenas 150 quilómetros de Key West (Miami), que em matéria de valores e de estilo de vida é uma espécie de América ao quadrado, não há-de ter sido nada fácil. É aliás obra de gigante, isso podem crer. Nacionalizar os sectores monopolistas americanos (hotéis de luxo, batota casineira, tráfico de droga, prostituição à escala industrial, banca, produção e distribuição de electricidade e exclusivo das comunicações) sem pagar nada aos donos daquilo tudo foi uma empreitada e pêras! Logo a seguir convém lembrar as tentativas de assassinato, a nojenta aventura da Baía dos Porcos orquestrada pela CIA, a questão irresolvida de Guantánamo e, sobretudo, o escandaloso boicote comercial que deixou o país à míngua de tudo, incluindo os sobressalentes indispensáveis para manter máquinas e equipamentos em estado operacional. Muita gente não sabe, ou já esqueceu, que o embargo não era só anti-Cuba, era também contra todas as companhias do mundo inteiro que teimassem em manter negócios com Cuba, em exportar para Cuba, em voar ou navegar para lá, entidades às quais era automaticamente vedado ter relações comerciais com companhias americanas. Uma chantagem política miserável, inumana e desproporcionada, que pretendia esmagar um povo inteiro e estimulá-lo à insurreição contra os seus dirigentes. De maneira que os EUA transformaram-se eles mesmos, a propósito de Cuba, numa imensa “baía dos porcos”.

Continuar a ler

Poesia | Poema que aconteceu | Carlos Drummond de Andrade

carlos-drummond-de-andrade-l-200Poesia 

Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever,

no entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

 

Mas a poesia deste momento

Inunda minha vida inteira.

 

Poema que aconteceu

Nenhum desejo neste domingo

nenhum problema nesta vida

o mundo parou de repente

os homens ficaram calados

domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema

não sabe que está escrevendo

mas é possível que se soubesse

nem ligasse.

Che Guevara | aforismos e excertos

che02-200É preciso endurecer, sem perder a ternura, jamais. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

§

Se você é capaz de tremer de indignação cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

§

O caminho é longo e em parte desconhecido; conhecemos nossas limitações. Faremos, nós mesmos, o homem do século XXI. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

§

Deixe-me lhe dizer, com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é feito de grandes sentimentos de amor. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

§

A universidade deve ser flexível, pintar-se de negro, de mulato, de operário, de camponês ou então ficar sem portas, e o povo invadirá a Universidade e a pintará com as cores que quiser. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999