Isto vai dar um estoiro um dia destes | J. Nascimento Rodrigues

jnrA nova fase da revolução tecnológica capitalista, desde a WWW de Beners-Lee e da previsão de Peter Drucker que em 2020 cerca de 40% da população ativa nas economias desenvolvidas serão o que ele designou de trabalhadores do conhecimento, abriu enormes oportunidades para uma vaga de novos empreendedores que conseguiram construir os novos monopólios e oligopólios do inicio do século XXI, foi o berço de uma nova classe de gente que vive de rendas e de uma aristocracia de empregos de ouro ou diamante.

Mas criou o mais vasto, enorme, gigantesco, exército de mão de obra com qualificações elevadas jamais vistas nas economias desenvolvidas, mas … com um horizonte de carreira (?) sombrio, com rendimentos tendencialmente decrescentes (sempre que são forçados a mudar de emprego ou de cliente dos seus serviços), emprego intermitente, períodos de subemprego e mesmo desemprego estrutural (sobretudo quando a idade avança dos 40 para cima),
negócios flutuantes (isto é um eufemismo para os falhanços sucessivos),
projetos de família difíceis de alimentar, dependência cada vez maior de familiares a montante na cadeia reprodutiva.

Precariado e empobrecimento real para estes segmentos da classe média na flor da idade, mesmo que ostentem sinais exteriores de modernices — o smartphone, as criancinhas com tabletes sempre ligados, o TV LED-LCD panorâmico e sensaround, o vício do face mesmo quando mastigam a fast food ou os ikea menus, etc.

Um horizonte (?) deste tipo para duas, DUAS, gerações (as nascidas depois das crises de 73-75 até Berners-Lee dar o salto no virtual que abriu o admirável mundo novo na ponta do vosso dedo no teclado) é insustentável, INSUSTENTÁVEL, por mais discursos otimistas que os arautos da globalização, da financeirização e do progresso tecnológico façam.

Não se iludam com o sapatinho de natal nem com os oh oh oh de renas que até cantam.

Aqui no corner, como uma espécie de paradigma dos tempos modernaços, o Toninho tem um canudo (os pais pagaram o filho ser sôdôtô coisa que eles nunca puderam almejar), fez um mestrado em não sei o quê mesmo (até era numa área promissora, diziam), mas o “cenário de carreira de alto nível” para este arquétipo, como ele se goza a si próprio, é um “mix” de call center com uns biscates a conduzir um “uber” nas horas “extra”. Vive ora em casa dos pais ora dos sogros com a namorada — “planeiam” descendência para quando chegarmos a Marte.

Não há nada como natal para esperarmos depois pelos reis magos.

Retirado do Facebook | Mural de J. Nascimento Rodrigues

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