A comunicação social desempenha um papel decisivo na banalização do mal | Carlos Matos Gomes

Esta classe de pessoas, os maiores especialistas em finanças, foram os que, antes da crise de 2008 afirmaram que as autoridades dos Estados nacionais e, desde logo as dos Estados Unidos, não teriam de tomar medidas em relação a bolhas de especulação, porque eles, os banqueiros, tinham tudo preparado para as eliminar de forma indolor! É de falsos especialistas que estamos a falar. De uma quadrilha a nível mundial.
Em quase todos os países estes falsos especialistas milionariamente pagos não só não foram levados a tribunal, não só não foram desacreditados como vendedores de banha da cobra, como se mantiveram nos governos ou em posições chave nas instituições financeiras. Casos de antigos e futuros quadros do Goldman Sachs. Na melhor das situações lamentaram com lágrimas de crocodilo as dores causados pela austeridade que os Estados impuseram aos cidadãos para pagarem os seus crimes de especulação. 


A publicitação dos seus ganhos, como agora fazem através da sua comunicação social, que os apresenta sem crítica à luz do dia, é uma operação de lavagem pensada e executada por malfeitores dentro do princípio da banalização do mal. Banalizados, os crimes passam à categoria de factos normais. Ninguém diz: Aqui está o produto do saque destes piratas, mas sim: Eis o fruto do mérito destes especialistas! Ninguém refere o modo como estes filibusteiros enriqueceram, mas sim o quanto enriqueceram. A regra a interiorizar pelos leitores e espetadores é a do vale tudo!
A comunicação social desempenha um papel decisivo na banalização do mal. Por isso os grandes poderes investem nela. A comunicação social é uma ferramenta indispensável para apresentar como uma política “ sem alternativa” o embuste que esta classe de pessoas – a elite do neoliberalismo – promove. Na realidade, a sua política sem alternativa é a velha concentração de capitais e de poder através dos mesmos métodos de expropriação e exploração da época do trabalho servil, ou da proletarização da fase inicial da industrialização: conseguida através da desregulamentação do trabalho, da destruição da protecção social e do descontrolo (liberdade) do capital financeiro! São estas velhas receitas que as grandes instituições neoliberais da finança, as burocracias de Bruxelas, ou Washington, do FMI ou do BCE exigem aos governos dos Estados, sob a cândida designação de reformas estruturais, sem nunca as mencionarem.
Os vencimentos destes banqueiros é produto do saque que fizeram em nome dos seus patrões aos salários dos trabalhadores, às suas protecções sociais, às matérias-primas de povos desarmados, atuando à margem ou contra qualquer princípio de igualdade económica e social, de qualquer moral, de qualquer justiça e até contra a vontade expressa pelos cidadãos de estados-nação. A democracia não é um bem respeitável por estes abutres. Os seus meios de comunicação já designam o seu sistema de governo por pos-democracia, a ditadura da finança!

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s