O Papa Francisco 
é cristão e isso é que espantou o mundo | Anselmo Borges | in Jornal i – 27/10/2019

Defende o fim do celibato obrigatório e a ordenação de mulheres e viu sinais de mudança no Sínodo da Amazónia. Se a Igreja não for por aí, vaticina, será um “suicídio”.

Assume que em miúdo já era um pouco rebelde, mas defende que a sua visão sobre uma Igreja onde os padres deveriam ter vidas “normais” – incluindo serem casados e as mulheres o mesmo lugar que os homens – não é heterodoxa. Seria um regresso à fundação do cristianismo, o caminho que diz estar a ser feito pelo Papa Francisco. Anselmo Borges publicou uma antologia de entrevistas dos últimos 12 anos, Conversas com Anselmo Borges (Gradiva), pretexto para uma nova conversa sobre a fé e os ventos de mudança do Sínodo para a Amazónia, que termina este fim de semana. Acredita que é uma questão de tempo até as mulheres poderem celebrar missas e os padres constituir família e não poupa nos termos: se isso não acontecer, será o suicídio.Reúne neste livro um conjunto de entrevistas. Foram os 75 anos a pedir uma síntese?É possível que inconscientemente seja uma espécie de balanço destes últimos 12 anos. Queria rever-me um pouco. São entrevistas em que falei da Igreja mas também dos problemas do mundo.Sempre quis que o seu lugar fosse numa Igreja sensível ao mundo, o que tem sido uma marca do pontificado de Francisco. Foi a grande mudança na vida da Igreja nos últimos 12 anos?
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É verdade que “os pobres” votam no PS? | Bárbara Reis in Jornal Público 1 de Novembro de 2019

Há duas formas de olhar para isto. Uma é analisar a linha de raciocínio (é uma ideia lógica?); a outra é olhar para os factos (o que sustenta a ideia?). Vamos por partes.

«Na sua estreia como deputado na Assembleia da República, João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, disse coisas extraordinárias.

Uma delas foi esta: “O PS sabe que mantendo um país amorfo e resignado tem um grupo de pobres, desesperados e dependentes do Estado que lhe irão dar o voto. A pobreza de muitos é o que segura o PS ao poder.”

A seguir, seguindo as boas práticas aristotélicas, apresentou a moral da história: como o PS só “existe para estar no poder, nunca irá resolver o problema da pobreza”, pois são os pobres que permitem ao PS “manter-se lá”.

Foi o tom de acinte com que a frase foi dita que despertou a minha curiosidade. Há duas formas de olhar para isto. Uma é analisar a linha de raciocínio (é uma ideia lógica?); a outra é olhar para os factos (o que sustenta a ideia?). Vamos por partes.

Cotrim de Figueiredo diz que “os pobres” votam no PS como se fosse um axioma, uma verdade tão óbvia e consensual que dispensa demonstração. Tão inquestionável como dizer “penso, logo existo”. Só um louco tem dúvidas sobre isso.

A seguir, o deputado apresenta as consequências da sua evidência: o PS produz pobres para se manter no poder e por isso que não os quer tirar da pobreza. Favorecer os pobres seria suicídio político. Levada a tese ao extremo, fiquei à espera que Cotrim de Figueiredo aconselhasse o PS a favorecer os ricos. Afinal, seria a melhor forma de manter os pobres na pobreza.

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