Fernando Rosas premiado pela Academia Portuguesa de História | in Esquerda.net

A Academia Portuguesa de História anunciou esta quarta-feira que Fernando Rosas estava entre os nove autores que decidiu galardoar. O livro “Salazar e os Fascismos. Ensaio breve de história comparada” venceu o prémio da Fundação Calouste Gulbenkian na categoria “História da Europa”.

“Salazar e os Fascismos. Ensaio breve de história comparada”, livro editado pela Tinta-da-China, valeu a Fernando Rosas o prémio Fundação Calouste Gulbenkian, na categoria História da Europa, atribuído pela Academia Portuguesa da História Lisboa.

O anúncio da distinção aconteceu esta quarta-feira. No livro, Rosas aborda a comparação entre a ditadura que se instalou em Portugal a partir dos anos 20 do século passado e os outros regimes autoritários de direita que terão o seu auge na Europa nos anos 30.

Para além disto, o historiador traça paralelismos entre a atualidade e a situação que existia quando os fascismos emergiram. Na altura em que apresentou o livro, Rosas realçou à Lusa que “a História nunca se repete porque as circunstâncias variam, mas as pré-condições que originaram os movimentos fascistas no século XX e as circunstâncias do mundo atual têm indiscutíveis paralelos com o passado”.

Assim, “o primeiro paralelismo com o tempo presente respeita à crise do sistema liberal como pano de fundo”. Outro paralelismo tem a ver com a derrota das forças capazes de enfrentar a crise do capitalismo, destacando a “implosão do ‘socialismo real’” e a capitulação da social-democracia. Esta levou ao “quase desaparecimento dos partidos socialistas em vários países”, tendo deixado “muita gente sem defesa, sem expressão, sem voz e são esses que estão a ser mobilizados pelo populismo de extrema-direita”.

Para o historiador “os fascismos têm várias modalidades” e “o regime enquanto regime – não o fascismo enquanto movimento anterior à tomada do poder – é sempre um encontro de duas realidades: o fascismo ‘plebeu’ e popular e o fascismo que resulta da fascistização das direitas tradicionais. Este encontro é o regime fascista enquanto realização histórica. Em Portugal também”.

Outros distinguidos pela Academia Portuguesa de História com o mesmo prémio foram, na categoria História Moderna e Contemporânea de Portugal, Teresa de Campos Coelho, com “Os Nunes Tinoco. Uma dinastia de arquitetos régios dos séculos XVII e XVIII”; na categoria História da Presença de Portugal no Mundo, ‘ex aequo’ Lúcio de Sousa com “The Portugueses Slave Trade in Early Modern Japan. Merchants, Jesuits and Japanese, Chinese, and Korean Slaves” e Maria de Lurdes Caldas com “Os Medina e Vasconcelos. História de uma Família”.

Para além destes prémios, a Academia Portuguesa de História atribuiu ainda vários outros em diversas áreas e sobre diversas épocas históricas. O prémio Pina Manique foi para a tese de doutoramento de Andreia Gomes, “Casas de cidade: Processo de privatização e consumos de luxo nas camadas intermédias urbanas (Lisboa na segunda metade do século XVIII e início do século XIX)”. O Prémio Lusitania – História de Portugal foi para Rui Tavares com o livro “Censor Iluminado. Ensaio sobre o Pombalismo e a Revolução Cultural do Século XVIII”. O Prémio EMEL/História dos Caminhos, Percursos e Mobilidade foi atribuído a Mariana Reis de Castro com o livro “Contrabando e Contrabandistas. Elvas na Primeira Guerra Mundial”. O Prémio Joaquim Veríssimo Serrão foi atribuído a “Fernão de Magalhães. Herói, Traidor ou Mito: A História do Primeiro Homem a Abraçar o Mundo” de José Manuel Garcia. O Prémio P.M. Laranjo Coelho foi para a obra “A Carta de Américo Vespúcio, em Lisboa (1504) e o mapa de Martin Waldseemüllaer, com o nome AMERICA, delineando as terras do futuro BRASIL (1507)” de José Augusto Bezerra e Ingrid Schwamborn. O Prémio Professor Doutor Pedro da Cunha Serra foi ganho por Victor S. Gonçalves e Ana Catarina Sousa por terem escrito “Casas Novas numa curva do Sorraia (no 6.º milénio a.n.e. e a seguir)”.

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