LEONARDO DA VINCI | Biografia | Wikipédia

Leonardo di Ser Piero da Vinci (? pron.), ou simplesmente Leonardo da Vinci (Anchiano15 de abril de 1452[2] — Amboise2 de maio de 1519), foi um polímata nascido na atual Itália,[2][nb 1] uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento,[2] que se destacou como cientistamatemáticoengenheiroinventoranatomistapintorescultorarquitetobotânicopoeta e músico.[3][4][5] É ainda conhecido como o percursor da aviação e da balística.[3] Leonardo frequentemente foi descrito como o arquétipo do homem do Renascimento, alguém cuja curiosidade insaciável era igualada apenas pela sua capacidade de invenção.[6] É considerado um dos maiores pintores de todos os tempos e como possivelmente a pessoa dotada de talentos mais diversos a ter vivido.[7] Segundo a historiadora de arte Helen Gardner, a profundidade e o alcance de seus interesses não tiveram precedentes e “sua mente e personalidade parecem sobre-humanos para nós, e o homem em si [nos parece] misterioso e distante”.[6]

Nascido como filho ilegítimo de um notário, Piero da Vinci, e de uma camponesaCaterina, em Vinci, na região da Florença, foi educado no ateliê do renomado pintor florentino, Verrocchio. Passou a maior parte do início de sua vida profissional a serviço de Ludovico Sforza (Ludovico il Moro), em Milão; trabalhou posteriormente em VenezaRoma e Bolonha, e passou seus últimos dias na França, numa casa que lhe foi presenteada pelo rei Francisco I. Leonardo era, como até hoje, conhecido principalmente como pintor.[7] Duas de suas obras, a Mona Lisa[2] e A Última Ceia,[2] estão entre as pinturas mais famosas, mais reproduzidas e mais parodiadas de todos os tempos, e sua fama se compara apenas à Criação de Adão, de Michelangelo.[6] O desenho do Homem Vitruviano, feito por Leonardo, também é tido como um ícone cultural,[8] e foi reproduzido por todas as partes, desde o euro até camisetas. Cerca de quinze de suas pinturas sobreviveram até os dias de hoje; o número pequeno se deve às suas experiências constantes — e frequentemente desastrosas — com novas técnicas, além de sua procrastinação crônica.[nb 2] Ainda assim, estas poucas obras, juntamente com seus cadernos de anotações — que contêm desenhos, diagramas científicos, e seus pensamentos sobre a natureza da pintura — formam uma contribuição às futuras gerações de artistas que só pode ser rivalizada à de seu contemporâneo, Michelangelo.[nb 3]

Leonardo é reverenciado pela sua engenhosidade tecnológica;[7] concebeu ideias muito à frente de seu tempo, como um protótipo de helicóptero, um tanque de guerra, o uso da energia solar, uma calculadora, o casco duplo nas embarcações, e uma teoria rudimentar das placas tectônicas.[10] Um número relativamente pequeno de seus projetos chegou a ser construído durante sua vida (muitos nem mesmo eram factíveis),[nb 4] mas algumas de suas invenções menores, como uma bobina automática, e um aparelho que testa a resistência à tração de um fio, entraram sem crédito algum para o mundo da indústria.[nb 5] Como cientista, foi responsável por grande avanço do conhecimento nos campos da anatomia, da engenharia civil, da óptica e da hidrodinâmica. Leonardo da Vinci é considerado por vários o maior gênio da história,[11][12][13][14] devido a sua multiplicidade de talentos para ciências e artes, sua engenhosidade e criatividade, além de suas obras polêmicas. Num estudo realizado em 1926 seu QI foi estimado em cerca de 180.[15][16]

Biografia

Genealogia

Leonardo nasceu em 15 de abril de 1452, “na terceira hora da noite”,[nb 6] de um sábado,[nb 7] no vilarejo de Anchiano, na comuna italiana de Vinci, na Toscana, situada no vale do rio Arno, dentro do território dominado à época por Florença.[17] Era filho ilegítimo de Messer Piero Fruosino di Antonio da Vinci, um notário florentino[18][19] e Caterina di Meo Lippi, uma órfã de 15 anos,[20] camponesa[2] que pode ter sido uma escrava oriunda do Oriente Médio.[nb 8][nb 9] Leonardo não tinha um sobrenome no sentido atual; “da Vinci” significa simplesmente “de Vinci“: seu nome completo de batismo era “Leonardo di ser Piero da Vinci”, que significava “Leonardo, (filho) de (Mes)ser,[nb 10] Piero de Vinci”.[17]

Estudos genealógicos recentes afirmam que possuía cerca de vinte e dois meio-irmãos.[23]

Infância, 1452–1468

Pouco se sabe da infância de Leonardo. Provavelmente passou os seus primeiros quatro ou cinco anos no vilarejo de Anchiano, e depois do casamento de sua mãe com um lavrador de nome Accattabriga di Piero del Vaca, arranjado por Piero pouco após o nascimento do filho,[24] mudou-se para a casa da família de seu pai então casado com uma jovem de dezesseis anos chamada Albiera di Giovanni Amadori,[13] com a qual Leonardo tinha uma boa relação, a quem chamava de madrinha, em companhia de seu avô, Antonio, e tio, Francesco, na paróquia de Santa Croce em Vinci, em um ambiente bucólico aconchegante, o que é significativo na personalidade de um Leonardo ligado a natureza.[nb 11] Albiera morreu muito cedo sem filhos. A morte do seu avô Antonio a quem muito estimava deu-se logo após em 1468,[3] e Leonardo apesar de ilegítimo continuara filho único no segundo casamento do seu pai Piero, com Francesca di Giuliano Lanfredini; testemunharia a mais dois casamentos deste, até que em 1476, quando viviam em Florença, Piero teve o tão esperado filho legítimo.[25] Em sua vida adulta, Leonardo só se recordaria de dois incidentes de sua infância, um deles, tinha como presságio:

Parece-me que sempre fui destinado a me interessar muito profundamente por falcões, pois lembro-me como uma de minhas primeiras recordações que, quando estava no berço, um falcão desceu sobre mim e abriu-me a boca com a cauda, e me bateu muitas vezes entre os lábios com ela.[13]

O segundo ocorreu enquanto ele brincava nas montanhas da região, e depois de vagar por alguma distância entre as rochas projetadas acima, cheguei à boca de uma imensa caverna, diante da qual me quedei por algum tempo estupefato, pois ignorava a sua existência (…) e após ficar ali algum tempo, de repente despertaram dentro de mim duas emoções — medo e desejo — medo da escura e ameaçadora caverna, desejo de ver se haveria alguma coisa maravilhosa lá dentro.[13]

A infância e a juventude de Leonardo foram tema de diversas conjunturas históricas.[26] Giorgio Vasaribiógrafo do século XVI que escreveu sobre os pintores do Renascimento, conta como um camponês local teria pedido a Ser Piero que mandasse seu filho pintar um quadro numa placa redonda ou escudo. Leonardo respondeu com uma pintura de serpentes soltando fogo — ou mesmo um dragão — tão terrível e mesmo assim tão surpreendente que Ser Piero decidiu vender a um negociante de arte florentino que, por sua vez, a vendeu ao Duque de Milão. Enquanto isso, com parte do lucro da venda, Ser Piero comprou uma placa, decorada com um coração penetrado por uma flecha, que ele deu ao camponês.[27] Leonardo tornou-se um jovem instruído e sempre referido pelos estudiosos como dono de uma bela aparência de fartos cabelos louros e olhos claros, além de uma personalidade afável com o trato das pessoas.[28]

CONTINUA

https://pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_da_Vinci

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