Gente Muito Cá de Casa – por José Teófilo Duarte

Gente_muito_casa_JT“Somos as pessoas que conhecemos, os lugares que visitamos, os livros que lemos”
[Jorge Luís Borges]

MEMÓRIA DESCRITIVA | As fotografias que representam os convidados Muito cá de casa estão penduradas na Galeria da Casa Da Cultura | Setúbal. Resultam de um projecto proposto por mim a António Correia que, por gentileza e amizade, concordou em desenvolver. A ideia é retratar todos os participantes nas sessões, em visual depurado, de maneira a possibilitar a captação do instante decisivo. Não na concepção que referia Henry Cartier Bresson. Os convidados pousam para o fotógrafo. Foram encontrados os meios mínimos possíveis para o desenvolvimento do trabalho. O instante decisivo é procurado pela objectiva que se revela na captação do à-vontade e no olhar que a visão do fotógrafo — obtida pelo seu próprio silêncio interior — regista e revela.

 

O meu papel no processo é, para além da programação dos encontros, de concepção gráfica e direcção de imagem.
O designer trabalha em grupo. Ficou-me esta máxima de Bruno Munari. Em todos os trabalhos que desenvolvo insisto em partilhar os passos a dar com os intervenientes nos processos criativos. Cada trabalho tem os seus enleios próprios. É preciso escolher materiais, técnicas de impressão, e sobretudo é necessário perceber o objectivo a atingir. Um projecto fotográfico documental pode ser mostrado em suporte impresso sem as exigências e rigor de um projecto pessoal original.
Todas as exposições que projectei para a Casa da Cultura alinharam por um insistente trabalho de grupo. Alguns artistas entregaram-me o menino nos braços. O petiz não foi com a água do banho nem foi agredido na incubadora. Mas na maior parte dos casos insisti em ter o autor por perto. Para a exposição que agora documenta as paredes da Casa foi o que aconteceu. O fotógrafo assistiu à impressão de provas. A impressão foi feita em máquina digital. Não foram utilizadas as técnicas tradicionais de impressão de fotografia a preto e branco. Mas foi possível acertar tons. O documento fornecido em quadricromia permitiu a experiência. Acertos no preto e no magenta. Era preciso realçar os tons acastanhados sem contudo anular os pretos intensos que uma fotografia a preto e branco naturalmente exibe. O autor aprovou. Uma impressão digital tem limitações, mas, nos dias que correm, é possibilidade real quando o orçamento é reduzido. Nada contra, é a vida. Surgiu assim esta exposição documental. A mostra ilustra três anos de trabalho. Revela instantes decisivos. Os olhares e os gestos de gente que muito generosamente se dispôs a conviver connosco. Gente muito cá de casa. Muito obrigado a todos.
José Teófilo Duarte www.blogoperatorio.blogspot.com

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