Poema | Maria Isabel Fidalgo

Não tens outro destino que não o mar
da lusitana terra portuguesa
teu berço de sangue e tua onda
azul de espuma à tua mesa.
Não tens outro remo outro navio
outro porto outra casa outra corrente
que a raiz de avós e o sangue antigo
a correr-te na veia efervescente.
Não tens outra manhã aberta sobre o peito
quando a semente é vera.mente mater
quando o céu cobre o ardor do corpo
e as mãos afagam o pulsar do coração
não tens outro destino não:
que o mar é uma canção de moinhos sobre as dunas
afagando a água onde regressas.

maria isabel fidalgo

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