Retrato de Mónica | Sophia de Mello Breyner Andresen

monica - 200Mónica é uma pessoa tão extraordinária que consegue simultaneamente: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, ser dirigente da «Liga Internacional das Mulheres Inúteis», ajudar o marido nos negócios, fazer ginástica todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, ir a muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda a gente, gostar dela, dizer bem de toda a gente, toda a gente dizer bem dela, coleccionar colheres do séc. XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser sócia de todas as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito séria. Na vida, conheci muitas pessoas parecidas com Mónica. Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre ou do ioga ou da pintura abstracta.Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disciplina rigorosa e constante. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a sol.De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.

«Contos Exemplares» – Sophia de Mello Breyner Andressen

Claudio Magris confirmado para o Literatura em Viagem – 2016‏

LEV - 250O LeV — Literatura em Viagem regressa em maio de 2016. Entre os dias 13 e 15 desse mês, Matosinhos volta a receber mais de uma dezena de autores, cientes da missão espinhosa que é salvar o mundo, contando-o.
Nesta décima edição do LeV, destaque para a presença do escritor, ensaísta e cronista Claudio Magris, o primeiro de uma mão-cheia de nomes internacionais que iremos anunciar, e um dos intelectuais europeus mais influentes da actualidade, numa altura em que a Europa atravessa uma das maiores crises de identidade das últimas décadas. Em Matosinhos, Claudio Magris, na companhia de autores que iremos anunciar ao longo das próximas semanas, irá reflectir sobre o mundo em que vivemos, e em que condições é que a Literatura poderá contribuir para salvá-lo. Como está a ideia de Ocidente? O que pode a ficção em face do real? O autor de Danúbio, rio que é metáfora de um continente, virá lançar as perguntas certas. As respostas ficam à responsabilidade de cada um.
Em maio a Biblioteca Municipal Florbela Espanca volta a servir de base às mais diversas viagens e interpretações literárias, a partir de debates, conversas e entrevistas com uma série de autores que marcam a escrita contemporânea.

O LeV — Literatura em Viagem é uma organização da Câmara Municipal de Matosinhos.

Ombres portées | Leur représentation dans l’art occidental | E. H. Gombrich

ombres 200Art et Artistes – Gallimard

Ombres portées. Leur représentation dans l’art occidental – E. H. Gombrich. Alors que les ombres portées sont, en général, utilisées pour attirer l’attention du spectateur, l’historien de l’art souligne et analyse ici leur relative rareté dans l’art occidental.

Traduit de l’anglais par Jeanne Bouniort. Préface de Neil Mac Gregor, introduction de Nicholas Penny. Première parution en 1996.

Il s’agit de regarder autour de soi pour remarquer les ombres projetées par les objets sur les surfaces environnantes, aussi bien en plein jour qu’à la lumière artificielle. Les artistes se servent des ombres portées pour attirer l’attention sur l’éclairage du tableau et pour donner plus de solidité aux objets qui interceptent la lumière. Ces ombres peuvent révéler la présence de quelqu’un ou de quelque chose en dehors de l’espace du tableau. Pourtant, comme le souligne E. H. Gombrich, elles n’apparaissent que çà et là dans l’art occidental, qui a plutôt tendance à les oublier ou à les éliminer.